Líder islâmico do Egito condena lançamento do corpo de Bin Laden no mar
O chefe do prestigiado centro sunita egípcio al-Azhar, o imã Dr. Ahmed El-Tayeb, condenou nesta segunda-feira as tropas americanas por jogarem o corpo de Osama bin Laden no mar, classificando a medida como uma afronta aos valores humanos e também religiosos. A tradição islâmica diz que os corpos de muçulmanos devem ser sepultados em covas permanentes em terra e o enterro no mar só é permitido quando o corpo do morto está em uma embarcação e não poderá ser conservado até a chegada ao continente. - O grande imã, Dr Ahmed El-Tayeb, xeque de al-Azhar condenou a atitude dos EUA de jogar no mar o corpo de Osama bin Laden. Esse procedimento é proibido no Islã por deformar o cadáver, independente da crença dos soldados - disse o imã, líder respeitado mundo afora por muçulmanos sunitas, em comunicado liberado nesta segunda-feira.De acordo com autoridades americanas, o terrorista mais procurado do mundo foi lançado no mar a partir de uma plataforma de um porta-aviões americano no Mar Arábico. Bin Laden teria sido lavado, conforme a tradição islâmica manda, e teve um funeral religioso. - O corpo foi lavado, colocado em um lençol branco e depois em um saco com peso. Um oficial militar leu comentários religiosos que foram traduzidos para o árabe por um nativo da língua. Depois que as palavras foram pronunciadas, o corpo foi jogado no mar - explicou uma autoridade de Defesa dos EUA.
Os preparativos do enterro teriam começado à 1h10m (2h10m, no horário de Brasília) e encerrado às 2h (3h). O imã egípcio não foi o único a condenar a prática dos EUA que ainda não explicou como a morte do terrorista aconteceu. Um respeitado advogado egípcio também rechaçou o enterro marítimo, dizendo que in Laden deveria ter sido enterrado em sua terra natal, a Arábia Saudita, país aliado ao governo americano. - Não basta tirar a vida Osama bin Laden? A Arábia Saudita tem a obrigação moral de exigir que o corpo de bin Laden seja enterrado em seu território - disse Montasser al-Zayat à rede de televisão árabe al-Jazeera.
Os Estados Unidos teriam enterrado o líder da al-Qaeda no mar para evitar que seu mausoléu se transformasse em ponto de peregrinação de muçulmanos extremistas.
Fonte: O Globo

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