Pesquisa personalizada

domingo, 12 de junho de 2011

Transporte coletivo do DF. Acordo estranho: rodoviários sempre saem ganhando e o POVO perdendo

Dos 3 mil veículos em circulação, 45% estão acima da idade máxima permitida
Controlando o transporte público da capital e ignorando a fiscalização e a legislação, os empresários do setor punem de todas as formas seu 1,2 milhão de clientes. Além de cobrarem a mais cara tarifa do país, submetem os passageiros a viagens em veículos velhos e inseguros. Dos quase 3 mil ônibus da frota, 45% têm mais de sete anos de uso, a idade limite permitida em lei. Muitos desses 1,3 mil coletivos continuam a rodar nas vias mesmo com 12 anos de fabricação. Os dados são do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), autarquia que deveria organizar e fiscalizar o sistema de transporte.

Os empresários cometem tais abusos graças ao poder conquistado ao longo dos últimos 10 anos, devido à omissão do Estado e à camaradagem dos deputados distritais. Conforme vem mostrando o Correio desde sexta-feira, os permissionários inverteram a lógica e hoje controlam todas as informações do serviço que deveria ser gerenciado pelo governo. Os donos das empresas conquistaram até a emissão do vale-transporte e do passe estudantil. Dessa forma, monopolizam dados essenciais às discussões sobre aumento de salário dos rodoviários e de tarifas, como ocorre neste momento, com as paralisações parciais ocorridas desde segunda-feira.

O poder está concentrado em três conglomerados. Dez das 14 empresas que operam no DF pertencem aos grupos Planeta, Viplan e Amaral. As três têm dois terços dos 2.975 ônibus e das 980 linhas. O trio também controla o sistema de bilhetagem eletrônica, mais conhecido como Fácil — o atual governo anunciou que iria assumir a emissão dos vales, mas até agora a medida não saiu do papel. Apesar de prestar um serviço precário, as empresas querem subir as passagens de R$ 3 para R$ 4,90, reajuste negado pelo GDF.[o correto mesmo seria considerar que o PODER está em cinco conglomerados: o GDF - que optou por não exercer o podem que detém; as três empresas e o sindicato dos rodoviários. Aliás, curiosamente, sempre quem ganha, há mais de cinco anos é a categoria rodoviários. Todo ano eles conseguem reajuste salarial com índice superior ao da inflação, aumento do valor da cesta basica que recebem, redução da carga horária e outras benesses.
O GDF fica ocm cara de paisagem. As empresas continuam com as tarifas congeladas. E o passageiro, coitado, SIFU - termo usado pelo Lula, quando presidente.]

Nas raras vezes em que têm os ônibus velhos parados e notificados, os empresários ignoram a punição. E se mantêm à frente do mercado por falta de cobrança. De 2003 a 2010, os permissionários deixaram de pagar R$ 29 milhões em multas, conforme mostrou ontem o Correio. O DFTrans admite a falta de controle do serviço. Em função do seu desmantelamento, técnicos não conseguem obter informações como os valores devidos por cada empresa e se ela está ou não incluída na dívida ativa devido ao calote.

Insatisfação
Além de velhos, os veículos que circulam pelas vias do DF estão sucateados. Ontem, a reportagem encontrou ônibus com pneus carecas ou recapados, cadeiras sujas e rasgadas, encostos de braço destruídos, painéis enferrujados e extintores jogados atrás do banco dos motoristas. Essa realidade incomoda e põe em risco os usuários do sistema de transporte público. A estudante Leilane Andreza da Silva, 16 anos, faz coro aos milhões de brasilienses descontentes com o estado de conservação dos ônibus. A moradora de Planaltina avalia que a falta de manutenção deixou que os veículos chegassem ao atual estado. “As cadeiras estão quebradas, os braços estão estragados e os estofados estão rasgados. O preço que pagamos pelo serviço não justifica essa realidade. O governo precisa tomar providências”, cobrou.

Quem também está descontente com o estado dos ônibus é a vendedora Claudia Rocha, 21 anos. Moradora de Samambaia, ela reclamou da sujeira que encontra diariamente nos veículos. “Pago caro e não tenho um retorno. O estado de conservação dos ônibus é um terror. Está tudo quebrado e imundo. O governo precisa acabar com essa situação de descaso.” Um dos veículos flagrados ontem pela reportagem foi fabricado em 1997 e está prestes a completar 14 anos de uso.
[curioso é que alguns dizem que há um acordo entre os rodoviários e os empresários. Os primeiros fazem greve, conseguem aumento e os patrões conseguem reajustar a tarifa.
Só que desde 2006 este acordo, se houver, está meio estranho. Os rodoviários fazem as greves, extorquem aumentos salariaiais com índice superior ao da inflação, conseguem redução da carga horário, aumento do valor da cesta básica que recebem e outros beneficios - e pioram a forma de tratar os passageiros; já os patrões continuam sem conseguir aumento nas tarifas; e, os passageiros SIFU.
Acordo estranho este em que só uma das partes - a que menos merece - ganha tudo.]

Além de operar com veículos velhos, as empresas chegam ao ponto de praticar pirataria. No ano passado, 988 ônibus foram lacrados e multados por estarem rodando em linhas inventadas ou que pertenciam a outra empresa. A Viplan foi a campeã de fraudes, tendo rodado em pelo menos 15 linhas criadas por conta própria. O golpe ocorre desde 2007, quando o GDF anunciou uma renovação no sistema. A própria Polícia Civil acusa os gestores públicos de inchar o sistema com 975 ônibus sem licitação. Na última sexta-feira, a reportagem foi ao gabinete do secretário de Transportes, José Walter Vazquez, e ligou quatro vezes para a assessoria, mas ele não se pronunciou sobre a crise no sistema. Alegou agenda cheia.

Fonte: Renato Alves e Antonio Temóteo - CB

2 comentários:

Caio Mendes disse...

As empresas estão trabalhando no vermelho,se não houver maior investimento nesse sentido, de buscar-se melhorias no transporte, não conseguiremos alcançar coisas positivas para o DF, as empresas precisam de apoio e nós precisamos fornecer isso.

antonio disse...

Precisamos de investimentos pesados no setor de transporte público de Brasília, pois é uma vergonha. Para isso investir nas empresas é fundamental.