O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse nesta segunda-feira (6/6) que o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, não pode ser acusado de usar “laranjas” no aluguel do apartamento onde mora, em Moema, na zona Sul de São Paulo. A denúncia está na edição desta semana da revista Veja.
“A culpa é da imobiliária que alugou o apartamento”, ressaltou o senador peemedebista. A revista afirma que os proprietários do imóvel, de aluguel estimado em R$ 4 mil, são “laranjas”, um dos quais menor de idade. Ou seja, pessoas que tem o nome utilizado por terceiro para omitir o do verdadeiro proprietário.
Em nota, a imobiliária Plaza Brasil Imóveis negou qualquer relação com o ministro. A empresa disse que em 2008 houve uma troca de comando e que, desde então, não há qualquer registro de contrato de aluguel firmado com Palocci. A empresa não descarta, porém, a possibilidade de a diretoria anterior ter “ocultado” esses dados. [não sabemos como é possível que inexistindo registro de vínculo com Palocci, a imobiliária consiga contabilizar o aluguel – ou o Palocci não paga aluguel?
Tudo indica que quando divulgou a nota a Plaza Brasil esqueceu de combinar com o ministro.]
Na sexta-feira (3/6), Antonio Palocci concedeu entrevista à Rede Globo quando defendeu-se das acusações sobre o crescimento do seu patrimônio, em 20 vezes, nos últimos quatro anos. Na ocasião, o ministro evitou revelar a identidade de seus clientes e ressaltou que a empresa de consultoria de sua propriedade, a Projeta, fez contratos apenas com clientes privados.
José Sarney evitou entrar no mérito se as explicações convenceram ou não a opinião pública. “Não digo que atenda as expectativas da opinião pública [explicações ao Jornal Nacional] porque esse é um assunto passional que envolve a oposição que se posiciona de uma maneira ou de outra, mas ele deu as informações que tinha para dar”, disse ele.
Dilma passa o domingo fazendo consultas sobre o que fazer com Palocci
A presidente Dilma Rousseff manteve contatos no fim de semana com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decidir se demite ou mantém Antonio Palocci no cargo de ministro-chefe da Casa Civil. A decisão, porém, não será tomada apenas com base num aval de Lula, fiador de Palocci na composição do novo governo. Na interpretação de integrantes da base aliada, próximos às tomadas de decisão do governo,
Dilma tem gratidão por Palocci em razão do papel desempenhado por ele na campanha eleitoral. O então deputado ganhou espaço e deixou de ser apenas uma indicação de Lula, como avaliam lideranças da base aliada. Por isso, o ex-presidente perderia peso na decisão da demissão ou da manutenção no cargo. Mesmo assim, Dilma decidiu consultar Lula antes de decidir o futuro da Casa Civil. “Existe a interferência de Lula, mas, na campanha eleitoral, Palocci ganhou força”, diz um dos integrantes da base ouvidos pelo Correio.
O ministro da Casa Civil, até ganhar o cargo, foi um dos principais nomes do PT na montagem do governo, durante o período de transição. Antes de Dilma assumir, reunia-se diariamente com Palocci na Granja do Torto, residência oficial adotada pela presidente eleita antes da posse e nos primeiros dias de governo. O papel desempenhado na fase de transição credenciou Palocci para o ministério mais importante e de maior proximidade à presidente. “Lula está a favor dele, o indicou para a campanha eleitoral. Mas Palocci ganhou a confiança de Dilma”, diz um deputado da base. Agora, a permanência do ministro do cargo, depois do agravamento da crise desencadeada pela revelação de que ele aumentou seu patrimônio em 20 vezes nos últimos quatro anos, passou a depender de uma análise conjunta de Dilma e Lula.
O ex-presidente estaria em Brasília ontem para conversar com Dilma, mas a assessoria dele informou que a viagem não ocorreu. Lula teria passado o dia em São Bernardo do Campo (SP), onde mora. Integrantes da base aliada também não souberam informar se Lula esteve em Brasília. Até o início da noite, o ex-presidente não apareceu no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. Lula e Dilma mantiveram contato por telefone. A presidente não tomará a decisão sobre o futuro de Palocci sem consultar Lula. “Ele é a maior liderança política no país. Qualquer decisão precisará ser comunicada a ele”, diz um integrante do governo.
Em meio ao acirramento da crise política, Dilma recebe hoje o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. É o primeiro encontro desde a posse. Lula esteve com Chávez na semana passada, numa viagem que incluiu Bahamas, Cuba e Venezuela. O ex-presidente voltou da viagem disposto a conversar pessoalmente com Dilma sobre o futuro de Palocci.
Um nome cotado pela presidente para a Casa Civil, caso decida pela demissão do atual ministro, é o da diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, amiga de Dilma. Também é cogitada a indicação da atual ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Se isso ocorrer, o Planejamento seria assumido por Paulo Bernardo e, para seu lugar no Ministério das Comunicações, seria indicado o atual secretário executivo da pasta, Cezar Alvarez. [já que Dilma trouxe o Palocci de volta, um nome a ser lembrado é o de Erenice Guerra.]
Palocci passou o fim de semana recluso, com o telefone celular desligado. A última manifestação do ministro, depois da entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, foi a divulgação de uma nota, por meio de sua assessoria, para negar o teor de uma reportagem publicada pela revista Veja no último sábado. A reportagem aponta que o imóvel residencial alugado por Palocci em São Paulo foi colocado em nome de laranjas. “O ministro e sua família nunca tiveram contato com os proprietários”, diz a nota. [já a imobiliária diz não constar em seus registros nada que indique relacionamento com o ministro. Não constando nenhum registro, nem a contabilização de eventual aluguel pago por Palocci – que até o presente momento não contestou ser o locatário do imóvel administrado pela imobiliária Plaza Brasil – pergunta-se: será que a imobiliária administra um imóvel cujos proprietários são ‘laranjas’ e o loca também a um ‘laranja’?]
Numa aprovação contestada pela base aliada, Palocci foi convocado para depor na Comissão de Agricultura da Câmara. O presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS), decide amanhã se a convocação tem validade do ponto de vista do regimento da Câmara ou se será necessária uma nova votação na comissão. Para o líder do PT na Casa, deputado Paulo Teixeira (SP), a convocação deverá ser derrubada. Trinta deputados da própria comissão fizeram um recurso para que a votação fosse anulada. Deve ser feita uma nova votação.
Oposição pressiona
PSDB e DEM prometem se mobilizar no Congresso para pressionar o governo a demitir Antonio Palocci. Antes, o objetivo era o de manter a convocação do ministro para depor na Comissão de Agricultura. Agora, a oposição só fala em demissão. Para o líder da minoria, Paulo Abi - Ackel (PSDB-MG), a crise deixou de ser problema de ordem pessoal, restrita ao ministro, para atingir a presidente. “Aguardamos algo de novo, como a demissão dele. Se isso não acontecer, insistiremos na convocação", afirma. Já o líder do DEM, ACM Neto (BA), diz que a avaliação desastrosa que fez da entrevista de Palocci se confirmou.
Fonte: Agência Brasil

0 comentários:
Postar um comentário