Cabral nega mal-estar com comandante da PM sobre Parada Gay e Paes diz que participação de militares é 'opinião do governador'
A possibilidade de policiais militares e bombeiros participarem da Parada Gay uniformizados e com viaturas ainda gera discussão no governo. Na manhã desta quarta-feira, em entrevista à rádio CBN, o governador Sérgio Cabral negou que exista um mal-estar após a afirmação do comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, de que os policiais estão impedidos de irem ao evento porque as regras da PM não permitem.
Mais tarde, durante o lançamento do conjunto de políticas públicas que buscam garantir o exercício da Cidadania da comunidade LGBT na cidade, o prefeito Eduardo Paes classificou a declaração de Cabral como "a opinião pessoal do governador" que não pode ser encarada como uma polêmica.
Sobre a relação com o comandante da PM, Cabral disse que o coronel Mário Sérgio submeteu a ele a declaração que enviaria à imprensa por meio de uma nota. - (Mal-estar após a declaração da PM) De maneira alguma, pelo contrário. O coronel Mário Sérgio teve a gentileza e o respeito à hierarquia de me enviar o email me consultando sobre as perguntas feitas pelo jornal, e me apresentando as respostas que enviaria ao jornal, e minha resposta foi: perfeito. O coronel Mário Sérgio, assim como o secretário Beltrame (segurança) tem absoluta confiança minha e não houve mal estar nenhum.
Na segunda-feira, durante o lançamento da campanha contra homofobia, Cabral deu a entender que os policiais e bombeiros estavam autorizados de participarem das Paradas Gays, como fazem os profissionais de outros países que vão às manifestações com a roupa e o carro da corporação. Segundo o governador, na resposta, o comandante da PM explicou que existem regras que impedem a participação dos policiais em manifestações:
- A resposta dele (Mário Sérgio) diz que a liberdade sexual na corporação é garantida, e que há regras que não permitem a participação em manifestações; regras que não foram inventadas por ele ou por mim. Se houver a manifestação e a PM for solicitada para garantir a segurança lá estará, como faz em vários eventos.
O governador acrescentou que fez um comentário e não uma autorização sobre a participação de policiais em Paradas Gays: - Em várias Paradas Gays do mundo os profissionais muitas vezes vão com a sua roupa profissional para a Parada, demonstrando exatamente de maneira didática 'Olha eu sou homossexual, e estou aqui e presto o meu serviço', inclusive profissionais da área de segurança. Jamais o governador (do Rio) determinou que se vá para a Parada Gay. Isso é bobagem, polêmica tola.
De acordo com o governador, o comentário tinha como objetivo informar que todos os profissionais do governo podem assumir sua opção sexual: - O que quis dizer e repito e reitero é que no nosso Estado, que sempre foi a marca registrada do Brasil pela provocação de assuntos de vanguarda, ninguém no nosso governo está proibido de assumir a sua opção sexual, inclusive policiais militares, civis, professores, bombeiros. Esse é um direito legítimo de qualquer cidadão.
A iniciativa do governador continua provocando reações. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Wadih Damous, criticou na tarde desta terça-feira o uso de uniforme e carros oficiais da PM em desfiles gays. "Entendo que esses militares têm direito a participar de qualquer movimento gay como cidadãos, mas fora do horário do expediente de trabalho e sem usar farda e nem carros oficiais porque seria um absurdo", disse Damous, em nota.
Já o comandante da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, disse na manhã desta terça-feira que, de acordo com a legislação e regras da corporação, um militar não pode participar de um evento de lazer na sua folga utilizando farda ou mesmo equipamentos militares.
O presidente da Associação dos Ativos, Inativos e Pensionistas das Polícias e Bombeiros, Miguel Cordeiro, disse que vai entrar na Justiça, contestando a decisão do governador Sérgio Cabral, que autorizou, inclusive, o uso de viaturas de suas corporações na próxima Parada Gay , em outubro. Segundo Cordeiro, não se trata de preconceito; apenas, segundo ele, de uma "questão de segurança”.

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