Passada a comoção, extrema-direita europeia começa a endossar ideias do atirador norueguês
Após alguns grupos e políticos citados pelo autor do massacre na Noruega tentarem se distanciar de suas propostas, começam a aparecer agora representantes da extrema-direita europeia endossando algumas posições de Anders Behring Breivik - muitas delas apresentadas em seu longo manifesto publicado na internet. Ao mesmo tempo, alguns governos europeus mostram preocupação. Na Alemanha, a polícia fez uma vistoria em 21 residências ligadas a um grupo de extrema-direita que prega a expulsão de estrangeiros do país. Foram apreendidas armas, munição, drogas e computadores.
Nesta quarta-feira, foi a vez de o italiano Francesco Speroni - ex-ministro do premier Silvio Berlusconi - sair em defesa das ideias do norueguês. Integrante da cúpula da Liga Norte, partido minoritário na coalizão de Berlusconi, Speroni disse que as "ideias de Breivik são em defesa da civilização ocidental".
Outros líderes do partido haviam rejeitado as propostas do autor do massacre, mas o ex-ministro falava em apoio a declarações de Mario Borghezio, outro integrante da Liga Norte. Com exceção da violência, algumas das ideias expressadas são boas. Algumas são ótimas - disse Borghezio, membro do Parlamento Europeu e admirador confesso do italiano Oriana Fallaci, jornalista que popularizou o termo "Eurábia" para falar de uma Europa, no futuro, islamizada.
O primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, defendeu nesta quarta-feira que, em seu país, está dentro da lei que extremistas manifestem sua opinião. - O que não é legítimo é tentar implementar essas opiniões com violência - afirmou.
Resposta do premier é elogiada por norueguesesApesar das críticas à atuação da polícia, o primeiro-ministro norueguês vem sendo elogiado pela resposta ao atentado. Uma pesquisa publicada no jornal "Verdens Gang" indicou que 80% dos noruegueses acham que ele foi "extremamente bem".
Stoltenberg anunciou nesta quarta-feira a criação da "Comissão 22 de Julho" que vai investigar a atuação da polícia e das demais forças de segurança nos ataques. A comissão será independente e foi aprovada por todos os partidos.
- Esta não será uma investigação conclusiva, temos muito respeito pela forma com que as autoridades e as diferentes agências controlaram as operações - disse ele.
- Mas acreditamos que é importante rever tudo o que aconteceu para que possamos aprender o máximo possível dessas experiências - completou.
A bomba detonada na capital abriu um buraco no local de trabalho de Stoltenberg, que provisoriamente passará a despachar no Ministério da Defesa, localizado em outro bairro. As reuniões ministeriais serão em uma fortaleza medieval à beira-mar.
Não ficou claro se a sede administrativa do governo, um prédio de 17 andares, será reconstruída ou demolida.
Fonte: BBC Brasil

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