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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Vice-presidente de Israel propõe desobedecer a ONU e invadir toda a Cisjordânia

Vice-presidente do parlamento de Israel defende a anexação da Cisjordânia

Há quem ache que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é um líder radical. Quem faz esse tipo de alegação justifica a opinião afirmando que ele tem posições muito rígidas e não abre a possibilidade de fazer concessões aos palestinos. Bem, é preciso reconhecer que a liderança de Israel poderia estar nas mãos de líderes bem mais radicais, como é o caso de Danny Danon, vice-presidente do parlamento israelense. Em artigo publicado no The New York Times nesta quinta-feira, Danon defende que, se a comunidade internacional reconhecer o Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, Israel invada a Cisjordânia e anexe a região a seu território.


“Um voto das Nações Unidas para tornar a palestina um Estado daria a Israel a oportunidade de retificar um erro feito em 1967 quando o país falhou em não anexar toda a Cisjordânia (como fizemos com a parte oriental de Jerusalém). Nós poderíamos entender a jurisdição de Israel às comunidades judias e áreas desabitadas da Cisjordânia. Isso colocaria um fim no limbo legal que existe há 44 anos. Somado à óbvia significância ideológica e simbólica, legalizar nosso domínio na Cisjordânia iria aumentar a segurança de todos os israelenses por tirar do terroristas uma base e por criar uma zona tampão contra ameaças do leste. Além disso, estaríamos no nosso direito ao declarar, como fizemos em Gaza em 2005, que não somos mais responsáveis pelos residentes palestinos na Cisjordânia, que continuariam a viver em suas próprias – não anexadas – cidades.”


O comportamento de Danon lembra um conceito da ciência política chamado Janela de Overton. Segundo esse conceito, há diversas ideias no espectro político e, entre essas idéias, algumas formam um grupo de pensamentos aceitáveis. Esse grupo é a Janela de Overton. Para que essa ideia seja deslocada, é preciso que, de um lado ou outro do espectro político, o discurso seja radicalizado. Assim, idéias antes tidas como radicais ficariam mais palatáveis para o grande público.


Diante da possibilidade de as Nações Unidas reconhecerem os territórios palestinos, um ato que pode mudar muito as coisas para Israel, a classe política israelense está diante de um momento crucial. Neste período, idéias radicais como as de Danon devem surgir, até que um consenso, que não envolva criar guetos palestinos em território israelense, seja obtido. [a ONU que é tão rápida em interferir em conflitos no Oriente Médio, tem o dever de após reconhecer os territórios palestinos, darem a necessária proteção aos palestinos naqueles territórios para que não sejam massacrados pelo estado de Israel.]


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