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sábado, 18 de junho de 2011

Bombeiros do Rio. Negociações serão reabertas na segunda

Comandante dos bombeiros abre negociação na segunda-feira
Desafio é esfriar com números os ânimos da corporação, que voltou às ruas na última quinta-feira

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros e secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, marcou para segunda-feira a primeira reunião com os 15 porta-vozes do movimento. É um claro movimento de conciliação, que atende à reivindicação de que o governo dialogue com todas as lideranças. O objetivo do coronel é apresentar os números do estado, para mostrar o que é ou não possível ser feito. Até agora, os bombeiros mantêm uma postura pouco flexível em relação ao piso salarial desejado de dois mil reais líquidos. Simões passou a semana estudando as informações passadas pelo governo para, afiado com os números, convencer os 15 principais homens do movimento.

Coronel Sérgio Simões assumiu o papel de interlocutor entre governo do estado e os bombeiros do Rio (Carlos Ivan/Agencia O Globo )

Simões aproveitará para dar um recado: “Vou dizer que é o momento de voltar os olhos para dentro de casa. E, na contrapartida das soluções que apresentarei, pedirei que parem com a exposição da corporação. Nossa instituição se fez reconhecida pela excelência de trabalho. Ela tem que voltar a ser vista pelo seu valor profissional”, disse, em entrevista ao site de VEJA, referindo-se à retomada das escadarias da Assembleia Legislativa do Rio, na última quinta-feira.

A expectativa do comandante é a reconciliação. Para isso, uma das contas já feitas poderá ser útil. De acordo com ele, a proposta do governo de utilizar 30% do Fundo Especial do Corpo de Bombeiros (Funesbom) – a taxa de incêndio paga pelos contribuintes fluminenses – para dar gratificações será uma melhora significativa. “Com essa medida, 94% da corporação receberá valor acima do que eles reivindicam. A gratificação colocará os 1400 soldados (a patente mais baixa) acima ou próximo ao patamar de dois mil reais. Apenas um número pequeno, de cerca de 500 soldados, ficará abaixo desse valor, o restante ultrapassará”, argumenta Simões.

O coronel, que assumiu o cargo de comandante-geral da corporação com o intuito de abrir o canal de diálogo, vai enfatizar na reunião o prestígio que conquistou nesse período tumultuado. O governador Sérgio Cabral criou a secretaria de Defesa Civil para fazer frente à crise instalada com a invasão do QG e a prisão dos manifestantes. “O governador tem me credenciado e me prestigiado”, diz, acenando com a possibilidade de continuar a negociar melhores salários.

O Estado do Rio gastou 20,7 bilhões com pessoal, incluindo ativos e inativos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Desse valor, 3,28 bilhões foram gastos com pessoal e encargos sociais das equipes de segurança (policiais civil e militar, bombeiros e agentes penitenciários). Apenas se tratando de Corpo de Bombeiros, o valor foi de 711.704.471,30 no último ano. O reajuste de 5,58%, que equivale à antecipação para julho do que seria escalonado até dezembro, custará 323 milhões de reais aos cofres do estado, e é o que o governo considera possível oferecer no momento como reajuste. A taxa de incêndio seria usada para pagar gratificações e atender à reivindicação de vale-transporte.

Há outros dados importantes para Simões argumentar com os bombeiros. Atualmente, um soldado sem dependentes recebe 1198,24 reais e, com dependentes, 1416,89. Mas, dos 1400 soldados servindo hoje na corporação, apenas o pequeno número de 280 recebe o piso, segundo dados da secretaria estadual de Planejamento e Gestão.

Nos quatro primeiros anos do governo de Sérgio Cabral (PMDB), iniciado em 2007, foi dado um total de 30% de aumento às categorias ligadas à segurança pública contra a inflação de 22%. O investimento em segurança foi especialmente alto por ser a principal bandeira do governador no seu primeiro mandato e início de segundo. Há cinco anos, antes da gestão do peemedebista, o bombeiro recém-ingressado na corporação, sem dependentes, ganhava 874,53 reais.

Em junho do ano passado foi enviado a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) o projeto de lei que criava um programa de recuperação de remuneração pra bombeiro, policial civil e militar e agente penitenciário. O aumento salarial começou a ser dado de forma escalonada desde janeiro de 2011 com previsão até dezembro de 2014. Ao final do programa, o reajuste será, em relação a 2010, de 55% para todas as categorias da segurança pública. Em comparação com 2007, o valor do salário recebido dobrará. Ou seja, um bombeiro iniciante, sem dependentes, ganhará 1.756,67 reais e, com dependentes, 2.077,23 reais. O desafio do comandante é conseguir esfriar os ânimos da tropa com esses números.

Fonte: Veja.com

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