[Gilberto Carvalho diz que o passado não interessa: o cara só não pode cometer crimes após se tornar ministro]
Planalto blinda Palocci, mas petistas pedem que ministro comprove renda
Governo tenta evitar que revelação sobre aumento do patrimônio do chefe da Casa Civil em 20 vezes se transforme em crise;
Gilberto Carvalho diz que ‘não cabe fazer investigação sobre o passado’, enquanto vozes isoladas do PT querem mais transparência
O Palácio do Planalto montou uma operação para blindar o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, acusado de multiplicar o próprio patrimônio por 20 num período de quatro anos. A estratégia contou com uma espécie de "nada consta" pronunciado pela Comissão de Ética Pública da Presidência e enfáticas declarações de apoio palacianas, apesar de algumas vozes isoladas dentro do próprio PT terem defendido que Palocci torne pública a declaração de Imposto de Renda para dissipar as dúvidas sobre seu patrimônio. [é quase impossível acreditar que algum petista pediu explicação, mas deveriam ser identificados, para se tiverem o mesmo fim do Celso Daniel, o Brasil saber.]
Em reunião com a coordenação do governo, na manhã desta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff disse que a denúncia faz parte de um jogo político para desestabilizar o início de sua gestão e pode ter desdobramentos no Congresso. Na sua avaliação, porém, a acusação não se sustenta. [presidente Dilma não é boato, é fato e independe de ter ou não sustentação política – se sustenta por si só.
O FATO É: Palocci de 2007 a 2010, portanto, em quatro anos, ganhou menos de HUM MILHÃO DE REAIS, o que significa menos de R$250.000 anuais, portanto, menos de R$21.000,00, mensais.
Como explicar que ganhando menos de um milhão de reais o Palocci tenha no mesmo período comprado imóveis que ultrapassam os SETE MILHÕES DE REAIS?
O Zé Dirceu com honorários de palestras milionárias tem lavado um bom dinheiro. O Lula estava indo pelo mesmo caminho proferindo palestras acima dos DUZENTOS MIL REAIS; mas como Lula não consegue proferir nada que exija juntar mais de dez palavras, ele começou a vomitar e logo as palestras vão escassear e vai ficar difícil ao ex-Nosso ‘guia’ usar a mesma técnica do Zé para lavar a grana.
Fechando o caixão: se o Palocci como ‘consultor’ – tudo indica de apenas duas empresas – faturou mais de DUZENTOS MIL POR MÊS, pergunto: por que ele deixou fonte tão farta e se contenta em ganhar menos de R$30.000, mensais, sendo ministro. A resposta só pode ser uma: sendo ministro ele prepara o terreno para colheita tão farta.]
"Isso é guerra política, mas não tem como prosperar", afirmou Dilma, segundo relatos de dois ministros presentes à reunião, que contou com a presença do próprio Palocci. De qualquer forma, enquanto a oposição e até mesmo alguns petistas cobravam explicações públicas do chefe da Casa Civil, o governo formou um cordão de proteção em torno do braço direito de Dilma.
Nas fileiras do PT, no entanto, não houve defesa incondicional de Palocci. Os senadores Walter Pinheiro (BA) e Eduardo Suplicy (SP) disseram esperar que o ministro dê mais detalhes sobre sua atuação empresarial, que teria lhe garantido os rendimentos para adquirir em 2010, num bairro nobre de São Paulo, um apartamento no valor de R$ 6,6 milhões. Um ano antes, ele já havia adquirido um escritório na cidade por R$ 882 mil. Os imóveis, segundo revelou o jornal Folha de S. Paulo, foram comprados pela empresa de consultoria Projeto, da qual o ministro tinha 99,9% do capital. Em 2006, quando concorreu a deputado federal, Palocci declarou patrimônio de R$ 375 mil. "Se ele tem os documentos, o material que diz ter, então deve divulgar e acabar logo com isso" observou Pinheiro. "A gente é que tem de se antecipar e mostrar tudo, até porque esse terreno é propício a ilação. Não vejo crime em se divulgar essas informações", acrescentou.
Na mesma linha, Suplicy afirmou que, pela atuação de Palocci na campanha de Dilma, "será melhor se a explicação vier mais completa".
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que o partido confia no ministro e que todos os esclarecimentos já foram prestados. "Nada mais há a dizer sobre esse tema, que está suficientemente esclarecido."
No Planalto, o presidente da Comissão de Ética, José Paulo Sepúlveda Pertence, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, fizeram a defesa mais enfática em favor do ministro.
