Ao pedir auxílio-doença para o INSS, trabalhador descobre que estava morto há 30 anos em SP
Contribuinte da Previdência Social desde os 15 anos de idade, o supervisor de produção Vasco José dos Santos, de 54, descobriu que estava morto havia mais de 30 anos quando foi pedir auxílio-doença em uma agência do INSS de Ribeirão Preto, a 319 km da capital.
Um outro homem, com o nome igual ao seu e com mesmo número de PIS (Programa de Integração Social), morreu durante um acidente de trânsito, no Rio Grande do Sul.
O problema é que Vasco José dos Santos já foi dado como morto em 1985. A primeira descoberta ocorreu quando ele foi requerer o auxílio-natalidade quando a filha nasceu. Naquela época, quando foi informado da duplicidade, ele havia tomado todas as providências para provar que estava vivo. - Estou sendo enganado pelo INSS há 26 anos. Eles afirmam que a situação foi resolvida, mas isto não é verdade. Na hora de contribuir, estou vivo. Na hora de receber, sou morto. Quero saber para onde está indo o meu dinheiro neste tempo de serviço. A minha primeira contribuição foi aos 15 anos de idade, quando comecei a trabalhar numa fábrica de pinga - fala, indignado, Santos.
Ele luta para conseguir o benefício desde o fim de maio. Santos está afastado porque contraiu leishmaniose (doença transmitida pelo mosquito-palha e que pode matar se não tratada). O último salário que recebeu pela empresa foi em maio. - Já recebi avisos de corte de luz, água. Minhas contas atrasaram e meu nome já foi para o Serasa. Isso é um absurdo - reclama Santos.
O INSS explicou que o auxílio-doença requerido foi concedido nesta quinta-feira e que, dentro de 15 dias, ele receberá a carta informando o número do benefício e banco para pagamento. Ainda segundo o instituto, para identificar o erro, o INSS de Ribeirão Preto pesquisou o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e detectou que um mesmo número de PIS pertencia a duas pessoas diferentes, mas com o mesmo nome: Vasco José dos Santos, segurado falecido do Rio Grande do Sul, e Vasco José dos Santos, que requereu o auxílio-doença em Ribeirão Preto.
O INSS acreditou que Santos de fato está vivo e decidiu conceder o benefício porque os vínculos registrados no CNIS são de empresas de Ribeirão Preto e as contribuições foram feitas posterior à data da morte do segurado homônimo do Rio Grande do Sul. O segurado falecido tem uma dependente, que recebe pensão. - Se antes eu não confiava muito no INSS, agora que eu desacredito mesmo, depois de tudo o que está acontecendo comigo. A vida toda trabalhei. Nem tive tempo para estudar - diz Santos, que cursou até a 4ª série do ensino fundamental.
O órgão informou ainda que, para que o mesmo problema não ocorra futuramente ao requerer outros benefícios, o INSS do Rio Grande do Sul fornecerá um outro número de identificação ao segurado já falecido. Vasco dos Santos espera, quando for se aposentar, não precisar provar que está vivo, pela terceira vez.
Fonte: O Globo

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