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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ritmo lento (e às vezes inexistente) das obras para a Copa do Mundo pode comprometer sucesso da competição

Um pontapé inicial tardio

A Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, deve dar aos anfitriões uma oportunidade de mostrar o que são capazes de fazer dentro e fora do campo. Seus jogadores são os responsáveis pelo “jogo bonito” ao redor do planeta, e atualmente, sua economia também é bela de se assistir. Mas tudo indica que fora dos gramados o país não vai tão bem assim.

As 12 cidades que receberão jogos da Copa têm entre elas nove reformas nos aeroportos que estão bastante atrasadas. São Paulo nem ao menos começou a construir o novo estádio que deve receber a partida de abertura. No Rio de Janeiro, o tradicional estádio do Maracanã, palco da grande final, é uma obra que consome rios de dinheiro. O contrato para o estádio de Natal foi assinado somente no dia 15 de abril – mais de três anos após a escolha do Brasil como país-sede.

Viagens aéreas são essenciais para levar os torcedores de um jogo a outro, mas a maior parte dos aeroportos brasileiros já opera acima da capacidade normal. O controle de bagagens e check-ins é lento; atrasos e cancelamentos são absolutamente comuns. No dia 14 de abril, o IPEA, uma usina de idéias ligada ao governo, afirmou que mesmo que todas as reformas nos aeroportos estivessem prontas até o início da Copa (o que, segundo o IPEA, não acontecerá), o crescimento desenfreado na demanda local superlotaria os aeroportos – mesmo sem 1 milhão de torcedores viajando.

O número de vôos internos teve um aumento de 83 milhões entre 2003 e 2010 e terá um crescimento quase igual até 2014, diz o estudo. [o estudo do IPEA embora apresente fatos, deve ser visto com alguma ressalva devido a falta de independência daquela ‘usina de idéias’. Uma coisa é certa: o estudo está sendo muito bem utilizado pelos que querem realizar as obras sem seguir os procedimentos licitatórios e sabemos que no Brasil seguindo todos os trâmites estabelecidos na Lei das Licitações ainda ocorre corrupção... imaginem ... sem seguir !!!.]

Os alertas do IPEA não foram bem recebidos pelo governo [será que não foram??? Afinal servem de base para suportar uma série de medidas urgentes = facilitam a corrupção.] . Gilberto Carvalho, o secretário-geral da presidência, disse que eles haviam sido “coletados de clippings jornalísticos” e que os brasileiros, que sofrem de um complexo de inferioridade, estavam “apostando na desgraça”. Mas há muito tempo já é bastante óbvio que os aeroportos precisam de mudanças radicais.

A Infraero, a precária e inerte estatal que opera os aeroportos, é tão ineficaz que por anos foi incapaz de usar nem ao menos metade de seu orçamento em melhorias nos aeroportos. No dia 26 de abril veio a tão aguardada notícia de que o governo buscaria ajuda junto ao setor privado. Antônio Palocci, chefe da Casa Civil, declarou que concessões estavam sendo consideradas para cinco aeroportos: primeiramente o aeroporto de Brasília e dois de São Paulo, e, posteriormente, um em Belo Horizonte e um no Rio de Janeiro.

Mas ele não deu detalhes dos termos nos quais os consórcios privados irão operar, ou sobre o grau de relação que haverá com a Infraero por parte dos consórcios. Apenas três dos cinco aeroportos mencionados estão na lista crítica da IPEA.

O investimento do setor privado é bem vindo, diz Paulo Resende, um especialista de infraestrutura da Fundação Dom Cabral. Mas mais importante que isso é o realismo quanto ao que pode ser feito até 2014. Novos terminais, corredores viários, e até mesmo novos aeroportos são necessário para satisfazer a demanda doméstica, diz ele. “Mas se insistirmos em repetir que tudo estará pronto quando a Copa do Mundo chegar, não importa o que aconteça, corremos um sério risco de passar vergonha”, diz ele.

Resende acredita que o torneio precisará de soluções rápidas, como mesas de check-in temporárias, e áreas de espera nos estacionamentos, além de aviões menores nos ares. De acordo com Respício Espírito Santo, um consultor de aviação, linhas aéreas provavelmente reservarão assentos nos vôos para torcedores estrangeiros, suprimindo a demanda doméstica com enormes aumentos nas tarifas. Ambos se preocupam que o plano do governo de acelerar as obras tornando as leis de construção e gestão pública mais flexíveis levarão a um aumento astronômico dos custos, como aconteceu com os Jogos Pan Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.

O Brasil pode ainda estar pronto para o pontapé inicial, embora, talvez com menos estádios do que se imaginava originalmente. Mas parece disposto a pagar um preço exorbitante para sediar um torneio bem sucedido.

Fonte: Opinião & Notícia

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