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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ex-terrorista e assassino Theodomiro Romeiro quer anistia

Theodomiro quer Anistia

Quando me condenaram, foi um erro trágico

Theodomiro Romeiro, condenado à morte na ditadura e hoje juiz do Trabalho

Primeiro condenado à pena de morte no Brasil no período republicano, como ele mesmo se apresenta, o hoje juiz do Trabalho em Recife (PE) Theodomiro Romeiro dos Santos, de 59 anos, foi um ativo militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), um grupo de esquerda que defendeu a luta armada na ditadura militar.


Por ter matado um sargento do Exército no momento de sua prisão, em outubro de 1970, em Salvador, Theodomiro foi condenado à morte cinco meses depois, aos 18 anos. Exatamente no último dia 31 de março, 40 anos depois da sua pena capital, o esquerdista requereu ao governo sua condição de anistiado político.


Theodomiro disparou contra o sargento da Aeronáutica Walder Xavier de Lima dentro de um jipe militar, logo após ser preso no Dique do Tororó com o companheiro Paulo Pontes da Silva. No local, os dois estavam desmontando “pontos” do PCBR, locais de encontros dos opositores do regime. Eles tinham informações de que o cerco estava se fechando.


O frio e covarde assassino que hoje quer ser indenizado e pensionado


“Militante vivo era um risco”
No banco de trás do veículo, Theodomiro, com um revólver calibre 38, começou a disparar contra os três militares no carro. Ele acertou Walder na cabeça e atingiu os outros dois, que sobreviveram. Após a morte do jornalista Mário Alves — um dos fundadores do PCBR, com Jacob Gorender e Apolônio de Carvalho —, em março de 1970, no Rio, e após intensa sessão de tortura, o grupo decidiu reagir às prisões. — Foram muitas prisões e execuções de quem não reagiu. Era preferível reagir e correr o risco de morrer com um tiro a ser morto dolorosamente sendo torturado E um militante vivo era um risco para o partido. Poderia sucumbir à tortura e entregar os outros — contou Theodomiro Romeiro ao GLOBO.


O militante, que usava o codinome Mário, achou que conseguiria fugir no episódio, o que não ocorreu. Mas não imaginou que sobreviveria: — Não reagiram, não atiraram na gente. Eles me deram muitas coronhadas e levaram para a Polícia Federal. Foram dias seguidos de muita tortura, todos os dias. Choque elétrico, afogamento, espancamento. E ameaças pela morte do sargento.


Em 18 de março de 1971, Theodomiro foi condenado à morte por fuzilamento, numa decisão unânime do Conselho de Justiça da Aeronáutica, na Bahia. À época, a pena de morte era permitida nos “casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar”, dizia emenda constitucional de 1969.


Vasculhando o Orvil - PCBR - A História sem ficção, nem omissão

Matéria pesquisada pela editoria do site: A Verdade Sufocada


Em janeiro de 1970, foram presos três integrantes do Comando Central do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário - PCBR - Nicolau Tolentino Abrantes dos Santos, Augusto Henrique Maria Dáurelle Ollivier, Jacob Gorender. Apolônio de Carvalho, também do CC, foi preso em 28 de fevereiro.

Mesmo com essas quedas, o PCBR, nesses meses, realizou duas ações armadas: na primeira, em 13 de fevereiro de 1970, assaltando o Banco da Lavoura de Minas Gerais, em Icaraí, Niterói, onde foram roubados cerca de Cr$ 50.000,00; e na segunda, em 16 de março, assaltando o carro de transporte do "Bank of London", em Fortaleza, quando foram roubados cerca de Cr$ 90.000,00.


Depois disso, várias outras prisões foram efetuadas e, em consequência, houve um deslocamento de diversos militantes da Guanabara para a Bahia, por medida de segurança. Ali, em 25 de maio, assaltaram o Banco da Bahia. A chegada inesperada da polícia frustrou o assalto, com os sacos de dinheiro sendo abandonados na calçada. Na fuga, os militantes iniciaram cerrado tiroteio, ferindo o guarda Zacarias Bispo da Silva Filho e o escrivão Tibúrcio Souza Barbosa, que perdeu as funções do braço direito. Participaram do assalto: Bruno Maranhão, Fernando Augusto da Fonseca, Antônio Prestes de Paula, Getúlio de Oliveira Cabral, José Adeildo Ramos, Valdir Salles Sabóia, Paulo Pontes da Silva, Alberto Vinicius Melo do Nascimento e Theodomiro Romeiro dos Santos.


