Direção do PT age para mudar estatuto em congresso e esvaziar as prévias
O Estadão desta quinta-feira traz mais uma reportagem sobre a forma como o PT vai escolher seus candidatos para as eleições de 2012. Depois de publicar que o ex-presidente Lula não quer prévias para escolher candidatos, o jornal mostra que o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tem posição igual. A diferença entre os dois é que Carvalho emite essa opinião publicamente. “Seria um desastre ter prévia no PT em São Paulo”, afirmou Carvalho ao Estado. “As prévias acabaram se transformando em trauma para nós porque, toda vez em que foram realizadas, houve enorme dificuldade para juntar o partido e reunificar a base. Com a disputa no nosso campo, as prévias oferecem munição para o adversário.”
Diante deste quadro, a direção do PT vai agir no Congresso do partido para modificar a forma como os candidatos são escolhidos, acabando com a possibilidade das prévias. A avaliação de Carvalho está certa. Mas o PT, como qualquer outro partido, precisa reconhecer que as prévias tornam a política mais democrática. E que, da mesma forma, não usar o expediente torna os partidos menos democráticos, o que é um drama para a política brasileira. É uma verdade com a qual pouquíssimos líderes querem lidar e uma imagem que nenhum político quer passar ao eleitor. [só os tolos esquecem que o PT é um partido que defende o velho modelo soviético = partido único.]
Ministro Gilberto Carvalho afirma ao 'Estado' que seria um 'desastre' uma disputa interna para escolher o nome do candidato à Prefeitura de São Paulo
Além de Marta e de dois integrantes de seu antigo grupo, hoje rachado, o senador Eduardo Suplicy (PT) já avisou que, se o acordo for inviável, não desistirá de disputar a indicação para concorrer a prefeito. Mesmo que seja com Marta, sua ex-mulher. "Voltar atrás nas prévias, ou mesmo esvaziá-las, seria uma incongruência", comentou Suplicy. "No ano passado, a direção do PT fez um apelo para que eu abrisse mão da candidatura ao governo para Aloizio Mercadante, mas agora é diferente. Assim como Barack Obama e Hillary Clinton se deram tão bem em 21 debates, eu, Marta e todos os demais podemos interagir com os filiados", emendou o senador, numa referência à eleição nos EUA, em 2008.
Ministro da Ciência e Tecnologia, Mercadante está mais interessado, hoje, na eleição para o governo paulista, em 2014. Ele não quer deixar a Esplanada.
"Não se sabe quem vai ser o candidato em São Paulo, mas espero que prevaleça o bom senso no PT e haja acordo", insistiu o ministro Carvalho. Na sua opinião, as prévias só se justificam quando se trata de uma "disputa simbólica", como a que ocorreu entre Lula e o próprio Suplicy, sete meses antes da eleição presidencial de 2002. [a velha e surrada prática do ‘partido comunista de união soviética’ e que o estulto Carvalho quer reviver: eleição simbólica, em que o ‘ganhador’ e o ‘perdedor’ são definidos pela NOMENKLATURA.]
Coordenador da comissão encarregada de preparar a reforma do estatuto do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP) foi na mesma linha. "O novo estatuto do partido tem de traduzir o debate político, e não uma visão burocrática de que qualquer pessoa pode disputar prévia apenas para marcar posição", argumentou Berzoini, ex-presidente do PT. "Existe a preocupação de evitar o desgaste, mas ninguém quer fazer disso um Fla-Flu", completou ele.
Fonte: O Estado de São Paulo

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