Suposto autor de massacre na Noruega postou manifesto na internet
Em documento de 1,5 mil paginas, suspeito prega uma cruzada antimuçulmana; segundo seu advogado, ele queria uma 'revolução'
O suposto autor do duplo atentado na Noruega, Anders Behring Breivik, que qualificou seu ato de "cruel, mas necessário", colocou na internet um manifesto de 1,5 mil páginas conclamando à violência contra muçulmanos e comunistas.O longo documento intitulado "2083 - Uma Declaração Europeia de Independência", postado em inglês no dia do atentado duplo, afirmou que a elite europeia, "os multiculturalistas" e os "enaltecedores da islamização" seriam punidos por seus "atos de traição". O texto também declara a "guerra de sangue" contra os imigrantes muçulmanos e os marxistas.
"Nós, a livre população nativa da Europa, por este meio declaramos uma guerra preventiva contra todas as elites marxistas/ multiculturalistas da Europa Ocidental... Sabemos quem vocês são, onde moram e vamos atrás de vocês", diz o texto. "Estamos no processo de apontar cada traidor multiculturalista na Europa Ocidental. Vocês serão punidos por cada ato de traição contra a Europa e os europeus."
Apesar de a polícia não ter confirmado que o manifesto foi escrito por Breivik, seu advogado Geir Lippestad referiu-se a ele e disse que seu cliente trabalhava no texto havia anos. O manifesto está assinado como Andrew Berwick. O uso de um pseudônimo anglicano poderia ser explicado por uma passagem no manifesto descrevendo a fundação, em abril de 2002 em Londres, de um grupo chamado de Cavalheiros do Templo - uma ordem medieval fundada para proteger os peregrinos cristão na Terra Santa depois da Primeira Cruzada."Acho que é o último texto que escreverei. Hoje é sexta-feira, 22 de julho, 12h51", terminava o manifesto. Duas horas e meia mais tarde, um carro bomba explodiu em frente do complexo governamental de Oslo, deixando 7 mortos, ao qual seguiu o massacre na Ilha de Utoya, com outros 85 mortos. No total, os ataques deixaram 92 mortos e 97 feridos. O chefe de polícia Sveinung Sponheim disse não haver indicações se Breivik escolheu seus alvos ou se atirou indiscriminadamente na ilha. Ambos os alvos, porém, têm relação com o Partido Trabalhista, que lidera a coalizão de governo.
No manifesto, o suspeito indicou que um ataque era iminente: "Com o objetivo de romper com sucesso a censura da mídia marxista/ multiculturalista, somos forçados a empregar operações mais brutais e de tirar o fôlego, que resultarão em baixas."
O norueguês é ligado a grupos ultradireitistas, fundamentalistas cristãos e islamofóbicos. A polícia e o advogado disseram que Breivik, de 32 anos, confessou ser autor dos dois atentados, mas rejeitou responsabilidade criminal pelo dia que chocou a pacífica Noruega e representou o mais mortal para o país desde a Segunda Guerra Mundial. Ele foi acusado de terrorismo e deve ser indiciado na segunda-feira.
Segundo Lippestad, conhecido por ter defendido famosos neonazistas, Breivik disse ter como motivação para os ataques o desejo de causar uma revolução na sociedade norueguesa. "Ele queria uma mudança na sociedade e, sob sua perspectiva, precisava forçar isso por meio de uma revolução", afirmou. "Ele queria atacar a sociedade e sua estrutura."
Apesar de Breivik ter dito que lanço sozinho o ataque duplo, a polícia realizou neste domingo uma operação em um bairro de Oslo. Sobreviventes do massacre na ilha dizem que havia dois atiradores, e no sábado a polícia confirmou que investigava esses relatos, não descartando a existência de um segundo suspeito.
Clique e veja Cenas do atentado em Oslo
Imagens em alta resolução. Horas depois de uma grande explosão atingir o quartel-general no centro da capital do país, Oslo, um atirador vestido de policial atacou um acampamento para jovens do Partido Trabalhista em na ilha de Utoya, a 40 quilômetros da capital norueguesa. A polícia afirmou que há motivos para acreditar que há conexão entre os dois ataques.
Testemunhas que participavam do acampamento da ala juvenil do Partido Trabalhista disseram que Breivik, antes de começar a disparar, atraiu as pessoas em sua direção dizendo ser um policial. As pessoas se esconderam ou correram para a água para escapar da carnificina; alguns se fingiram de mortos.
A polícia só chegou ao local 90 minutos depois de o primeiro tiro ser disparado - atraso explicado pelo fato de não terem um rápido acesso a um helicóptero e pela dificuldade em encontrar um barco assim que chegaram ao lago. Sem oferecer resistência, Breivik se rendeu quando foi cercado por uma equipe da Swat.
Fonte: iG

0 comentários:
Postar um comentário