Leio na internet que o deputado Jair Bolsonaro defendeu a tortura. É uma vergonha mas não é uma surpresa. Os ataques de Bolsonaro a democracia vem em sequencia. O último havia sido ofender os brasileiros negros a partir de uma suposta crítica ao comportamento de Preta Gil. [certamente o articulista não leu a resposta de Bolsonaro, na qual fica claro que houve severa crítica ao comportamento da Preta Gil, mas não houve racismo.]
Bolsonaro já defendeu a execução sumária de presos comuns. Sua aparição na vida pública civil foi feita por uma ameaça exótica mas violenta: anos atrás, ele prometia cometer um
atentado terrorista para protestar contra a democratização. Na verdade, Bolsonaro não impressiona. No mundo inteiro existem políticos desse tipo. O aspecto preocupante
é que este comportamento não diz respeito a um deputado do Rio de Janeiro, mas a todos nós. Por que Bolsonaro pode se comportar dessa maneira? Quem lhe dá o direito de ser tão descarado? Por que suas palavras não são repudiadas por todos e cada um? Por que os jornais publicam e repercutem aquilo que diz, como se fosse parte legítima do debate democrático? Por que seu discurso é difundido, ampliado?
Nos tempos em que vivi na França, no início dos anos 80, assisti ao crescimento de uma estrela da ultra-direita local, Jean-Marie Le Pen, fundador do Front National. Le Pen é um político fascista, que defende uma política de segregação contra os imigrantes árabes que vivem no país e seus filhos, que já detem cidadania francesa. Mas há uma diferença notável entre Le Pen e Bolsonaro e ela reside no país em que vivem.
Le Pen tem um discurso extremista mas cuidadoso. No discurso, ele não ataca os imigrantes — limita-se a defender os franceses. Diz: “a França para os franceses.” Não é explícito, mas obscuro. Todo mundo sabe o que ele quer dizer mas o próprio Le Pen não o faz. Por que? Porque a sociedade francesa não permite. A força das idéias democráticas naquele país é tal que não se aceita que as teses anti-democráticas sejam proferidas em público, de modo exibicionista e ofensivo, como faz Bolsonaro.
Le Pen, que recentemente foi sucedido por sua filha no comando da organização, sempre foi obrigado a esconder seus pensamentos. Todo mundo sabe que ele é um nostálgico do império colonial frances, vencido por tropas comunistas na Indochina e depois pela revolução nacionalista na Argélia. Mas, ao contrário do que faz Bolsonaro, incapaz de esconder seu apego ao regime de 64, Le Pen não faz propaganda do colonialismo nem prega a submissão das antigas colonias. Apresenta-se como defensor dos franceses “em primeiro lugar.” [Se a legislação brasileira não obriga a nenhum cidadão brasileiro a ocultar sua posição contra o homossexualismo não vemos razões para Bolsonaro ocultar sua posição; quando defende a execução de criminosos comuns, Bolsonaro está certíssimo, pois existem certos bandidos que devemn ser eliminados para o bem da Sociedade.
O governo militar de 1964 foi quem salvou o BRASIL, nossa PÁTRIA, de se transformar em um satélite da URSS, uma nova Cuba e todos nós, BRASILEIROS DO BEM, temos orgulho daquele GLORIOSO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO DEMOCRÁTICO de 31 narço 1964 e esperamos que se as coisas continuarem como estão que se repita.]
Muitas pessoas podem até achar que é melhor ter um Bolsonaro que diz o que pensa do que um Le Pen que só diz meias-verdades. Bobagem. As meia-verdades de Le Pen são um limite político, imposto pelo regime democrático de seu país, que não admite ataques à direitos e garantias fundamentais. Os franceses acertaram suas contas com a história. Não se discute, por exemplo, se a adesão a Adolf Hitler, na Segunda Guerra Mundial, foi um ato com aspectos positivos e negativos para a história da França. Foi um ato de traição, indefensável. E é isso. [tão traiçoeiro, indefensável e nojento quanto o dos MAUS BRASILEIROS que tentaram transformar o Brasil em uma nova Cuba e graças ao MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO de 31 março 1964 fracassaram.]
O discurso solto e descontrolado de Bolsonaro mostra que nossa democracia está exposta e que há quem aposte em torná-la frágil e precária. E aí é digno perguntar: quem protege Bolsonaro? Quem lhe garante audiência?
A resposta não se encontra naquela antropologia de almanaque, segundo a qual todos os problemas da humanidade residem na “cultura” de determinado povo. Quem ainda achar que o Brasil não possue “cultura democratica” suficiente para organizar a vida pública precisa ler os jornais de 1984, quando ocorreu a campanha pelas diretas-já, ou quinze anos depois, quando o país foi às ruas para pedir o impeachment de um presidente acusado de corrupção. Bolsonaro é expressão de interesses políticos e não de uma suposta vocação cultural. Embora o Brasil viva hoje o mais prolongado período democrático de sua história, [e também o mais corrupto] uma parcela ponderável e influente da sociedade brasileira cultiva uma visão instrumental e peculiar de democracia.
Conforme essa concepção, os regimes democráticos são ótimos quando servem a nossos interesses, ajudam nossos amigos e perseguem nossos adversários. Mas podem ser descartados quando deixam de cumprir qualquer uma das condições descritas acima. São forças que promovem o enfraquecimento da democracia, fazem o possível para desmoralizar instituições identificadas com a vontade popular e adoram sabotar e exagerar as deficiencias do sistema civil.
São essas forças que alimentam Jair Bolsonaro.
Por: Paulo Moreira Leite - Revista ÉPOCA
[Jair Bolsonaro está no sexto mandato parlamentar e com certeza essas 'forças ocultas' citadas no artigo não superam a mais de 100.000 só no estado do Rio de Janeiro - Bolsonaro teve mais de 120.000 votos.
Bolsonaro é apoiado pelos BRASILEIROS DO BEM, pelos que defendem a FAMÍLIA, a MORAL, os BONS COSTUMES, a SOBERANIA NACIONAL, a PUNIÇÃO AOS BANDIDOS e outros valores que a esquerda despreza.]

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