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terça-feira, 3 de maio de 2011

ONU questiona EUA sobre a morte de bin Laden

ONU pede aos Estados Unidos detalhes sobre morte de Bin Laden

A alta-comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu aos Estados Unidos nesta terça-feira mais detalhes sobre a morte de Osama bin Laden e afirmou que todas as ações contraterroristas devem respeitar as leis internacionais. Pillay disse que o líder da al-Qaeda era "um homem muito perigoso" que assumiu "responsabilidade pelos atos mais terríveis de terrorismo", entre eles o atentado de 11 de setembro nos EUA.


"Esta foi uma operação complexa e seria importante se soubéssemos os fatos precisos que cercam sua morte. As Nações Unidas têm continuamente enfatizado que todas as ações contraterroristas devem respeitar a legislação internacional", disse ela em um comunicado em resposta à Reuters. O promotor-geral dos EUA, Eric Holder, defendeu a operação que resultou na morte de Bin Laden. Segundo ele, a ação foi "legal, legítima e apropriada em todos os sentidos". - As pessoas que foram responsáveis pela ação, seja na tomada de decisões ou na realização das decisões, lidaram bem com a questão - afirmou ele durante reunião do comitê judiciário da Câmara dos Deputados


Analistas políticos divergem sobre ação americana que resultou na morte de Osama bin Laden

A operação que resultou na morte de Osama bin Laden por forças americanas pode ser considerada bem sucedida ou poderia ter tido outro fim, como a captura e posterior julgamento do líder terrorista? [defendemos o abate do terrorista por apresentar inúmeras vantagens, das quais destacamos: terrorista morto não pode ser anistiado.]


A ação militar que deve marcar a reviravolta política do presidente Barack Obama a um ano e meio das próximas eleições nos Estados Unidos gerou opiniões divergentes entre analistas políticos no Brasil. Especialmente devido às diferentes versões sobre o conflito: depois de informações de que o objetivo principal era mesmo matar e não prender Bin Laden, autoridades do Pentágono revelaram que houve troca de tiros e que o próprio símbolo máximo da al-Qaeda disparou contra os invasores e usou escudos humanos para não ser atingido .


Para o professor do curso de Relações Internacionais da ESPM Heni Ozi Cukier, a morte de Bin Laden se justifica por tudo que ele representa para o mundo atual e a sociedade americana em particular: - Numa guerra, um líder é considerado um alvo legítimo. Ele é a cabeça, e a sua morte representa a preservação de muitas vidas, porque assim você evitaria outras mortes. Além do mais, seria impossível capturá-lo sem que ele fosse morto, o próprio Bin Laden não aceitaria se entregar com vida - acredita Cukier.


O especialista alega, ainda, que a prisão do terrorista deixaria os Estados Unidos numa situação incômoda: como Bin Laden não era um líder político, como por exemplo, o ex-ditador iraquiano Saddan Hussein, seu eventual julgamento iria cumprir outros trâmites. - Se ele fosse capturado, o que os Estados Unidos fariam com ele, o levariam para Guantánamo? - questiona Cukier, citando a polêmica prisão para suspeitos de terrorismo mantida pelos Estados Unidos em Cuba.


Lançamento do corpo no mar gera críticas

Já o professor José Luis Niemeyer, da Ibmec, pensa diferente. Na sua opinião, a prisão de Bin Laden seria o desfecho mais apropriado para a operação americana: - Levá-lo a julgamento teria sido melhor. Essa ação pode desencadear mais conflitos. Os EUA deveriam se apresentar como uma nação que respeita o direito internacional. Eles falam em levar os preceitos da democracia e da civilização para outros países, então nesse caso deveriam ter deixado uma imagem melhor - acredita ele.


Niemeyer também criticou o lançamento do corpo do terrorista no mar e o fato de os EUA não terem divulgado nenhuma imagem que comprove a morte de Bin Laden. Os americanos alegaram que, ao jogá-lo no mar, estavam seguindo um preceito islâmico, de que os mortos devem ser enterrados em até 24 horas, mas clérigos muçulmanos condenaram a decisão, considerada uma afronta a valores religiosos e humanos. - Historicamente, sempre foi feito assim, em qualquer ação contra líderes desse porte. Se ele fosse preso, deveria ser apresentado, e se fosse morto, deveriam mostrar o corpo. Isso ainda vai dar muito pano para a manga - completou Niemeyer.


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