O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez seu aguardado discurso sobre a situação no Oriente Médio e a declaração que está causando mais polêmica é o apoio à criação do Estado palestino nas fronteiras de 1967. A manifestação se tornou manchete de alguns dos principais jornais, como o The New York Times.
Tentando atrelar seu governo às mudanças políticas que ocorrem no mundo árabe, o presidente Obama pediu publicamente que as fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias de 1967 se torne a base para um acordo de paz entre Israelenses e Palestinos, a primeira vez que um presidente americano explicitou tal posição.
Aos poucos, analistas começaram a notar que a posição declarada de Obama não era assim tão nova. Jeffrey Goldberg, da The Atlantic foi um deles.
Estou me sentindo no Dia da Marmota. Essa é a ideia por pelo menos 12 anos. Era isso que [o ex-presidente dos EUA] Bill Clinton, Ehud Barak e Yasser Arafat estavam falando em Camp David, e depois, em Taba. Era isso que George W. Bush estava acertando com Ariel Sharon e Ehud Olmert. Então o que há de novo aqui? Há algum israelense não-delirante que não ache que a fronteira de 1967 não serviria como rascunho do novo Estado palestino?
A reação de analistas como Goldmore contrasta com a de líderes mundiais. William Hague, o ministro do Exterior do Reino Unido, afirmou no Twitter que seu governo “dá as boas-vindas ao compromisso do presidente Obama de [estabelecer] um Estado palestino nas fronteiras de 1967, ao lado de um Israel em segurança”. Carl Bildt, o ministro do Exterior da Suécia e importante negociador da União Europeia, foi ainda mais claro, também no Twitter:
Pres. Obama: “As fronteiras de Israel e da Palestina devem ser baseadas nas linhas de 1967 com trocas [de território] aceitas mutuamente”. Sim, fundamental! É importante que agora os Estados Unidos e a União Europeia concordam claramente sobre a paz no Oriente Médio baseada nas linhas de 1967 e trocas mutuamente aceitas.
No Twitter e em seu canal no Facebook, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deixou claro que seu governo não aceita a proposta de Obama. Ele afirmou que a “viabilidade do Estado palestino não pode vir às expensas da viabilidade do primeiro e único estado judeu:
“Netanyahu espera ouvir de Obama um respaldo aos compromissos americanos a Israel feitos em 2004, que receberam o apoio total das duas Casas do Congresso americano. Entre outras coisas, esses compromissos indicam que Israel não seria obrigado a se retirar para as fronteiras de 1967, que são indefensáveis [militarmente] e que deixariam os grandes centros populacionais israelenses da Judeia e de Samaria [Cisjordânia] fora dessas fronteiras. [esses centros populacionais israelenses foram criados após a invasão do território palestino e mante-los com território israelense será uma forma de burlar o retorno do estado de Israel as fronteira de 67.]
A impressão é que, com o passar o tempo, o furor por conta das palavras de Obama vai ser reduzido. A médio prazo, deve prevalecer a percepção de que o que Obama fez foi dizer, em termos diferentes, o que Benjamin Netanyahu disse nesta semana no parlamento israelense: que está pronto para buscar a paz, mesmo que para isso seja necessário abrir mão de porções de terra que Israel considera suas.
Isso significaria manter alguns dos assentamentos judeus na Cisjordânia. O apoio de Obama a essa tese não ajuda na retomada das negociações por um simples motivo: os palestinos não aceitam voltar a negociar sob esses termos, que consideram “pré-condições inaceitáveis”.
Os palestinos acham a paz possível, porém, não há interesse de Israel.
Fonte: Agencias internacionais

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