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sexta-feira, 15 de abril de 2011

O folhetim Amor e Revolução é fraco, dramatúrgico e historicamente

Não se trata de censura e sim de impedir a veiculação de mentiras

O novelista Tiago Santiago afirma que a trama foi aprovada pelo SBT quatro meses antes da crise e venda do Panamericano. [afirmar é fácil... provar é outros quinhentos... já diz a sabedoria popular. Afinal a afirmação está sendo feita por alguém que tem a ‘cara de pau’ de desafiar, no folhetim em rede nacional, as leis da física.]


Censura é inconstitucional. Este movimento contra "Amor e revolução" só interessa a quem cometeu crimes e não quer que eles sejam mostrados - diz o escritor. [os que são contrários à exibição da novela não querem a censura e sim que sejam mostrados – tanto na parte ficcional quanto na de depoimentos – as ações dos dois lados. Queremos que mostrem na parte ficcional os atentados terroristas praticados pelos comunistas, que na novela são mostrados como vítimas. Aliás, uma aberração que o autor pratica contra a história é colocar tortura em abril de 64, quando sequer o presidente da República tinha sido escolhido pelo Movimento Revolucionário e a tortura, se é que houve, surgiu após o AI-5.

Se o Batistelli e sua cúmplice já eram fugitivos, portanto já eram caçados, em abril de 64, fica claro que eles começaram sua carreira de crimes e contestação ao governo na presidência do Jango !!!]

O folhetim se propõe a contar uma história sem o menor sentido – assistir Amor e Revolução é a mesma coisa que ver Pinóquio, o Burro Falante, já que não há nenhum compromisso do autor com a verdade e menos ainda com a fundamentação lógica e científica dos acontecimentos que narra.

Os próprios depoimentos dos ‘torturados’ tem algo cabalístico em relação ao número três; todos foram torturados em etapas de três dias e não há um sincronismo entre a época da ficção e das supostas torturas.]

A jornalista Denise Fon, integrante da Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (ACAT), lamentou a criação do abaixo-assinado. - Se algum lado se sente prejudicado com a novela, deveria pedir o direito de dar sua opinião, em vez de tentar impedir a exibição da novela - acredita Denise, que assim como mais de 70 militantes de esquerda, deu seu depoimento à produção da novela para exibição ao final de cada capítulo.

Segundo Santiago, a produção esforça-se desde janeiro para gravar depoimentos de militares e apoiadores do golpe. No entanto, a maioria tem recusado. O autor conta que chegou a oferecer ao coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra (ex-comandante do DOI-CODI, acusado de tortura e assassinatos) a possibilidade de ver seu depoimento editado antes da exibição. Ainda assim, Ustra preferiu não falar. Até agora, foram gravados e exibidos os depoimentos de Jarbas Passarinho, que foi ministro durante a ditadura, e do oficial de reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió, um dos responsáveis pela repressão à Guerrilha do Araguaia.

Crítica de TV e professora da Universidade de São Paulo, Esther Hamburger reconhece que é um desafio tratar da história recente do Brasil em uma telenovela, mas diz que a narrativa não foi capaz de sensibilizá-la. - Apesar da iniciativa ousada, o começo de "Amor e revolução" é fraco dramatúrgica e historicamente. A repercussão na internet com os abaixo-assinados pode melhorar a audiência. No entanto, para a novela dar certo é preciso que a narrativa seja capaz de gerar empatia. O que vi até agora foi uma sucessão de cenas de tortura, quase um inventário de formas de tortura em diferentes cenários, e de amor. Faltou mostrar a militância em ação - analisa a especialista.

Caso queira assinar o abaixo-assinado para retirar do ar o folhetim AMOR & REVOLUÇÃO, clique aqui.


Fonte: O Globo

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