Ao menos 10 pessoas morreram e 50 ficaram feridas em Misrata durante confrontos de rua após os ataques aéreos da Otan próximos a um complexo na capital Trípoli, onde Kadhafi reside. "Desde as oito horas da manhã, nós recebemos 10 mortos e 50 feridos, o que normalmente é um número do dia inteiro", disse o médico Khalid Abu Salra, no hospital Al-Hikma, nessa cidade portuária do oeste do país. "Estamos esgotados, faltam pessoal e remédios", destacou.
As ambulâncias chegavam a cada três ou quatro minutos, principalmente com soldados de Kadhafi feridos, enquanto o pessoal do hospital limpava freneticamente as macas manchadas de sangue, constatou um jornalista da AFP. Misrata tem sido palco de guerrilha urbana entre forças pró-Kadhafi e rebeldes há mais de seis semanas.
Os confrontos deste sábado na cidade portuária ocorreram depois de o regime de Kadhafi ter dado a seu exército um"ultimato" para conter a rebelião na cidade, localizada a 200 km a leste da capital. O vice-chanceler, Khaled Kaim, disse: "houve um ultimato para o exército líbio: se eles não resolverem o problema em Misrata, então as pessoas das cidades vizinhas de Zliten, Tarhuma, Bani Walid e Tawargha vão intervir e conversar com os rebeldes". "Se não se renderem, entrarão no confronto", disse a jornalistas.
Hamed al-Hasi, coronel que coordenada os rebeldes da cidade de Ajdabiya disse que a decisão significa que os insurgentes começaram a vencer a guerra. "Esse foi o primeiro prego do caixão de Kadhafi. Isso significa que o exército líbio não é mais capaz", disse à AFP. Os Estados Unidos promoveram seu primeiro ataque com o drone Predator na Líbia no início da tarde deste sábado, informou o Pentágono, sem dar detalhes sobre a localização dos alvos. Mais cedo, a Otan promoveu ataques contra a residência de Kadhafi em Bab al-Aziziya, no centro de Trípoli, no que aparentava ser um bunker. A agência oficial Jana informou que duas pessoas morreram nos ataques da Otan na noite de sexta-feira em Zintan, região do sudeste de Trípoli. Os aviões da Otan continuavam a sobrevoar Trípoli neste sábado.
Paralelamente, um alto oficial militar afirmou que os ataques aéreos das forças aliadas destruíram de 30% a 40% das forças de Kadhafi, afirmando que o conflito estava progredindo para um impasse. "Tenho certeza de que as forças da Otan continuarão a destruir a capacidade militar das forças do regime", disse o almirante Michael Mullen. Rebeldes reclamaram que civis estão sendo mortos em locais como Misrata, onde ruas inteiras foram pulverizadas com tiros e bombardeios.
França, Itália e Inglaterra anunciaram que enviariam soldados para o leste da Líbia, mas apenas para auxiliar os rebeldes em questões técnicas, logísticas e organizacionais, e não para entrar em combate. O presidente francês, Nicolás Sarkozy, declarou sua intenção de seguir os passos do senador americano John McCain e visitar Benghazi.
Fonte: AFP

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