Pesquisa personalizada

terça-feira, 12 de abril de 2011

Os filhos dos especialistas em segurança pública onde estudam?

Onde estudam os filhos deles?

Os especialistas tentam convencer de que não adianta pedir mais segurança nas escolas. Duvido que os filhos deles estudem em lugares onde entra quem quer, e carregando a arma que quiser

Tragédias como a do Realengo despertam nas pessoas a necessidade compulsiva de fazer alguma coisa. É absolutamente legítimo. É instinto de autoproteção. Acontece, porém, que se essa “alguma coisa” demora demais o debate corre o risco de perder foco. Uns defendem que a resposta adequada para as mortes é uma nova campanha pelo desarmamento. A premissa é matematicamente lógica. Se não houver armas de fogo em circulação não haverá como matar alguém com uma arma de fogo. Todo determinante de matriz nula é zero. Fica para o leitor julgar o realismo e a efetividade da proposta. Mas, e até lá?
O que fazer enquanto houver armas em circulação? Nada?

Há uma agenda anterior, na esfera da segurança pública. Como ainda existem armas de fogo em circulação, há também necessidade de prevenção e defesa contra criminosos e candidatos a criminosos munidos de armas de fogo. Parece lógico? No dia do massacre escrevi que o país precisa e vai encontrar recursos para fazer das nossas escolas um lugar mais seguro para nossas crianças.

Eu disse “mais seguro”, não “completamente seguro”. Não há solução que elimine 100% a chance de uma chacina como no Realengo. Mas isso não deve servir de pretexto para omissão. Em situações extremas é sempre prudente e didático partir de um ângulo pessoal. Sou um pai como qualquer outro. Se tenho o direito de exigir para meu filho uma escola onde ele esteja razoavelmente protegido, por que negar o mesmo direito a todos os pais e mães deste país?

Ainda mais agora. Quanto malucos não ficaram morrendo de inveja da súbita fama alcançada pelo covarde que atirou nas crianças no Rio? Ao longo do fim de semana, os especialistas procuraram convencer-nos de que nada há a melhorar no terreno da segurança, de que tudo foi uma fatalidade. Aumentar a vigilância nas escolas seria ineficaz, e até prejudicial. Será?

É a mania de achar que se você não tem o ótimo deve desistir de ter o bom. O ótimo, como se sabe, é o pior inimigo do bom. Tendo a desconfiar dos especialistas. Respeito, mas desconfio. Gostaria de saber onde estudam os filhos deles.
Aposto que não é em escolas onde qualquer um entra sem ser incomodado, e carregando revólveres e balas numa sacola.

Nossos especialistas correm o risco de ficar como algumas autoridades da educação, que gastam dinheiro do povo a rodo para martelar que as escolas públicas vão cada vez melhor. Mas matriculam seus filhos e netos em boas escolas particulares. Daquelas em que ninguém passa pela portaria sem um bom motivo e sem provar que não é ameaça.

Referendos

É indispensável que uma eventual proibição total de armas de fogo volte a passar por referendo. Aliás, poderia ser tudo feito de uma vez só: o das armas e o da reforma política. A comissão do Senado que aprovou a eleição indireta de deputado e vereador teve o bom senso de incluir na proposta a exigência da consulta popular sobre a mudança.

É um teste para os convictos da democracia direta. A lista fechada (voto indireto para deputado e vereador) e a proibição total do comércio de armas podem reunir maioria no Congresso, mas entre os eleitores a coisa não será tão fácil. Nas duas últimas vezes em que o povo foi consultado rejeitou o parlamentarismo e rejeitou proibir a venda de armas, apesar do apoio maciço da opinião pública em ambos os casos.

A elite e os formadores de opinião perderam.
Seria diferente agora? O risco é grande, daí ser preciso coragem para promover a consulta popular. Os assuntos merecem. E já aparecem os políticos sedentos de uma faxina na biografia. E se vamos gastar dinheiro, por que não incluir uma pergunta sobre a legalização do aborto? Foi tema importante na última campanha eleitoral.

Descriminalização

Por falar em descriminalização, talvez o maior feito da presidente Dilma Rousseff nestes cem dias tenha sido descriminalizar a crítica ao governo.
Dilma fala pouco, mas parece -até agora- compreender que ser criticada e pressionada é parte do trabalho dela. E está a colher boa vontade.

Fonte: Blog do Alon - publicado no Correio Brasiliense

[apesar de não ser especialista no assunto me atrevo a fazer alguns reparos ao expresso pelo ilustre Alon:

- qualquer medida que vise restringir a venda de armas se revelará inócua em um caso como o de Realengo – nenhuma das armas utilizada pelo MONSTRO de Realengo foi adquirida no COMÉRCIO LEGAL;

- o mesmo vale para medidas que busquem restringir o acesso a armas;

- colocar segurança armada na porta das escolas não resolve em um caso nos moldes do ocorrido em Realengo, pois o assassino já iria preparado para ao receber um não ou ser questionado sobre as razões de querer entrar na escola, disparar contra o vigilante matando-o - temos que lembrar que a segurança em comento se refere a escolas, o que limita a atuação do vigilante, e não a uma ÁREA DE SEGURANÇA - em uma 'área de segurança' se utiliza guaritas, limites de aproximação, práticas impossíveis de ser adotadas em uma escola; e,

- detectores de metal criariam filas enormes, causando aglomeração na entrada da escola e o possível assassino teria apenas que mudar o local da execução de dentro para fora da escola.

É fácil concluir que qualquer medida restritiva do acesso às escolas só teria sucesso se tratando de malfeitores comuns, jamais seria bem sucedida em se tratando de deter psicopatas.] .

0 comentários: