Desemprego nos EUA pode reverter 'efeito Bin Laden'
Dezoito meses antes dessa eleição, George H. Bush era favorito para o segundo mandato. Ele acabara de vencer a Guerra do Golfo e seu índice de aprovação estava na estratosfera. Parecia que a segurança nacional dominaria a eleição. Mas os eleitores se importaram com a recessão, e despacharam Bush.
O caso de 1992 inspira cautela. É loucura pensar que Obama pode se reeleger só pelo crédito de ser um comandante-chefe corajoso. Bin Laden pode não significar nada nas urnas.
O presidente colheu alguns benefícios políticos, com certeza. Tomou uma decisão difícil sobre Bin Laden - fazendo a opção de maior risco e maior recompensa - e ela vingou. Americanos de todo o espectro ideológico se confraternizaram.
Adultos jovens conseguiram expressar algum alívio existencial. Além, disso, Obama dificultou para os republicanos o rotularem de "fraco".
Nenhum de seus 12 rivais em potencial do presidente tem uma experiência sólida em política externa, e Obama recebeu uma reação previsível nas sondagens de opinião, com uma alta na aprovação a seu trabalho, mas nada pode apagar um momento de boas sensações mais rápido do que más notícias.
O que acabou com Bush pai foi a percepção de que ele não dava suficiente atenção às aflições econômicas dos cidadãos.
Ficamos contentes por Bin Laden estar dormindo com os peixes, mas os eleitores não se contentarão com triunfalismo daqui a 18 meses se as pessoas continuarem sem trabalho, as hipotecas das casas ainda estiverem sendo executadas, e a insatisfação persistir na bomba de gasolina.
Não estou sugerindo que 2012 será uma reprise de 1992 - para começar, Obama é bem mais engajado domesticamente que Bush - mas para a disputa ser acirrada bastarão alguns relatórios ruins sobre o emprego.
Por: Dick Polman é jornalista do' Philadelphia Enquirer' - Tradução de Celso Paciornik

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