A operação de Bin Laden é uma perfeita apologia à guerra contra o terror. Ela só foi possível graças à vasta infraestrutura de guerra que a administração Bush criou depois do 11 de Setembro, com um regime feroz de captura e interrogatório, bombas jogadas e ataques de forças especiais. Esse regime, claro, seguiu a uma guerra mais convencional que derrubou o Talibã, dispersou e dizimou a Al Qaeda e tornou Bin Laden um fugitivo. Sem tudo isso, a operação de Bin Laden nunca teria ocorrido.
Em artigo na revista Foreign Policy (que por sinal pertence ao Washington Post), Matthew Alexander, interrogador cuja equipe descobriu o paradeiro do líder da Al Qaeda no Iraque, Abu Musab al-Zarqawi, morto em 2006 em um ataque americano, discorda da visão de Krauthammer e dos ex-funcionários de Bush. Segundo ele, presos submetidos ao chamado “afogamento” afirmaram que Bin Laden tinha mesmo um mensageiro, mas essa informação era óbvia e foi obtida também por sua equipe, no Iraque, sem tortura. Segundo Alexander, a CIA descobriu o sobrenome do mensageiro no Paquistão e a Agência Nacional de Segurança descobriu seu nome completo, também sem adotar essas práticas.
Alexander, então, diz que a tortura não é eficaz, pois os detentos dão qualquer informação para interromper a dor e informações falsas para ganhar tempo. Isso sem contar que o uso de tortura expõe militares e civis americanos a práticas semelhantes quando capturas. O ex-interrogador conclui seu texto com um chamado patriótico e afirma que nada disso importa muito, pois a questão que deve realmente ser feita é se usar tortura é algo ético.
Deveríamos estar falando sobre a moralidade da tortura e não sobre sua eficácia. Quando a infantaria americana sofre em uma dura batalha, eles não usam armas químicas mesmo que elas sejam extremamente efetivas. A razão para isso é que tais armas são ilegais e imorais. Durante a Guerra Revolucionária, um alto general afirmou que a tortura era inconsistente com as crenças fundamentais dos fundadores da nação. “Se algum soldado americano for tão baixo e infame… eu ordeno seriamente que vocês o submetam a uma punição tão severa e exemplar quanto a enormidade do crime requere”, ele escreveu a suas tropas da Força Expedicionária do Norte. O general em questão era George Washington. Há uma razão por nos empenharmos em acreditar na “liberdade e justiça para todos” e não na “liberdade e segurança para todos”: é porque consideramos nossos valores e princípios mais importantes que nossa segurança. Quando paramos de fazer isso, perdemos o direito de sermos chamados americanos.
Fonte: O Filtro

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