Bombeiros, PMs, policiais civis e agentes penitenciários têm aumento antecipado em 6 meses
Apesar das medidas adotadas pelo governo, o cabo Laércio Soares, um dos representantes do movimento dos bombeiros, disse na tarde desta quinta-feira que a categoria não vai recuar das escadarias da Alerj nem das manifestações.
- O movimento não foi comunicado pelo governo dessa decisão. No entanto, antes de discutir proposta salarial, queremos a libertação dos bombeiros presos assim como que as punições e sanções sejam canceladas. Essa é a prioridade no momento - disse Soares, acrescentando que o movimento ainda não vai se pronunciar sobre a proposta do governo.
Bombeiros presos no quartel de Charitas preparam material para a manifestação que será realizada no domingo, em Copacabana Foto: Pablo Jacob / O Globo
Os bombeiros que estão em frente à Alerj também dizem que o único ponto de sua pauta de negociações é a anistia dos colegas presos. O cabo Fabiano Silva, apontado como um dos representantes dos manifestantes, diz que os bombeiros não estão sendo orientados por nenhuma associação ou grupo político. - Enquanto não houver anistia, não tem outro tipo de negociação. Nem salarial - disse Silva.
Pelo quinto dia consecutivo, bombeiros seguem acampados na Alerj pedindo a liberdade dos mais de 400 militares presos no quartel de Charitas, em Niterói. O grupo de manifestantes tem aumentado a cada dia. Na manhã desta quinta-feira, cerca de 80 bombeiros ocupam as escadarias da Alerj, enquanto na quarta eram 50. O número deve aumentar durante a tarde, quando mais militares e representantes de outras categorias deverão se juntar ao protesto. Também pela manhã, mais barracas e colchonetes foram instalados nas laterais da escadaria da Alerj. A cozinha improvisada também cresceu.
Na noite da quarta-feira, o relaxamento da prisão dos bombeiros que foram detidos no último sábado, após a invasão do Quartel-General da corporação, foi negado pela juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar do Rio. O pedido havia sido feito pela Defensoria Pública do Estado. De acordo com a juíza, não há qualquer nulidade no auto de prisão em flagrante.
Aos poucos o movimentos dos bombeiros vem ganhando mais apoio da sociedade. Jogadores de futebol e até atores famosos estão solidários aos militares, que pedem reajuste salarial, além da libertação dos presos. Até a carreata do Vasco da Gama, que comemorou pelo Centro do Rio a vitória na Copa Brasil, passou em frente à Assembleia Legislativa do Rio e deu o apoio aos bombeiros. Usando o carro de som, eles gritaram pedindo a libertação dos militares presos.
Na quarta-feira, a Polícia Militar aderiu ao movimento e representantes de entidades de classe da segurança pública do Rio se reuniram com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, e apresentaram, além da unificação da pauta de reivindicações das duas corporações, a proposta de elevar o piso salarial para R$ 2.900. A quantia é R$ 900 acima do reivindicado anteriormente pelos bombeiros. Antes mesmo de a adesão dos PMs ser oficializada, mais de cem policiais participaram de uma carreata com bombeiros em Cabo Frio.
Durante entrevista coletiva realizada na manhã desta quinta-feira, os porta-vozes do movimento dos bombeiros disseram, no entanto, que nenhuma entidade de classe está apta a negociar com eles. De acordo com o capitão Lauro Botto, que é lotado em Resende, a proposta do salário de R$ 2.900 da Frente Unificada das Entidades de Classe e Segurança Pública não partiu da tropa que iniciou o movimento. Ele garante que, até o momento, ainda está sendo mantida a proposta de salário líquido de R$ 2 mil e benefício de vale-transportes. Botto diz, no entanto, que o apoio das entidades é bem-vindo.
Deputados constatam irregularidades em prisões
Já parlamentares da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados visitaram bombeiros presos no hospital da corporação e nos quartéis onde eles estão nesta quinta-feira.
