Obama volta a defender fronteiras pré-1967 e cobra de Israel processo de paz confiável
Mesmo diante da plateia de lobistas do Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (Aipac), o presidente americano, Barack Obama, reiterou neste domingo a proposta de um processo que parta das fronteiras pré-1967 para se chegar à solução de dois Estados - um israelense e um palestino.
Ainda que em um tom mais brando que no discurso de quinta-feira, ele voltou a alfinetar Israel e destacou a necessidade de que haja um esforço de paz mais firme para abrir caminho a um consenso no Oriente Médio.
A marcha para isolar Israel internacionalmente e o impulso dos palestinos em abandonar as negociações vão continuar a ganhar força na ausência de um processo de paz confiável - afirmou Obama, diante do mais influente grupo pró-Israel dos EUA. - Não podemos esperar mais uma, duas ou três décadas para alcançar a paz.
Obama disse esperar que os dois lados negociem um acordo que inclua a troca de terras, levando em conta as "novas realidades demográficas", sinalizando que Israel teria permissão para manter alguns assentamentos judaicos construídos em territórios ocupados.
- Por definição, isso significa que as próprias partes, israelenses e palestinos, vão negociar uma fronteira que é diferente daquela que existia em 4 de junho de 1967. Isso é o que mutuamente acordamos sobre o significado de troca de terras - disse o presidente americano, para quem os laços entre EUA e Israel são "inquebrantáveis".
Netayahu promete cooperar; Hamas criticaLogo após o discurso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, divulgou um comunicado vago, mas em que expressa apreço às palavras de Obama.
"Estou determinado a trabalhar em conjunto com o presidente Obama para encontrar formas de retomar as negociações de paz", diz a nota.
O Hamas, por sua vez, disse que o governo americano "falhou e continuará falhando" em seus esforços para convencer o grupo radical islâmico a "reconhecer a ocupação de Israel".
- Eles têm uma preferência clara por Israel. O governo americano falhou no passado e vai continuar falhando nas tentativas de fazer o Hamas reconhecer a ocupação israelense - afirmou, em Gaza, o porta-voz do grupo, Sami Abu Zuhri.
Fonte: O Globo

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