domingo, 22 de maio de 2011
Israelenses questionam imobilismo diplomático de Netanyahu
Na própria frente interna de Israel, multiplicam-se as vozes que questionam o imobilismo diplomático do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, na questão crucial e existencial da criação de um Estado palestino. Diariamente, a imprensa israelense publica declarações e artigos com um tema comum: o risco de um isolamento inédito de Israel — e, possivelmente, dos Estados Unidos — quando a Autoridade Nacional Palestina (ANP) levar o reconhecimento de seu Estado à Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro. [a ANP ao levar o reconhecimento de seu Estado à ONU, estará exercendo um direito inalienável na busca de sua soberania.]
“O estabelecimento de um Estado palestino soberano é hoje uma necessidade, da mesma maneira como o sionismo foi uma necessidade, e cerca de metade da sociedade israelense parece concordar com a opinião pública e os governos ocidentais sobre o princípio de que os árabes palestinos têm o mesmo direito à independência e à soberania que os judeus israelenses”, escreveu no jornal Haaretz o comentarista Zeev Sternhell. Ele conclui seu artigo com uma advertência sombria: “Israel está em rota de colisão com todos os aliados e simpatizantes. Nesse rumo, vai acabar se tornando um Estado pária”.
O cientista político francês Zaki Laïdi, diretor de pesquisas do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences Po, vê dificuldades também no caminho de Barack Obama. “Se os palestinos forem bem-sucedidos, a pressão vai crescer sobre Israel e os EUA terão de assumir suas responsabilidades e decidir se continuam apenas apoiando Israel”, disse Laïdi ao Correio.
União palestina
O fator decisivo, aponta o estudioso, é a reconciliação recém-firmada entre o partido nacionalista Fatah, que dirige a ANP, na Cisjordânia, e o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. “A reconciliação entre as facções palestinas, a formação de um governo de transição e as futuras eleições legislativas são elementos importantes. A proclamação do Estado palestino em um território dividido seria contraproducente”, observa Laïdi.
A reconciliação da ANP com o Hamas, ao qual Netanyahu se referiu, durante o encontro com Obama, como “a versão palestina da Al-Qaeda”, se choca até mesmo com a visão expressa em um documento reservado da divisão de planejamento político da chancelaria israelense. O texto, enviado no começo do mês ao primeiro-ministro e obtido pelo Haaretz, recomenda ao governo que veja a presença dos islamistas em um governo palestino como uma “abordagem construtiva”. Apontando para os debates de setembro, aconselha: “Devemos evitar expressões ou iniciativas que enfraqueçam Israel (...) na arena internacional, especialmente tendo em vista os desafios estratégicos que nos aguardam ao longo do ano”.
Fonte: EFE
“O estabelecimento de um Estado palestino soberano é hoje uma necessidade, da mesma maneira como o sionismo foi uma necessidade, e cerca de metade da sociedade israelense parece concordar com a opinião pública e os governos ocidentais sobre o princípio de que os árabes palestinos têm o mesmo direito à independência e à soberania que os judeus israelenses”, escreveu no jornal Haaretz o comentarista Zeev Sternhell. Ele conclui seu artigo com uma advertência sombria: “Israel está em rota de colisão com todos os aliados e simpatizantes. Nesse rumo, vai acabar se tornando um Estado pária”.
O cientista político francês Zaki Laïdi, diretor de pesquisas do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences Po, vê dificuldades também no caminho de Barack Obama. “Se os palestinos forem bem-sucedidos, a pressão vai crescer sobre Israel e os EUA terão de assumir suas responsabilidades e decidir se continuam apenas apoiando Israel”, disse Laïdi ao Correio.
União palestina
O fator decisivo, aponta o estudioso, é a reconciliação recém-firmada entre o partido nacionalista Fatah, que dirige a ANP, na Cisjordânia, e o movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. “A reconciliação entre as facções palestinas, a formação de um governo de transição e as futuras eleições legislativas são elementos importantes. A proclamação do Estado palestino em um território dividido seria contraproducente”, observa Laïdi.
A reconciliação da ANP com o Hamas, ao qual Netanyahu se referiu, durante o encontro com Obama, como “a versão palestina da Al-Qaeda”, se choca até mesmo com a visão expressa em um documento reservado da divisão de planejamento político da chancelaria israelense. O texto, enviado no começo do mês ao primeiro-ministro e obtido pelo Haaretz, recomenda ao governo que veja a presença dos islamistas em um governo palestino como uma “abordagem construtiva”. Apontando para os debates de setembro, aconselha: “Devemos evitar expressões ou iniciativas que enfraqueçam Israel (...) na arena internacional, especialmente tendo em vista os desafios estratégicos que nos aguardam ao longo do ano”.
Fonte: EFE
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