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sexta-feira, 10 de junho de 2011

É nossa intenção só falarmos do Palocci quando a 'casa cair' e ele for preso. Agora, vamos apenas mostrar um pouco do apartamento que foi o túmulo

Os círculos do “inferno” de Palocci
O apartamento que a consultoria do ministro comprou por R$ 6,6 milhões tem oito quartos, meia dúzia de banheiros, piso aquecido nos banheiros e persiana motorizada

Estou no terceiro ou no quarto círculo do inferno de Dante, disse o médico Antonio Palocci em seus tempos de ministro da Fazenda do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Era sua primeira entrevista aos jornalistas depois que o caseiro Francenildo Costa o desmentira, numa Comissão Parlamentar de Inquérito. Palocci criticou o ambiente de “recrudescimento do qua-dro político” e o clima de “exacerbação”. Ao afirmar que a economia do país estava “no céu”, a me-mória lhe trouxe o mote associativo com A divina comédia, a grande obra do poeta florentino, que também foi político, acusado de corrupção e até exilado. Pois, hoje, é justamente Dante Alighieri (1265-1321) o nome do edifício de alto luxo em que sua empresa de consultoria, a Projeto, comprou, em duas tacadas, o apartamento de R$ 6,6 milhões que tanta dor de cabeça está lhe dando.

O Dante Alighieri fica na Alameda Itu, 593, no Bairro Jardim América, um dos melhores endereços de São Paulo. Fica próximo à Avenida Paulista, muito perto do tradicional colégio particular que tam-bém rende homenagens ao consagrado escritor. O prédio foi erguido pela Construtora Elias Victor Nigri, com 30 anos de experiência em imóveis de altíssimo padrão, alguns deles muito mais altíssi-mos, no padrão e no preço, que o da Projeto Consultoria.

São 15 apartamentos – um por andar –, além da cobertura. A unidade do último andar tem 1.777 me-tros quadrados de área construída e foi vendida por R$ 11,9 milhões (leia mais na coluna Vamos Combinar, à página 39). Palocci, que não mora no local, optou por um apartamento mais modesto, com 493 metros quadrados construídos. Há um do mesmo tamanho oferecido na internet com a su-gestão de preço um pouco maior, R$ 7 milhões. Um dos possíveis financiamentos permite comprá-lo com uma entrada de R$ 1,75 milhão e prestações mensais que começam em R$ 56 mil e terminam em R$ 14 mil.

Cabe muita coisa em 493 metros quadrados. Quartos, são oito. Como nem tudo é perfeito, só quatro deles são suítes. Os banheiros são meia dúzia – parte deles com o conforto, para o inverno, de ofere-cer pisos aquecidos. Os braços dos moradores também foram lembrados: não há que dá-los ao traba-lho com as venezianas, porque elas são motorizadas. O terraço é amplo. Comporta churrasqueira e espaço gourmet, além de oferecer vista panorâmica. Outros atrativos do imóvel são hidromassagem, lareira e aquecimento central. Sem contar as cinco vagas na garagem, fora as de visitantes. Nas áreas comuns, há três piscinas, uma delas aquecida, pista de cooper e todo o leque de facilidades de con-domínios modernos, como sala de ginástica, sauna e quadra poliesportiva.

“O Inferno”, a primeira parte de A divina comédia, tem nove círculos – cada qual com seu pecado e seus respectivos castigos. Na citação de 2006, o ministro Palocci mencionou o terceiro e o quarto. No terceiro círculo estão os gulosos, condenados à prostração sob forte chuva de granizo, água e neve, e a ser perpetuamente perseguidos por um cão de três cabeças, Cérbero. No quarto círculo, com a sina de carregar enormes pesos e trocar injúrias, padecem os avarentos e os perdulários.

Fonte: ÉPOCA On Line

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