[defendemos que os gays e suas práticas. anormais e bizarras, devem ser tolerados - desde que as façam entre quatro paredes e sem afontar a FAMÍLIA e as PESSOAS de BEM.]
É preocupante a decisão da presidente Dilma Rousseff de cancelar a distribuição do kit anti-homofobia — sem discutir seu conteúdo —, uma cartilha elaborada por organizações não governamentais para ajudar a combater o preconceito contra homossexuais em escolas públicas. [a corja petista pretendia distribuir nas escolas, para crianças a partir de 11 anos, o nojento KIT GAY.]
Primeiro, porque o governo federal acabou por dar abrigo a um retrocesso na questão do combate ao sexismo, num momento em que se reproduzem, em diversos estados, manifestações de violência, física principalmente, motivadas pela intolerância sexual.
Segundo, porque, ao se dobrar a um grupo de pressão — no caso, a bancada evangélica no Congresso —, o Planalto deixou evidente que continua contaminado pelo clientelismo do toma lá dá cá da baixa política, marca dos governos do PT na relação com a base.
Dilma procurou justificar o veto com argumentos que disfarçam os reais motivos de sua decisão.
Também nesse aspecto o governo passou ao largo de uma discussão que poderia até ser enriquecedora — a qualidade do material a ela apresentado (de resto, fica a suspeita de que a presidente teria sido vítima de uma esperta pegadinha dos líderes evangélicos, ao examinar um kit que não corresponderia ao conteúdo dos cadernos a serem distribuídos). [ a imples idéia de distribuir qualquer material pornográfico em escolas pública, especialmente para crianças de 11 anos em diante, já merece ser repudiada, assim, não houve o menor risco da atual presidente ter sido vítima de pegadinha. O assunto, em qualquer ver~soa, deve ser combatido com rigor e veemencia.]
Mas, embora seja mais um elemento a mostrar a maneira rasteira como a questão foi decidida em Brasília, este chega a ser um dado menor em comparação com a carga de estragos que o episódio da suspensão da cartilha contém, pontual e estrategicamente.
De imediato, porque fez do governo refém do grupo parlamentar que agiu com total desenvoltura para emparedar a presidente. No caso, com o pior da barganha política, por meio de ameaças de aprovar a convocação, ao Congresso, do ministro Antonio Palocci, enredado em suspeitas de tráfico de influência que lhe teria permitido multiplicar o patrimônio em curto período de tempo.
Atingido o Planalto em seu flanco mais fragilizado, municiou-se o fisiologismo com as armas do emparedamento: nada indica que, atendida nesta primeira investida, se contentará com o butim político a bancada religiosa (outras tantas que venham a apresentar ao governo a fatura do apoio).
Como agravante, o episódio encerra uma condenável submissão do Estado, laico por definição, a interesses religiosos. [termos vergonha e cuidarmos de preservar nossas crianças é algo que prevalece sobre interesses religiosos, profanos e o que mais vier.]
No aspecto estratégico, a barganha tem reflexos ainda mais graves, porque compromete a participação do governo na luta, de ampla mobilização, contra o preconceito sexual.
E aqui se constata uma incoerência: quando o Supremo Tribunal Federal considerou legais as relações homoafetivas, com o econhecimento de direitos civis de casais homossexuais, Brasília esbanjou elogios à posição da Corte. [no primeiro momento, até mesmo pessoas sensatas, aprovaram o decidido pelo STF; quando a 'ficha caiu' é que muitos dos que aprovaram se sentiram na obrigação de rever a posição, haja vista o 'estupro' cometido pelo STF contra a Constituição Federal, especialmente o parágrafo terceiro do artigo 226.]
Ocorre que a distribuição de material de condenação ao sexismo e o voto do STF são partes que se juntam a outras iniciativas de um mesmo movimento — o combate à homofobia, do qual é imperioso que decorra a criminalização da odiosa prática.
A aceitação legal das relações homoafetivas foi apenas uma batalha vencida contra práticas homofóbicas.
Mas a ela é fundamental que se proceda, no Congresso, à inscrição, no corpo legal do país, da homofobia como crime (projeto de lei 122).
Como o Legislativo é um Poder no qual estão representadas todas as correntes de ideias, inclusive os evangélicos e outros segmentos que condenaram o kit, é de se temer que, uma vez submetida a plenário, a criminalização da discriminação sexual leve a debates movidos por interesses corporativos, em prejuízo da essência do problema. [não somos profissionais do jornalismo, mas sempre ouvimos dizer que um EDITORIAL apresenta a posição de um órgão de imprensa sobre determinado assunto; este EDITORIAL de O Globo deve ter sido escrito no mínimo pelo deputado Jean Willys.]

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