Sepúlveda Pertence disse que Palocci o procurou, em dezembro, para saber se não haveria conflito de interesse em assumir a Casa Civil sendo proprietário da consultoria Projeto. Foi o próprio presidente da Comissão de Ética que o orientou a mudar o contrato da empresa, reduzindo-a a uma administradora de imóveis. Palocci, então, contratou um banco para administrar seu patrimônio.
"Ele nos perguntou se a fórmula nova da empresa era adequada e nós entendemos que sim", argumentou Pertence.
O assunto ocupou nesta segunda a primeira parte da reunião de três horas e meia da Comissão de Ética da Presidência. De acordo com Pertence, porém, nada há a investigar. "Não nos cabe indagar a história da fortuna dos pobres e dos ricos que se tornaram ministro", insistiu ele. [pela posição que adota, sempre de omissão que pode vir a ser ‘conivência criminosa’, essa comissão de ética da presidência é tão importante e necessária ao Brasil quanto a Bolívia ter uma Marinha de Guerra.].
Para Gilberto Carvalho, não há problema com o chefe da Casa Civil, definido por ele como "peça fundamental". "Do ponto de vista do governo não há reparo a fazer. Agora, ele tem vida pessoal. Antes, era deputado federal, desenvolvia outras funções e não cabe a nós discutir isso", comentou Carvalho. "A presidente Dilma convidou Palocci para ser seu ministro e o que interessa é o comportamento dele nesse período, se ele vai ou não auferir bens de maneira legítima dentro do governo. É isso que interessa. Não cabe ao governo fazer investigação sobre o passado, salvo, naturalmente, a postura ética que cada um dos ministros teve ao longo de sua vida." [dois lembretes para o ministro Carvalho:
- salvo engano, o senhor é ex-seminarista, assim não chegou a ser ordenado padre e não tem o poder de perdoar – em nome de DEUS que é quem perdoa os pecadores – ninguém. Assim, sua absolvição do Palocci, sem nem ouvi-lo não tem valor nenhum;
- sobre Palocci ser fundamental, lembro ao senhor que em Brasília mesmo, no final da Av. W/3-Sul, tem um local ocupado por pessoas que se julgavam/eram julgadas, fundamentais e insubstituíveis; foram para lá e não fizeram falta.
Quem não deve não teme; se o Palocci conseguiu ser esse fenômeno de capacidade de enriquecer (só o fenomenal filho do Lula, o Lulinha, consegue superá-lo) não custa nada apresentar provas. Será a oportunidade de mostrar que realmente é um homem honesto e ainda pode servir de lição para que outros brasileiros consigam idêntica proeza.]
No final do dia, a avaliação no Planalto é de que o assunto "está encerrado" e só será "requentado" se a oposição convocar Palocci a depor.
[a avaliação do Planalto tem muitos pontos que poderão torná-la um equívoco. Apesar da pouca confiabilidade da Oposição – o Serra foi um dos primeiros a evitar trombar com o Palocci e o defendeu – estão prometendo atacar em várias frentes. A alternativa via convocação por comissões do Congresso poderá ser boicotada pelo governo, mas outras que podem prosperar mesmo contra a vontade da Dilma.
Vejamos:
- DEM, PSDB e PPS pretendem convocar Palocci para se explicar na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e na Comissão de Finanças e Tributação;
- o PPS vai solicitar a Procuradoria-Geral da República a abertura de inquérito para investigar o enriquecimento do Palocci;
- o PSDB vai solicitar informações ao COAF para saber da ocorrência de movimentações financeiras atípicas nas contas do Palocci e da Projeto.]
Os líderes dos partidos cobram explicações. "O ministro precisa justificar sua evolução patrimonial. Muitos petistas tiveram enriquecimento evidente, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente Lula dando palestras milionárias. O governo não pode ser ponte para negócios", disse ACM Neto.]
"É importante que o ministro Palocci tenha a oportunidade de se explicar na Câmara. Pelo cargo que ocupa, é crucial que qualquer suspeita contra ele seja esclarecida o quanto antes", fez coro o líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP).
"Se, como diz o ministro, o aumento de seu patrimônio é legal, ele poderia revelar para quem sua consultoria prestou serviços e quanto recebeu de cada cliente ao longo dos últimos quatro anos. Isso acabaria com qualquer dúvida sobre o caso", afirma o líder do PPS, deputado federal Rubens Bueno. Essa é a maneira, segundo o líder, de mostrar que a consultoria do ministro não atuava como intermediária de lobbies em negócios envolvendo a iniciativa privada e o governo federal.
Fonte: O Estado de São Paulo

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