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domingo, 31 de julho de 2011

Chapa quente

Marina Silva saiu do PV carregando 20 milhões de votos, certo?

Talvez sim, mas não necessariamente.

Ainda está para ser demonstrado se a votação recebida pela então senadora candidata a presidente da República em 2010 disse respeito só àquelas circunstâncias, ao anseio do eleitor por uma alternativa à dicotomia PT-PSDB, ou se pode ser considerada como um patrimônio duradouro.

Prova mesmo só haverá quando 2014 chegar. A questão, contudo, torna-se desde já pertinente visto que os possíveis concorrentes se posicionam na cabeceira da pista. Luiz Inácio da Silva faz campanha (para si ou pela reeleição de Dilma), José Serra nem bem fecharam as urnas avisou aos navegantes que não pensava em aposentadoria, Aécio Neves acumula forças articulando apoios e Marina já deu um lance. Rumo à construção de um espaço muito mais de base social que partidária.

A ex-senadora poderia ter ficado no PV - cujos defeitos conhecia antes de se filiar - para testar seu capital político na eleição intermediária de 2012. Seria o caminho tradicional. Foi o escolhido por Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, que ficaram a despeito da doença nada infantil do caciquismo que assola (também) o PV e para todos os efeitos provocou a saída de Marina. Ela não fez movimento algum para criar um partido. Falou sobre um projeto "sonhático" suprapartidário que é bonito como gesto de impacto, mas inócuo para a execução de planos político-eleitorais.

E Marina os tem. Ou não teria saído do PT para concorrer à Presidência da República nem teria sido tão cautelosa ao preservar para si os 20 milhões de votos recusando-se a entregá-los na forma de aval a um dos finalistas da eleição de 2010. Portanto, flanando na atmosfera qual um avatar de si mesma é que a ex-senadora não vai ficar. Entrará no jogo, isso é certo. A dúvida é sobre como e ao lado de quem jogará.

Poderá criar um partido? Poderá. Mas as dificuldades além de muitas são quase intransponíveis numa eleição "casada" em que contam as alianças e as máquinas. Ainda mais quando se trata de uma eleição disputada como a que se antevê para 2014, em que os bons espaços estarão ocupados.

No PT com a Presidência, seja Dilma ou Lula o candidato; no PSDB por Aécio ou Serra; no PSB por Eduardo Campos; no PMDB pelo que der e vier ou pelo que vier e der. O resto é adjacência. Como enfrentar essa concorrência? É tarefa árdua. Marina sempre pode arriscar, dependendo do que pretenda. Se a ideia for fazer bonito, vale o risco. Mas, se a valente quiser ir para a linha de frente, terá de ser profissional.

Uma pensata para compartilhar com o leitor: Marina vice de Lula em 2014. Ela deixou o governo contrariada? Deixou, mas com Dilma, não com o PT e muito menos com Lula, por quem nutre veneração. Marina precisa de uma estrutura à qual se incorporar. Lula, em tese, não precisaria de nada, dado que venceu todas as etapas da desconfiança do grande capital depois que formou chapa com o empresário José Alencar.

Mas, na realidade, precisa sim de uma novidade para evitar o efeito fadiga de material. Precisa de uma fiança ética, precisa de um simbolismo para renovar o trato perdido com a utopia, precisa sacudir a poeira acumulada nos últimos anos de compadrio com o atraso, precisa, sobretudo, de refazer os termos do pacto de esperança que, em boa medida, descumpriu. Precisa de um toque de modernidade, precisa se arejar, se reinventar, até mirando-se no exemplo de Fernando Henrique Cardoso. Precisa reconquistar a juventude, resgatar a bandeira do sonho a fim de motivar o eleitorado e justificar a escolha de alguém que já presidiu o País por duas vezes.

Na hipótese de juntar-se a alguém como Marina Silva ainda sinalizaria superioridade em relação às estruturas partidárias tradicionais tão desgastadas e ainda transmitiria a mensagem de que é a vez da sociedade.

Difícil? Mas nada na vida ou na política é impossível.

O complicado em uma aliança com Marina seria governar depois, cumprindo os compromissos inerentes a essa união. Mas convenhamos que se tratando de Lula tudo é possível. Principalmente dar o dito pelo não dito. [caráter escasseia entre as caracteristicas do nominado.]

Por: Dora Kramer - O Estado de São Paulo

1 comentários:

Anônimo disse...

Leiam a reportagem da Folha:

Comandante do Exército vira alvo de investigação
Inquérito aponta fraudes em obras rodoviárias executadas pelos militares
General Enzo e outros sete oficiais chefiaram departamentos que fizeram convênios com Dnit entre 2004 e 2009
MARCO ANTÔNIO MARTINS
EM SÃO PAULO
O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, e sete generais são investigados pela Procuradoria-Geral de Justiça Militar sob suspeita de participar de fraudes em obras do Exército.
Os oficiais comandaram o DEC (Departamento de Engenharia e Construção) e o IME (Instituto Militar de Engenharia) entre 2004 e 2009, período em que o Exército fez convênios com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para obras em rodovias.

O general Enzo chefiou o DEC entre 2003 e 2007. Ele deixou o cargo para assumir o comando do Exército no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi mantido no posto pela presidente Dilma Rousseff.
O grupo investigado inclui cinco generais que comandaram o IME e dois que chefiaram o DEC depois do general Enzo: os generais Marius Teixeira Neto, na reserva desde março, e Ítalo Fortes Avena, hoje consultor militar da missão do Brasil na ONU.

A investigação foi aberta em maio pela procuradora Geral de Justiça Militar, Cláudia Luz, para apurar se o general Enzo e os outros que comandavam áreas envolvidas sabiam das irregularidades.
A apuração foi um desdobramento de inquérito anterior que identificou indícios de fraude em 88 licitações do Exército para fazer obras do Ministério dos Transportes e apontou desvios de recursos públicos de R$ 11 milhões.

À Folha, o Centro de Comunicação do Exército diz que não tem conhecimento da investigação e que "não cabe à Força e nem aos militares citados emitir qualquer tipo de posicionamento".
Criados para atender necessidades de militares, os batalhões de engenharia do Exército são convocados com frequência para acelerar obras. Somente do Dnit, que nas últimas semanas teve quase toda a diretoria afastada por ordem de Dilma, o Exército recebeu R$ 104 milhões nos últimos cinco anos.

As investigações mostram que um grupo liderado por dois oficiais que coordenavam os convênios no IME, o coronel Paulo Roberto Dias Morales e o major Washington Luiz de Paula, criou seis empresas para entrar em concorrências do IME com dinheiro do Dnit.
O major Paula teria movimentado mais R$ 1 milhão em sua conta em um ano e feito 14 viagens aos EUA no período em que trabalhou com o Dnit.
Seis militares estão sendo processados na Justiça Militar. Se condenados, poderão ser presos e expulsos da corporação. Peças do processo foram encaminhadas à Justiça Federal para que eles sejam processados ali também.

Dá para se entender, caso realmente comprovadas, por que este cidadão fez de tudo para barrar as comemorações de datas que são caras aos movimentos históricos liderados pelas forças armadas e, em especial, pelo exército brasileiro.
Lamentável. Triste. Decepcionante.

Cai a última trincheira moral do Brasil

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