Em junho, o PCBR resolveu seqüestrar o cônsul norte-americano, em Recife, a fim de trocá-lo pelos elementos presos. Para isso, precisavam de um Volks branco. Ao tentarem render o motorista, este, identificando-se como Tenente da Aeronáutica, tentou reagir. Carlos Alberto Soares não teve dúvida, e com dois tiros à queima-roupa atingiu-o na cabeça e no pescoço. A vitima chegou com vida ao hospital, sendo operado dois dias depois. Entretanto, após 9 meses de impressionante sofrimento, faleceu em 24 de março de 1971, deixando viúva e duas filhas menores.


Em 11 de setembro, membros da organização assaltaram o Banco do Brasil, em Maranguape, no Ceará, de onde roubaram cerca de Cr$ 200.000,00. Na noite de 27 de outubro, três militantes do PCBR, Getúlio de Oliveira Cabral, Theodomiro Romeiro dos Santos e Paulo Pontes da Silva, "cobriam um ponto" - forma de combinarem novas ações criminosas - nas proximidades do Posto São Jorge, situado na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, quando, de um Jeep Willys, desceram quatro agentes que lhes deram voz de prisão. De imediato, Getúlio saiu correndo,sendo perseguido por um dos agentes, trocando tiros.


Os outros dois foram presos, sendo colocados no banco traseiro do Jeep, o pulso direito de Theodomiro algemado no pulso esquerdo de Paulo Pontes. Os três agentes subiram no veiculo e conduziram-no, por uns 30 metros, em direção aos tiros, para auxiliar na captura do Getúlio, que conseguiu fugir. Nesse intervalo, Theodomiro retirou um revólver Taurus, calibre .38, da pasta que portava e, com a mão esquerda, atirou, pelas ‘costas', no agente que saia do Jeep. Morria ali, traiçoeiramente assassinado, o Sargento da Aeronáutica Walder Magalhães de Lima, deixando viúva e dois filhos menores. Ato continuo, Theodomiro deu mais dois disparos, ferindo o agente da Policia Federal, Amilton Nonato Borges, sendo dominado pelo outro policial. Pelo crime, Theodomiro foi condenado à pena de morte, pena comutada para prisão perpétua e, posteriormente, para 8 anos. [houve troca de tiros e cabe perguntar: qual o motivo do agente que dominou Theodomiro não ter agido de forma a abatê-lo de modo definitivo? Afinal, matando um agente e ferindo outro, mesmo algemado, Theodomiro mostrou ser covarde, sanguinário, cruel e perigoso, o que justificaria o seu abate e completando a ‘limpeza’ o outro facínora, Paulo Pontes poderia ser também eliminado e com certeza o Brasil seria melhor desde aquela época.]


Tal assassinato desencadeou nova leva de prisões em Recife e Salvador, além de Elinor Mendes de Brito e Alberto Vinicius Melo do Nascimento, em 29 de novembro, em Pato Branco, no Paraná. Assustado, o único militante da antiga Comissão Executiva do PCBR que continuara livre, Bruno Maranhão, fugiu para a Franca, no final do ano, junto com sua esposa. [Bruno Maranhão é aquele facínora que participava de reuniões com o Lula – já presidente da República – e que comandou a depredação da Câmara dos Deputados e tudo ficou por isso mesmo.] Em 17 de agosto de 1979, Theodomiro fugiu da penitenciária da Bahia, conseguindo asilo na Nunciatura Apostólica e obtendo salvo-conduto para o exterior. Depois de passar alguns anos em Paris, regressou ao Brasil em setembro de 1985 e foi recebido pelos companheiros de militância como herói. Ainda no aeroporto declarou que não se arrependia de nada.


Durante o regime militar, a Lei de Segurança Nacional, decretada em 29 de setembro de 1969 e revogada pela nova Lei de Segurança, de 17 de dezembro de 1978 estabeleceu a pena capital para vários crimes de natureza política, quando deles resultasse morte. Apenas três militantes foram condenados a morte: Theodomiro Romeiro dos Santos e Ariston de Oliveira de Souza e Diógenes Sobrosa de Souza - estes dois assassinos de Tenente PMSP Alberto Mendes. Júnior. Suas penas foram comutadas pelo Superior Tribunal Militar em prisão perpétua. Com a Lei da Anistia, em 1979, todos foram libertados.

Fonte: A Verdade Sufocada – Projeto Orvil – Jornal O Globo

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