Presidente do PT gaúcho pede afastamento de Palocci
O deputado estadual e presidente do PT no Rio Grande do Sul, Raul Pont, exigiu nesta quinta-feira (2) o afastamento do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e defendeu que a Executiva Nacional do PT tome uma posição oficial em relação à situação de Palocci.
À Folha, Pont afirmou que o PT gaúcho encaminhou à direção do partido pedido para que o PT se manifeste de maneira formal sobre Palocci.
"É importante para que tenhamos uma orientação. Por enquanto, o partido não tem uma posição oficial", declarou.
Para não prejudicar o governo, a alternativa mais indicada no momento, avaliou Pont, seria o afastamento do ministro. "Particularmente, entendo que ele tem que se afastar, para tirar este tema de dentro do governo. A situação do Palocci não pode contaminar o governo. É uma denúncia pessoal que ele tem de responder. Se não tem respostas, então que se afaste do governo até que tudo seja investigado."
Ainda segundo o deputado, assuntos urgentes estão sendo deixados de lado devido às suspeitas de enriquecimento ilícito de Antonio Palocci. "Assim como está, o governo ficou enredado. Não tem cabimento, com uma pauta tão extensa e importante, como o Código Florestal e a reforma política, nós ficarmos discutindo se o Palocci está ganhando mais ou menos dinheiro", afirmou.
Marco Maia é alertado sobre riscos de cancelar convocação de Palocci
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), tem sido alertado por técnicos da Casa sobre as implicações da eventual revogação da decisão da Comissão de Agricultura da Câmara
de convocar o ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Ao aceitar a questão de ordem apresentada pela base aliada, Marco Maia sinalizou para muitos de que sua tendência será anular a votação na comissão. Mas nesta quarta-feira cresceram as ponderações de que uma decisão deste tipo poderá, além de criar desgastes, abrir precedentes perigosos nas regras de funcionamento da Casa, especialmente na
autonomia das comissões. Maia sinaliza que deve cancelar a convocação.
Indagado nesta quinta-feira sobre o peso que a assinatura de 28 deputados da comissão na questão de ordem que pede a anulação a votação, Maia afirmou que irá pesar os dois lados, mas enfatizou que a vontade da maioria da comissão era de rejeição do requerimento.
- Temos de um lado uma questão formal e regimental que, se foi cumprida pela comissão tem que ser levada em consideração. Por outro lado, é óbvio que temos o posicionamento dos membros da comissão, que é importante e precisa ser levado em consideração, quando da tomada de uma decisão sobre esse tema - disse Maia, acrescentando:
- É público e notório que a grande maioria dos deputados da comissão não queriam, não aprovaram o requerimento, mas vamos ter que olhar tudo isso à luz do regimento interno da Câmara, ver se foram cumpridas as exigências, as determinações do próprio regimento, para, a partir disso, tomar uma decisão.
Maia afirmou que já determinou que seus assessores solicitem às emissoras de TV o envio de imagens que tenham captado da sessão desta quarta-feira na Comissão, para cruzá-las com as imagens feitas pela TV Câmara. Maia também solicitou as notas taquigráficas e o audio da sessão e pediu, formalmente, que o presidente da Comissão, Lira Maia (DEM-PA) envie a ele um documento relatando as razões que o levaram a tomar a decisão, a proferir o resultado a favor da convocação de Palocci,
- Pedi que o presidente me envie as razões, o que levou ele a tomar a decisão de proferir o resultado da votação, mesmo sendo sabedor de que a maioria dos integrantes da comissão, depois da orientação dos líderes partidários, eram pela não aprovação do requerimentos - disse Maia.
Governistas tentam persuadir Maia de que a oposição forçou a votação e sequer deixou que Lira Maia refizesse a votação. Quando ele anunciou que iria refazer a votação, o líder do DEM, ACM Neto (BA), interpelou-o, dizendo que a votação tinha sido consumada. Maia criticou o fato de a oposição estar ameaçando ir ao Supremo Tribunal Federal se ele anular a votação.
- Tenho dito que temos que resolver as questões políticas aqui na Câmara. Vamos conversar até terça-feira para construirmos uma decisão consensuada.
Maia também descartou que esteja pensando em punir o presidente Lira Maia, caso fique constatado que ele errou, ao anunciar o resultado contrário. Maia disse que não acredita que seja o caso de levá-lo ao Conselho de Ética, embora não descarte a possibilidade de algum deputado da comissão, o fazer:
- Percebi um clima de indignação. Ele (Lira Maia) tentou fazer o que era correto ( refazer a votação), se tivesse feito isso, não teríamos essa grita. Eu mesmo já fiz isso em plenário, refiz uma votação simbólica e chamei os líderes para verem lá de cima. Se não fosse o embate político, ele teria refeito.
Fonte: O Globo e Folha de São Paulo
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