Ex-chefe de “serviço de tortura” do Bahrein estará no casamento real
Aparentemente faltou cuidado na elaboração da lista de casamento do príncipe do Reino Unido William com Kate Middleton, que será realizado nesta sexta-feira (28). Como informa o jornal The Guardian, está na lista de convidados o embaixador do Bahrein em Londres, Sheikh Khalifa Bin Ali al-Khalifa, uma pessoa com reputação capaz de manchar o casório do neto da rainha Elizabeth. O jornal britânico explica quem é ele: Sheikh Khalifa Bin Ali al-Khalifa é o ex-chefe da Agência de Segurança Nacional (…) e segundo a embaixada barenita em Londres ele deve ir ao casamento. Khalifa foi chefe da agência entre 2005 e 2008. O grupo de pressão internacional Human Rights Watch afirma que em 2007 detentos no Bahrein sofreram tortura que incluía choques elétricos e espancamentos. [o grande problema dessas ONGs de DIREITOS HUMANOS é que qualquer pressão mais enérgica sobre um bandido eles já consideram tortura. Será que membros dessas organizações já tiveram a experiência de ser sequestrado? Ou ameaçado, humilhado, maltratado por bandidos?]
O Guardian prossegue afirmando que o relatório da Human Rights Watch acusa expressamente a NSA de ser uma das entidades ligadas ao governo do Bahrein a praticar tortura contra os presos.
Desde o início de fevereiro a população civil do Bahrein vem tentando derrubar a ditadura do rei Hamad bin Isa Al Khalifa. Os protestos têm sido reprimidos duramente pelas forças de segurança do governo e dezenas de manifestantes já foram mortos. Em março, o Bahrein autorizou que tropas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos entrassem em seu território para ajudar a manter a família real no poder. Nesta quarta, a Justiça do país condenou à morte quatro manifestantes – acusados de matar dois policiais.
Outras três pessoas foram condenadas à prisão perpétua
Um tribunal do Bahrein condenou à morte quatro manifestantes acusados de matar dois policiais durante os recentes protestos que sacudiram o pequeno reino do Golfo Pérsico, segundo a imprensa oficial e ONGs. A sentença foi emitida contra os manifestantes Ali Abdullah Hassan al Sankis, Qasim Hassan Matar Ahmed, Said Abuljalil Said e Abdulaziz Abdulridha Ibrahim Hussein. O Juizado Nacional de Segurança também condenou outros três manifestantes - Isa Abdullah Kadhim Ali, Sadeq Ali Mahdi e Hussein Jafar Abdulkarima - à prisão perpétua pelo caso.
Todos os condenados são acusados de participar dos assassinatos de dois policiais, informou a agência nacional de notícias "Bina", que não especifica quando ocorreu o caso. A Procuradoria Geral militar pedia, segundo a Associação da Juventude Bareinita para os Direitos Humanos, a pena de morte para todos os manifestantes acusados pelos homicídios.
A ONG repudiou o julgamento contra os sete manifestantes porque "os tribunais especiais violam os padrões internacionais" e pediu a intervenção da comunidade internacional para pôr fim aos processos contra manifestantes. Os protestos políticos no Bahrein começaram em 14 de fevereiro, seguindo a esteira dos ocorridos em Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen. [curiosamente a China continua executando as dezenas e nenhum país, nenhuma ONG dos ‘direitos humanos’ protesta; aquele ativista chinês recentemente preso está absolutamente esquecido das ONGs e dos ‘paladinos’ dos direitos humanos e que na maior parte das vezes esquecem os DIREITOS dos HUMANOS DIREITOS.]
Bahrein: a invasão que ninguém viu
Em meio a protestos contra o governo local, militares da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos entram no Bahrein. Oficialmente, para "proteger o governo local"
Nas últimas semanas, os governos das principais potências mundiais têm debatido, em diversas instâncias, o que fazer diante da situação de guerra civil em que a Líbia se encontra. Preocupações como viabilidade, custos e riscos de uma operação militar, bem como possíveis reflexos no mundo árabe e na legitimidade das leis internacionais têm pautados as discussões, transformando a Líbia em uma interminável polêmica internacional. Enquanto isso, os emirados e reinos do Golfo Pérsico, pouco ligados às noções de lei internacional e legitimidade vigentes no mundo ocidental, decidiram tentar resolver uma crise semelhante no Bahrein de forma bem mais pragmática e simplista. Tropas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos (EAU) invadiram o Bahrein – a pedido da família real barenita – para conter os protestos contra o governo iniciados há um mês. [com certeza morrerão bem menos inocentes do que na Líbia, país em que as operações militares autorizadas pela ONU pra ‘proteger os civis’ tem matado mais civis – incluindo mulheres e crianças bombardeadas em áreas civis - do que soldados do Kadhafi.]
