Para Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), é "lamentável" que parte dos senadores pretenda mudar o projeto de lei. "A Abraji espera que o bom senso volte a vigorar entre a maioria dos senadores e no Palácio do Planalto e que o projeto seja aprovado tal qual veio da Câmara: com um tempo máximo de sigilo de 50 anos, prazo já por demais elástico para qualquer tipo de documento público ficar guardado", diz nota da entidade.
Não consigo 'sentir firmaza' neste trio - As ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civi) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) com a presidente Dilma Rousseff em foto de Gustavo Miranda
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) concorda. O diretor-executivo, Ricardo Pedreira, considera importante a aprovação de lei disciplinando o acesso à informação. E tem esperança de que a versão aprovada pela Câmara seja vencedora: - Achamos importante que o Brasil tenha uma lei para regulamentar o direito de acesso à informação pública. A gente considera que o texto da forma como foi aprovada na Câmara muito positivo, porque garante ao cidadão o acesso a informações públicas - declarou, lembrando que a própria Dilma enviou a proposta ao Congresso Nacional, quando era ministra-chefe da Casa Civil.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) ostenta a mesma opinião. Em nota divulgada nesta terça-feira, o presidente da entidade, Celso Schröder, considera o sigilo indeterminado, na prática, o mesmo que "negar à sociedade o direito à informação pública".
O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy, também defende que os documentos do governo tenham um prazo definido para serem mantidos em sigilo. "O sigilo não condiz com o melhor conceito de Estado de Direito e com uma sociedade democrática. O cidadão brasileiro deve ter o direito de conhecer a história do seu país, pois está previsto na nossa Constituição que o poder público tem a obrigação de dar publicidade a seus atos", afirma em nota.
O presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Nelson Calandra, tem opinião semelhante. - Com a passagem do tempo, tudo aquilo que era indevassável acaba de se tornando público. É bom manter em sigilo por um certo tempo, por questões estratégicas. Manter segredos eternamente me parece inadequado - afirmou Calandra.
Na Câmara, o projeto foi aprovado com a previsão de 50 anos, no máximo, para o sigilo de papéis oficiais. No Senado, há a intenção de retirar essa ressalva. A mudança de atitude do Palácio do Planalto teria sido gerada pela pressão dos senadores e ex-presidentes da República Fernando Collor (PTB-AL) e José Sarney (PMDB-AP).
Fonte: O Globo


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