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terça-feira, 24 de maio de 2011

O mandato da ONU, se houver intenção de respeitá-lo, não autoriza a invasão da Líbia

Reino Unido vai usar helicópteros contra Khadafi na Líbia

O jornal The Guardian revela nesta segunda-feira que o governo britânico decidiu enviar helicópteros do tipo Apache para a Líbia, para fortalecer sua missão de proteger os rebeldes civis que tentam derrubar o governo do ditador Muammar Khadafi. Como conta o jornal, a decisão chega em um momento intrigante:

A decisão de enviar helicópteros é um claro reconhecimento de que bombardeios a partir de vôos a 15 mil pés não podem proteger civis, que continuam sendo atacados por foguetes e morteiros. [A decisão] deixa a ofensiva da OTAN muito mais perto do chão em um momento em que o Reino Unido e outros membros da OTAN estão insistindo que não têm intenção de enviar tropas para a Líbia.

Essa insistência citada pelo Guardian e a decisão de enviar helicópteros para a Líbia não combinam. Militarmente, a decisão é justificável. Segundo o Guardian, os militares sob comando de Khadafi deixaram de usar fardas e passaram a realizar ataques em veículos civis. Além disso, continuam guardando equipamentos em regiões habitadas por civis, como as proximidades de escolas e hospitais. Como esses helicópteros têm grande capacidade de manobra, carregam muitos armamentos e podem operar à noite, serão uma arma poderosa.

Politicamente, a decisão pode trazer problemas. Em primeiro lugar porque os helicópteros são úteis, mas provavelmente não decisivos neste tipo de conflito. Ao contrário dos aviões, os helicópteros podem ser abatidos por armas portáteis, algumas até manuseadas por pessoas inexperientes no combate. Se um ou mais desses helicópteros for abatido, a OTAN pode ficar em uma encruzilhada entre abandonar a luta na Líbia e invadir o país de Khadafi. Qualquer que seja a decisão vai causar desgaste político e intensos protestos internacionais, arrastando o conflito para um destino ainda mais incerto.

[o mandato concedido pela ONU aos EUA, Reino Unido e outros integrantes da ‘polícia do mundo’ - e por eles estendido à OTAN – não autoriza a invasão da Líbia.]

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