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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lula, nos EUA, debocha da Justiça Brasileira

'Julgamento do mensalão pode sair somente em 2050', diz Lula após palestra nos Estados Unidos

Como principal orador do "Fórum de Líderes do Setor Público - América Latina e Caribe", evento organizado pela empresa Microsoft na capital americana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira a política de educação nos seus anos oito anos de governo, e evitou falar sobre os primeiros três meses da presidente Dilma Rousseff no poder e sobre os passaportes diplomáticos concedidos a seus familiares. Mas falou sobre o relatório final da Polícia Federal sobre o escândalo do mensalão. "Se entrar o relatório da PF, todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar. Então, vai ser julgado em 2050".

- Não vou falar porque senão um jornalista aqui vai escrever "Lula está dizendo o que Dilma tem de fazer" - brincou, provocando risos na plateia. Ao final do encontro, em entrevista com jornalistas no corredor, disse que, pela sua experiência própria como presidente, Dilma não deveria se preocupar com o desempenho inicial no Palácio do Planalto.

- Em cem dias a gente está aprendendo os corredores, as cadeiras, abrir gaveta. Ninguém pode assumir compromisso de que, em cem dias, vai fazer tal coisa. Eu lembro que nós assumimos isso quando a Erundina foi eleita prefeita de São Paulo e em cem dias foi um desastre. A Dilma tem o compromisso com o povo brasileiro de um mandato de quatro anos, com direito a mais quatro de reeleição. Ela será julgada em 2014 pelo que fez. Acho que ela vai ser um governo de sucesso extraordinário.

Lula também não quis se alongar em comentários sobre o relatório da Polícia Federal que confirma a existência da prática do "mensalão" em seu governo.

- Tem uma peça que dizem que foi o relatório produzido pela PF, não se sabe se o ministro Joaquim (Barbosa, do Supremo Tribunal Federal) vai receber ou não, se aquilo vai entrar nos autos do processo. Se entrar, todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar. Então, vai ser julgado em 2050. Então, não sei se vai acontecer. Não tive chance de dar uma olhada no relatório, nem vou olhar. Não sou advogado - resumiu.

Lula ignora pergunta sobre passaportes diplomáticos

Em relação ao pedido de explicações feito pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal ao Ministério das Relações Exteriores sobre a concessão de sete passaportes diplomáticos para filhos e netos seus, em 2010, o ex-presidente foi lacônico: - Isso é com o Itamaraty.

Já questionado se teria interesse em atuar como uma espécie de mediador no atual conflito na Líbia entre o exército do líder Muamar Kadafi e as forças rebeldes, com a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), respondeu: - É muito difícil eu falar porque ninguém me chamou. Se a minha presidenta ou alguém achasse necessário e falasse que o Lula pode contribuir, eu contribuiria tranquilamente. [Lula, te convence que você pertence ao passado; cada dia você vai aparecer menos até entrar para o cesto de lixo da história.]

Mas revelou forte irritação quando perguntado por que teria chamado Kadafi de "companheiro e amigo", em uma de suas visitas à Líbia. - Não fale uma sandice dessa. Eu conheço as pessoas e sei como me refiro a elas. Se você estivesse falando do Paulo Freire ou do Antonio Cândido... Eu jamais falaria isso por uma razão muito simples: porque tenho discordância política e ideológica.

Em sua palestra remunerada para a audiência da Microsoft, Lula elogiou a Olimpíada de Matemática nas escolas públicas, e fez um gesto ao presidente do grupo americano que lhe pagou o cachê: - Tenho certeza de que a ampliação das Olimpíadas de Matemática no Brasil contribuirá para formar novos talentos, quem sabe uma nova geração de Bill Gates, que há 37 anos iniciou a Microsoft com uma grande ideia na cabeça, muita garra e possivelmente muita inteligência.

Lula viajou nesta quarta-feira mesmo para Acapulco, onde fará uma palestra - também remunerada - para a Associação dos Bancos Mexicanos. Em Washington, anunciou que dentro de 20 dias fará uma palestra para empresários venezuelanos, em Caracas, e terá conversas com o governo de Hugo Chávez. - Acho que a relação entre a presidente Dilma e o presidente Chávez será aperfeiçoada, porque a Venezuela é um país muito importante e interessa à América Latina que esteja integrado e com uma economia estável - disse.

Fonte: Agência O Globo

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