A pauta de votações dos próximos dias traz uma série de fogueiras que o governo precisa pular nesta reta final de semestre. Para a semana que vem está convocada uma sessão do Congresso que vai apreciar um calhamaço de vetos presidenciais a projetos de lei aprovados ao longo do governo Lula. A esperança do Poder Executivo é que o feriado de Corpus Christi, na quinta-feira, seja suficiente para evitar que haja quórum no dia 22.
Um dos principais temas em pauta é o que trata da distribuição dos royalties do petróleo em áreas de exploração já concedidas do pré-sal. Em reunião com os governadores das regiões Norte e Nordeste na última terça-feira, a presidente Dilma Rousseff fez um apelo em prol de um acordo para a não derrubada do veto. Mas não há a menor garantia de que será mantido.
A maioria dos estados não tem áreas concedidas para exploração de petróleo, portanto, hoje não recebe royalties do produto. Por isso, a tendência é a derrubada do veto, tanto na Câmara quanto no Senado. E, se o veto for mesmo derrubado como preveem os políticos e Dilma cumprir a promessa de ir à Justiça para resgatá-lo em nome do cumprimento de contratos celebrados dentro das normas anteriores à aprovação da nova lei, a confusão estará criada. Será mais um desgaste entre Executivo e Legislativo que vai se somar às insatisfações da base com os cargos.
Ainda que consiga passar a semana que vem com o veto dos royalties do petróleo intacto, o governo terá outros problemas pela frente. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-SP), anunciou, na última semana, que deseja colocar em votação ainda neste semestre a regulamentação da Emenda Constitucional 29, que fixa o aumento anual de recursos para o setor de saúde, baseado na variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores mais a inflação. “Há um acordo entre os líderes para votarmos até 15 de julho”, comentou Maia.
SAÚDE
O problema não está no aumento puro e simples dos recursos para a saúde. O agravante é que os congressistas planejam aumentar os recursos da saúde sem incluir no projeto fontes de receita para que isso seja feito sem comprometer o orçamento de outros setores do governo. A proposta traz embutida a criação da Contribuição Social da Saúde (CSS), uma remodelagem da antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) com alíquota menor. E há um pedido da oposição para que a CSS seja expurgada do texto. Esse pedido, que os parlamentares chamam de “destaque”, ainda não foi apreciado pelo plenário da Câmara. Caso seja votado, a probabilidade de derrota é grande, conforme avaliam os líderes do governo. Por isso a proposta não foi analisada até hoje. [o risco é grande, já que a mudança de nome e a promessa da alíquota ser menor, pode enganar os incautos. Só que o macete da corja governista para fraudar o contribuinte, é incluir na PEC a faculdade do governo alterar a alíquota por decreto - alternativa que hoje é usada no IOF.
Portanto, temos que ficar atento com mais essa tentativa de nos enganar.]
Outro projeto polêmico que assusta o governo é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300, que tramita no Congresso desde 2008. A proposta trata do piso salarial dos policiais. No ano passado, o governo conseguiu controlar a situação, tirando o projeto de pauta. Mas agora, com a greve dos bombeiros no Rio de Janeiro por melhores salários e a repercussão nacional da prisão de manifestantes, os sindicatos da categoria retomaram a pressão no Congresso para que a PEC seja aprovada. O problema é que os governadores não têm dinheiro em caixa para bancar a despesa e sozinhos não conseguem segurar suas bancadas para derrotar o projeto. Também não querem se indispor com os policiais. Portanto, planejaram deixar para o governo federal a mobilização pela derrubada da base contra essa proposta.
Se conseguir ultrapassar essas três semanas antes do recesso em paz, a presidente Dilma terá 14 dias sem muitas pressões — de 18 a 31 de julho. Será tempo suficiente para tentar organizar sua área política, reforçar as pontes e preparar propostas alternativas para negociar esses projetos com o Congresso. Caso contrário, a próxima grande janela para respirar será o fim do ano, quando os parlamentares terão 41 dias de férias.
Fonte: Correio Braziliense - Denise Rothemburg - Igor Silveira

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