Alarmados e aloprados com o escândalo Palocci, os membros da cúpula petista ganharam ontem uma preocupação ainda mais assustadora. Eles temem o risco permanente de que surja alguma revelação nova sobre o brutal assassinato de Celso Daniel, que foi prefeito petista de Santo André. O motivo: antes de ser torturado e morto, em 20 janeiro de 2002, CD ocupava a função estratégica que acabou herdada por Antônio Palocci Filho nas campanhas presidenciais do Partido dos Trabalhadores. O caso é tão grave que os parentes de Daniel vivem, oficialmente, exilados na França.
Para aloprar a petralhada, a 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo negou ontem recurso à defesa do empresário Sérgio Gomes da Silva. Sombra vai a Júri Popular acusado de participação no sequestro e morte de seu “amigo” Celso Daniel. O medo da petralhada é que Sombra, na iminência de uma condenação, revele quem realmente foi o mandante da sentença de morte contra o cadáver politicamente insepulto que apavora os petistas.
O promotor do caso, Francisco Cembranelli, defende a tese de que Celso Daniel morreu porque pretendia deter o enriquecimento pessoal, fruto de corrupção, dos envolvidos em um escândalo de fraude e propina na Prefeitura de Santo André. Cembranelli sustenta que Celso Daniel possuía "informações valiosas", em dossiês sobre todos os envolvidos. O promotor garante ter provas dos desvios de verba para campanhas do PT, incluindo a que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, e para contas pessoais dos envolvidos. [Francisco Cembranelli é o mesmo promotor do caso Nardoni e desejamos que ele tenha o mesmo êxito no julgamento do Sombra – pegando uma pena pesada Sombra vai abrir a boca.]
Incluindo Sombra, oito pessoas são formalmente acusadas do crime, sem previsão de julgamento, porque aguardam recurso: José Edson da Silva, Elcyd Brito, Ivan Rodrigues (o Monstro, apontado como chefe da quadrilha), Itamar dos Santos e Rodolfo Rodrigo Oliveira. Mas, até agora, apenas uma delas, Marcos Roberto Bispo dos Santos, foi a julgamento. Acabou condenado a 18 anos de prisão em regime fechado, em 18 de novembro de 2010.
No caso de Sombra, acusado de homicídio triplamente qualificado, o TJ-SP decidiu que vale a pronúncia proferida pela 1º Vara de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, em maio do ano passado. O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov julgou com toda clareza: "Havendo dúvida sobre a real natureza do delito e indícios em detrimento do acusado, as questões deverão ser dirimidas pelo Tribunal do Júri, que por força de expressa disposição da Constituição Federal, é o 'juiz natural' para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida".
Daniel foi encontrado morto em uma estrada de terra em Juquitiba (SP), com marcas de tortura e alvejado por oito tiros. Celso Daniel e o assessor Sombra haviam jantado em um restaurante em São Paulo e voltavam para Santo André em uma Pajero blindada, quando o prefeito foi seqüestrado e morto.
Fonte: Blog Alerta Total – Por: Jorge Serrão

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