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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Lágrimas de sangue

Paquistão teria autorizado a captura de Bin Laden no país

A rede terrorista Al-Qaeda tinha acabado de humilhar a nação mais poderosa do planeta. No fim de 2001, Osama bin Laden esteve prestes a ser capturado nas montanhas de Tora Bora, no Afeganistão. Com o fracasso da missão, os então presidentes George W. Bush (EUA) e Pervez Musharraf (Paquistão) assinaram um acordo secreto que autorizava as forças norte-americanas a matar o extremista em território paquistanês.

“Havia um pacto segundo o qual, se soubéssemos onde Osama estava, entraríamos lá e o pegaríamos”, revelou um ex-alto oficial de contraterrorismo ao The Guardian. “Os paquistaneses não nos deteriam.” A denúncia coincide com o agravamento das tensões entre os aliados. Musharraf e o atual premiê Yousaf Raza Gilani acusaram Washington de violar a soberania do Paquistão. Para o ex-oficial consultado pelo jornal britânico, a indignação de Islamabad era esperada. “Eles (paquistaneses) apenas implementaram o acordo”, assegurou.

O francês Jean-Charles Brisard — advogado das famílias de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 — afirmou ao Correio que o Paquistão avalizou, mesmo implicitamente, os ataques de aviões espiões americanos dentro do país. “A polêmica surgiu agora por causa da duplicidade de Islamabad em relação a Bin Laden e ao óbvio fato de que o comando militar paquistanês sabia do paradeiro do terrorista havia anos”, comentou.

Para o especialista em Al-Qaeda, Islamabad fez vista grossa por temer retaliações de grupos fundamentalistas sunitas e da rede terrorista. Brisard acredita que o Paquistão hospede o núcleo remanescente da organização. “Como a guerra ao terror se concentra no país, os EUA creem que suas ofensivas no Paquistão são legítimas”, sustenta o francês. “Combater o terrorismo também significa superar suas duplicidades e cumplicidades.”

O ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik, garantiu ontem que as autoridades americanas terão acesso às três viúvas de Bin Laden para interrogatório. Mas não especificou a data ou o local do depoimento. Ao revelar a identidade de um homem apresentado como chefe da Agência Central de Inteligência (CIA) no Paquistão, o governo de Islamabad se indispôs ainda mais com os EUA. Ontem, aviões espiões não tripulados norte-americanos lançaram mísseis contra o noroeste do país e mataram quatro insurgentes islâmicos.

Ao mesmo tempo, Mark Toner, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, assegurou que houve “avanços” para a obtenção de informações de Islamabad sobre o líder da Al-Qaeda. “Continuamos trabalhando com o Paquistão para termos acesso a qualquer informação que possa contribuir com nosso objetivo comum de manter nossa cooperação antiterrorista (…) e estamos otimistas”, declarou.

Lágrimas de sangue
Um comunicado da Al-Qaeda publicado pelo Al-Fajr Media Center, o site de propagandas da rede, avisa que os americanos pagarão “o preço” pela morte de Bin Laden. “(Barack) Obama espalhou o sangue de nosso mártir. Somos uma Uma (nação islâmica), que não fica silenciosa ante a injustiça. Não nos culpem. Vocês escolheram isso e pagarão o preço. Obama está protegido por exércitos, mas quem o protegerá de nosso ataque?”, adverte. “É preciso vingar o assassinato do xeque da jihad (guerra santa) e do Leão do islã, de uma forma que fará os EUA esquecerem o prazer de sua felicidade e que fará com que chorem sangue”, acrescenta o texto.

A Al-Qaeda autorizou os militantes a atacarem sem ordem prévia. “Dizemos a qualquer mujahedin (combatente): se tiver a oportunidade, aproveite-a. Não consulte ninguém para matar americanos ou destruir sua economia. A terra de Alá é vasta e seus alvos estão em todas as partes.” Mais cedo, um vídeo da rede acusava Obama de ter exibido imagens falsas de Bin Laden. Nas cenas, Osama aparece envelhecido diante da TV. “É preciso ficar atento: os EUA mentem”, alertou o site Shumul Al-Islam, que apontou diferenças entre as orelhas e os olhos de Bin Laden e do homem que aparece nas imagens.

Filhos do saudita querem processar presidente
Os filhos de Osama bin Laden ameaçaram levar o presidente norte-americano, Barack Obama, à Justiça como “responsável” pelo destino de seu pai, morto em 2 de maio. Uma mensagem assinada por Omar bin Osama bin Laden e divulgada pelo centro de vigilância de sites islamitas SITE considera “inaceitável” e “humilhante” que o corpo tenha sido lançado ao mar. “Consideramos o presidente Obama em pessoa legalmente responsável pelo destino de nosso pai, Osama bin Laden”, indica o texto. “É humana e religiosamente inaceitável ver uma pessoa desse nível e dessa importância para seus parentes ter seu corpo lançando ao mar de uma forma humilhante”, acrescentou.

Fonte: Correio Braziliense

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