Breivik enviou email para 250 britânicos menos de 90 minutos antes de ataque em Oslo, diz jornal
Poucas horas após o líder do grupo de extrema-direita Liga da Defesa Inglesa negar qualquer envolvimento com o norueguês Anders Behring Breivik, a Scotland Yard descobriu que o atirador enviou para 250 britânicos um email com seu manifesto menos de 90 minutos antes da explosão da bomba em Oslo na última sexta-feira, informou o jornal inglês "Telegraph". Em outra frente, a Organização Europeia de Cooperação Policial (Europol) anunciou a criação de uma força-tarefa para investigar possíveis conexões do atirador com organizações de extrema-direita na Europa.
Uma unidade da Polícia Metropolitana da Londres, que investiga a ligação entre o norueguês e grupos xenófobos no Reino Unido, recebeu um email com uma lista de 1.003 destinatários, enviado por Breivik antes dos ataques na Noruega. Sob o pseudônimo Andrew Berwick, o norueguês enviou o manifesto de 1.500 páginas intitulado "A European Declaration of Independence - 2083" e um vídeo no You Tube, mostrando ele com uma arma, às 14h09m (horário local) da sexta-feira, uma hora e 17 minutos antes da bomba explodir no centro de Oslo. "É um presente para vocês. Peço que distribuam para todo mundo que conhecerem", escreveu o criminoso, chamando os destinatários de "europeus ocidentais patriotas".
O político belga de extrema-direita Tanguys Veys disse que recebeu a mensagem de Breivik e confirmou que "pelo menos um quarto" dos destinatários era britânico. Veys, no entanto, negou que tenha conversado com o criminoso.
Breivik teria mantido conversas na Internet com membros da Liga. O atirador teria, inclusive, pedido para que o grupo "continuasse com o ótimo trabalho". O norueguês estaria ansioso para se juntar ao movimento xenófobo inglês e havia se comprometido a participar de um comício do grupo na cidade britânica de Newscastle.
O ataque duplo na Noruega surpreendeu os 27 integrantes da Europol olhando para o outro lado: a ameaça do terrorismo islâmico - considerada a maior preocupação do Velho Continente, segundo o relatório de 2010 da Europol - fez o órgão que coordena as atividades policiais dos países-membros da União Europeia negligenciar as ações de uma extrema-direita ultranacionalista e cada vez mais xenófoba. [negligencia que até o presente momento não trouxe nenhum prejuízo à União Européia, haja vista a inexistência de qualquer ação criminosa por parte dos membros da ultradireita européia.]
- Estamos preparando um retrato exato e atualizado do extremismo de direita na Europa, particularmente no norte da Europa - garantiu o porta-voz da Europol, Soren Pedersen.
Reino Unido e Portugal recrutados para ajudar
A entidade montou um centro de operações e recrutou 50 peritos em serviços de inteligência, investigadores e especialistas em explosivos e terrorismo, além de pedir a colaboração do efetivo policial de outros países, como Reino Unido e Portugal, para rastrear os movimentos de extrema-direita. - É difícil ainda dizer quanto tempo irá demorar, mas (outros países) deverão colaborar com a Europol durante uma ou duas semanas - declarou Pedersen.
A luta antiterrorista na UE em escala comunitária é um sonho - sendo hoje uma atribuição exclusiva dos Estados, segundo suas próprias regras e relações bilaterais. Na verdade, o núcleo antiterrorismo do bloco é formado pelo G-6, originalmente formado por Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido, aos quais se juntou a Polônia. Para eles, no entanto, a Europol é um mero instrumento, cujo valor é coordenar atividades genéricas e determinadas atuações, como a que acaba de anunciar sobre uma investigação específica do terrorismo não islâmico na Escandinávia.
Enquanto os temores sobre a ação de radicais muçulmanos domina o relatório de 2010 da Europol - relativo ao ano anterior - a preocupação com a extrema-direita aparece em apenas um documento sobre quatro ações frustradas na Hungria. A Noruega sequer foi mencionada no texto.
Líder extremista britânico nega envolvimento com Breivik
Ainda nesta terça-feira, o líder de um grupo de extrema-direita britânico Liga da Defesa Inglesa, apontado por Breivik como um de seus colaboradores, Stephen Lennon negou em entrevista à AP qualquer envolvimento com o terrorista. Lennon, no entanto, disse que está investigando possíveis ligações do norueguês com líderes regionais do grupo, como o próprio denuncia em seu manifesto. O norueguês ainda postou comentários na internet elogiando o grupo radical inglês e expressando o desejo de participar de seus comícios. - Pode ser que algum de nossos membros tenha conhecido Breivik, neste momento não estamos descartando nenhuma hipótese - afirmou Lennon.
Lennon, de 28 anos, condenou os ataques, mas classificou a explosão em Oslo e o tiroteio na ilha de Utoeya como sinais da "raiva crescente" de europeus em relação a imigrantes muçulmanos. - As pessoas deveriam olhar o que aconteceu em Oslo para entender que há um sentimento de raiva crescente na Europa - disse Lennon, de 28 anos - Se você suprime o direito das pessoas, suas vozes, elas vão continuar a atuar na clandestinidade e isso não é a solução para nenhum problema.
De acordo com Lennon, as afirmações de Breivik de que ele teria ligações com a Liga de Defesa Inglesa são falsas. O britânico disse, no entanto, que ainda está investigando para ver se algum líder do grupo teve contado com o atirador norueguês, Breivik confessou a autoria dos dois ataques na Noruega - o tiroteio na ilha de Utoeya e a explosão no centro de Oslo. O criminoso justificou seus atos, alegando se tratar de uma maneira de difundir o desejo pela expulsão de muçulmanos da Europa.
Os ataques, fundamentados por teorias de extrema-direita, deixou a Europa em estado de alerta, já que uma onda de repulsa a imigrantes, declínio econômico, aumento do desemprego e medo crescente de retaliação de fundamentalistas islâmicos tem tomado conta de vários países do velho continente. Em uma tentativa de mostrar o fortalecimento de sua rede extremista, Lennon contou que recentemente levou membros de seu grupo para visitar a Alemanha, França e Holanda e que concluiu após a viagem que o apoio a teorias xenófobas, como as que ele segue, está crescendo.
- A extrema-direita vai ficar cada vez maior - disse Lennon.

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