Um ataque de hackers na madrugada deste sábado levou a Brigada Militar do Rio Grande do Sul a tirar do ar o site da instituição. A corporação, equivalente à Polícia Militar dos outros Estados, deve ficar sem a página na internet até a próxima segunda-feira.
O coronel Leonel Andrade, do Departamento de Informática da Brigada, diz que o ataque "possivelmente" faz parte da série de ações de hackers contra sites de governos pelo país iniciada nesta semana. Os criminosos aproveitaram uma falha no sistema de publicação de notícias da página do governo gaúcho para invadi-la.
Dados como estatísticas de crimes poderiam ter sido apagados pelos invasores. Nenhuma mensagem foi colocada no ar pelos hackers, mas a parte de notícias foi modificada.
Técnicos da Brigada estão fazendo uma vistoria no sistema para encontrar outras possíveis falhas. O ataque fará com que a corporação antecipe a estreia de um novo site, que já vinha sendo preparado. "Tiramos do ar justamente para não deixar a porta aberta [para novas invasões]", diz Andrade.
Portal da UnB é invadido por hackers, tem conteúdo alterado e sai do arO portal da Universidade de Brasília (UnB) na internet sofreu um ataque de hackers e foi retirado do ar por volta da 00h30 deste sábado. Até o fim da tarde, quem acessava a página ( www.unb.br) encontrava a seguinte mensagem: "Site em manutenção - Universidade de Brasília".
Diferentemente do que ocorreu em outros sites do governo, em que um grande número de acessos simultâneos derrubou os portais, o ataque à página da UnB consistiu em mudanças de conteúdo, com alterações nos títulos das notícias. A universidade avisou a Polícia Federal, que já havia aberto investigação para apurar as demais invasões.
O prefeito do câmpus da UnB, Paulo César Marques, foi quem constatou o ataque ao portal, por volta da meia-noite de sexta-feira para sábado, e alertou o centro de informática da universidade. Ele disse que ainda não há pistas sobre os autores, mas deixou claro que desconfia de pessoas ligadas à própria UnB. O motivo, segundo Paulo César, é que as modificações de conteúdo tinham caráter crítico, de chacota e usavam linguagem de baixo calão, dando a impressão de que teriam sido feitas por alguém que acompanha o debate acadêmico.
- Acho que quem fez isso está familiarizado com o que a universidade está discutindo e pegou carona nessa onda de ataques (a páginas do governo na internet). Não foi só para brincar, foi para veicular algum tipo de crítica.
Numa das notícias sobre a construção do câmpus da UnB em Ceilândia, o título alterado passou a dizer: "Administração desiste de obra na Ceilândia. Reitor foi assaltado por pivetes." Em outra, que tratava de um seminário, o hacker escreveu: "Semana de SEXO começa nesta segunda. Ministro Ayres de Britto e deputado Jean Wyllys participam de orgia sexual no Judiciário. Estupro será legalizado."
O jornal "Campus Online", da Faculdade de Comunicação da UnB, divulgou ontem a imagem do portal da universidade com os títulos alterados, após o ataque dos hackers. A imagem pode ser vista aqui.
Em nota, o deputado Sandro Alex (PPS-PR), da Comissão de Ciência e Tecnologia da Cãmara, anunciou que nesta segunda-feira vai propor a realização de audiência para ouvir especialistas e autoridades dos órgãos de governo atacados por hackers.
Eis a íntegra do texto divulgado no site do PPS:
"Integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia, o deputado Sandro Alex (PPS-PR) protocolará na próxima segunda-feira (27) um convite na Comissão para ouvir especialistas e autoridades dos órgãos de governo que foram atacados por hackers entre quinta e sexta-feira.
Entre os portais institucionais estão o da Petrobras, IBGE, Ministério da Cultura, Receita Federal e o do Senado Federal.
O objetivo é saber, em detalhes, o que ocorreu é qual o grau de vulnerabilidade das informações mais confidenciais e aquelas que podem comprometer a segurança nacional.
"Hoje eles derrubaram os sites destas instituições,. Até onde (hackers) podem ir, além daqui? O nosso sistema aéreo está cem por cento protegido? Então, são estas as respostas que precisamos levar para o Congresso Nacional e discutir formas de melhorar nossas redes de informação", justifica o autor do pedido.
O deputado do PPS pretende incluir ainda no requerimento de audiência especialistas da Polícia Federal e do Serpro (Serviço de Processamento de Dados, que é ligado ao Ministério da Fazenda)."
O especialista em crimes eletrônicos e segurança na internet Marcelo Lau, considerado uma das autoridades brasileiras no assunto, disse neste sábado (25) que é possível rastrear os responsáveis pela invasão nas páginas da Presidência da República, de ministérios, da Receita Federal e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Segundo Lau, a Polícia Federal (PF) tem instrumentos para identificar os hackers mesmo se eles estiverem no exterior e usando vários computadores.
“[Se os hackers] estiverem fora do país será um caminho mais longo”, disse Lau. “Não existe anonimato absoluto. As máquinas fazem os registros”, acrescentou, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, que foi ar pela manhã. Para ele, a PF “está muito bem preparada e equipada.”
Na sexta-feira (24) de madrugada, quando hackers invadiram a página do IBGE, um recado atribuído aos invasores indicava que mais ataques ocorrerão no país. “Este mês, o governo vivenciará o maior número de ataques de natureza virtual na sua história feito pelo Fail Shell. Entendam tais ataques como forma de protesto de um grupo nacionalista que deseja fazer do Brasil um país melhor. Tenha orgulho de ser brasileiro, ame o seu país, só assim poderemos crescer e evoluir”, diz a mensagem.
Para Lau, a invasão por hackers não é o caminho ideal para cobrar melhorias ou mostrar que há falhas nos sistemas de segurança dos órgãos ligados ao governo. “Fazer uma invasão desse tipo é expor dados. Não é a melhor maneira de colocar a necessidade de rever a segurança [do sistema]”, disse ele. “Expor deliberadamente [alguns tipos de] dados é crime”, reforçou.
Os hackers fazem acessos de computadores e provedores espalhados no mundo todo, causando a queda da página ou a operação com lentidão. No site da Receita Federal, foram registrados cerca de 300 mil acessos simultâneos – volume que normalmente leva uma hora para ser registrado durante a entrega de declarações do Imposto de Renda.

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