A ação militar se deu quando um comboio de 150 blindados e outros veículos do Exército saudita cruzaram a ponte que divide a Arábia Saudita do Bahrein, levando pelo menos mil homens para o país vizinho. A intenção oficial, segundo disse um membro do governo saudita ao jornal The Wall Street Journal, era “ajudar a proteger pontos estratégicos” do Bahrein em meio aos protestos contra a família. A mesma justificativa deu o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes, Anwar Mohammed Gergashnwar Mohammed Gergash. "Os Emirados Árabes Unido assegura que esse passo representa a personificação de seu compromisso com os irmãos do Conselho de Cooperação do Golfo", disse Gergash ao jornal local The National. "Isso também expressa evidentemente que a segurança e a estabilidade regionais requerem de nós, neste momento, união para proteger conquistas, deixar a luta sectária de lado e colocar as bases para o futuro".
O Conselho de Cooperação do Golfo citado pelo ministro árabe é uma organização multilateral que reúne, além de Bahrein, Arábia Saudita e EAU, Kuwait, Omã e Catar. Em comum, além da localização geográfica ao redor do Golfo Pérsico, todos são monarquias hereditárias, que não têm a menor intenção de ver a "onda democrática" que passa pelo norte da África chegar ao golfo. Por enquanto, o Bahrein, onde reina Hamad ibn Isa Al Khalifa, é o país mais afetado pela onda entre os membros do conselho. Desde 14 de fevereiro, a população protesta contra o governo e pede o fim da monarquia da família Khalifa. Por trás das manifestações populares, há insatisfações com a economia e a falta de liberdades civis. Soma-se a isso, o tempero sectário do conflito no Bahrein. Al Khalifa e a elite do país são sunitas, e tentam controlar há décadas uma população majoritariamente (entre 60% e 70%) xiita, o que torna o Bahrein um país altamente instável. Como fizeram Zine El-Abidine Ben Ali, na Tunísia, e Hosni Mubarak, no Egito, Al-Khalifa aposta na violência contra sua própria população para se manter no poder, mas vem tendo dificuldades para conter o levante. Foi assim que surgiu a necessidade de intervenção estrangeira.
Como não podia deixar de ser, a oposição barenita criticou duramente a ação militar. "Nós consideramos a entrada de qualquer soldado ou equipamento militar no reino do Bahrein como uma flagrante ocupação", disse o partido xiita Wefaq, em um comunicado. Nabeel Rajab, do Centro de Direitos Humanos do Bahrein, foi pela mesma linha. "Este é um assunto interno e vamos considerar isso como uma ocupação", afirmou ele à rede Al Jazeera. "Este passo não é bem-vindo pelos barenitas, não é aceitável. Temos um regime repressivo apoiado por outro regime repressivo", afirmou.
O Bahrein, que abriga a Quinta Frota Naval dos Estados Unidos, é um dos principais aliados americanos na região. Durante os protestos, a Casa Branca vem apoiando a família Al Khalifa ao mesmo tempo que pressiona o rei a atender algumas demandas da população. Nesta segunda, o secretário de Estado assistente para assuntos do Oriente Próximo, Jeffrey Feltman, disse que o governo Barack Obama estava "definitivamente preocupado" com a invasão e que o Bahrein precisava de uma "solução política, não militar".
Apesar das negativas de Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes, é possível crer que ação militar dos países do golfo é uma tentativa de suprimir de uma vez por todas o levante barenita. O que conta a favor dessas famílias reais, é que suas preocupações coincidem com as dos Estados Unidos e de outras potências ocidentais. A primeira é que o Irã aproveite a instabilidade no Bahrein e consiga cooptar a população xiita local, deixando a situação ainda mais caótica. A outra é que o levante se espalhe para o golfo e ameace o grosso da produção de petróleo mundial, especialmente na Arábia Saudita, colocando toda a economia em risco. O que contraria o Ocidente é o pouco apreço que as monarquias do golfo têm pelos direitos humanos. Mas com Estados Unidos, França e Reino Unido mais preocupados com a Líbia, e agora, com a crise nuclear no Japão, é bem possível que as monarquias árabes consigam conter a oposição barenita sem atrair críticas da comunidade internacional.

0 comentários:
Postar um comentário