Representantes da comissão afirmam ter constatado irregularidades nas prisões. O grupo conta com o presidente da Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado, Mendonça Prado (DEM-SE), com os membros da comissão Alessandro Molon (PT-SP) e Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), e o deputado Doutor Aluizio (PV-RJ). Os parlamentares pretendem levar ainda hoje um relatório com os problemas para a Justiça Militar, na tentativa de revogar as prisões. - A Comissão de Segurança veio ao Rio de Janeiro porque esse problema está com potencial de gerar sérios problemas em outros estados do país. Pode ocorrer um efeito cascata - explicou o deputado Alessandro Molon.
Segundo os deputados, não foram realizados exames de corpo de delito nos 12 presos no Hospital dos Bombeiros. No caso dos seis detidos no Grupamento Especial Prisional (GEP), faltava documentação, como o Guia de Recolhimento de Preso, a cópia do Auto de Prisão Flagrante e a Nota de Culpa. Outro problema encontrado foi a prisão de oficiais em celas comuns e sem ventilação. - Isso significa que esses presos estão aqui de forma ilegal - resumiu o deputado Protógenes Queiroz.
Os militares visitaram também o Quartel do Méier, onde foi presa a tenente enfermeira Lucrécia Belo Fonseca. A oficial também era mantida em uma cela trancada por um cadeado, e sem ventilação. No banheiro que a detenta utilizava, a descarga não estava funcionando.
Do lado de fora dos quartéis, protestos
Do lado de fora da unidade, cerca de 50 estudantes do Colégio Estadual Central do Brasil participam de uma manifestação. Eles erguem faixas no meio da rua quando os sinais de trânsito estão fechados, e amarram fitas vermelhas nos carros e ônibus, se os motoristas dão a autorização. De acordo com os estudantes, parte das aulas foi suspensa por causa da greve dos professores.
Em entrevista à Rádio CBN, o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, Wanderlei Ribeiro, reafirmou a posição da categoria de exigir a soltura dos 439 bombeiros presos antes de discutir uma nova proposta salarial. O representante dos militares pediu ainda uma audiência com o governador Sérgio Cabral para tentar resolver o impasse financeiro.
Deputado investiga se policiais que se recusaram a invadir quartel estariam presos
O deputado estadual Paulo Ramos (PDT) disse que recebeu informações de fontes de dentro do Quartel General da Polícia Militar de que os policiais do Batalhão de Operações (Bope) e do Batalhão de Choque que se recusaram a invadir o Quartel Central dos bombeiros estariam presos. Ele acrescentou que recebeu informações de que está havendo um constrangimento dos comandantes do Choque e do Bope com a tropa, que não gostou de cumprir a missão de entrar no quartel e prender os bombeiros.
Paulo Ramos disse ainda que soube que um policial do Bope estaria internado com uma crise nervosa porque foi obrigado a entrar no quartel e combater outros militares. O deputado disse que está checando as informações para ver se são verídicas. Mas o comandante do Bope, tenente-coronel René Alonso, negou, na manhã desta quinta-feira, a informação de que um policial do Bope estaria internado com crise nervosa. De acordo com Alonso, há um policial em recuperação no hospital porque machucou o nariz na ação. O comandante do Bope, tenente-coronel René Alonso, no entanto, informou que não há policiais de seu batalhão presos por terem se negado a participar da intervenção ao quartel central do Corpo de Bombeiros na manhã de sábado.
Delegados da Polícia Civil do Rio foram orientados, na manhã desta quinta-feira, a punir policiais civis que forem flagrados usando fitas vermelhas em solidariedade aos bombeiros presos. A determinação chegou por telefone às delegacias regionais da Polícia Civil no estado. A chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, porém, negou no início da tarde desta quinta-feira que tenha determinado qualquer tipo de punição.
Já o comandante do Estado Maior da PM, coronel Álvaro Garcia, negou, pela manhã, que um policial do Batalhão de Choque flagrado usando fita vermelha na farda tenha sido preso ou transferido. Ele explicou que o militar recebeu orientação de seu comandante que não pode participar de manifestações em serviço. Ele disse, ainda, que o militar não pode colocar em sua farda qualquer acessório que não seja regulamentado. Garcia também informou que não houve policiais presos por uma suposta recusa em participar da ação no quartel central dos bombeiros.
Fonte: G1


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