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terça-feira, 24 de maio de 2011

Imaginem o desastre que será para o Peru eleger um candidato que parece o ChaveS e faz tudo para ser igual ao Lula

Humala: entre Chávez e Lula

No próximo dia 5, Keiko Fujimori e Ollanta Humala disputam, no Peru, o segundo turno de uma das eleições presidenciais mais polarizadas dos últimos tempos.

De um lado, a filha de Alberto Fujimori, neoliberal que conseguiu melhorar a economia local e que hoje cumpre pena de 25 anos de prisão por corrupção e violações de direitos humanos.

Do outro, um militar que é comparado ao venezuelano Hugo Chávez, mas que busca se tornar cada vez mais parecido com o ex-presidente Lula. Em artigo publicado na revista Foreign Policy, Michael Shifter, presidente da organização Diálogo Inter-Americano, tenta responder a questão fundamental das eleições peruanas: pode um chavista se tornar um lulista?

No artigo, Shifter lembra que Humala passou boa parte da campanha tentando refutar as acusações de que seria um novo Chávez e que, para isso, anunciou muitas mudanças de postura, algumas radicais. Humala desistiu de reformar a Constituição do Peru, trocou o plano de nacionalização das companhias de energia por um plano de aumento de impostos, deixou de atacar o Chile (que tem disputas territoriais com o Peru), passou a apoiar o acordo de livre-comércio com os Estados Unidos e abandonou a retórica nacionalista de sua família.

Essas mudanças, diz Shifter, podem ser fundamentais não só para o futuro do Peru, mas também para o futuro da América Latina, dividido entre duas vertentes de governos de esquerda: uma representada por países como Brasil, Chile, Uruguai e El Salvador e outra pela Venezuela de Chávez.

Alguns peruanos aparentemente vêem um Humala mais moderado como uma oportunidade de preencher um espaço político similar aos dos vizinhos brasileiros e chilenos. Se Humala conseguir uma vitória em 5 de junho, então ele terá a chance de provar que sua mudança é genuína. Se ele conseguir isso, seria um novo duro golpe a Chávez e mais uma evidência de sua crescente irrelevância na região.

Fonte: José Antonio Lima – O Filtro

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