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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Não sei onde o governador Sérgio Cabral está morando, e nem quero saber. Entendam por quê

Amigos, eu não sei onde está morando o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), depois de sua recente separação conjugalse no Palácio Laranjeiras, residência oficial dos governadores fluminenses, ora passando por reformas, ou no apartamento de luxo no Leblon emprestado pelo banqueiro milionário Guilherme Paes.

Não sei e não vou investigar. Bastariam um ou dois telefonemas, mas não vou fazer isso. Sabem por quê? Porque o local exato onde o governador se recolhe depois do expediente não tem a menor importância diante de suas sucessivas pisadas de bola.

Favores de empreiteiros amigos

Ontem, terça, publiquei um post criticando o fato de Sérgio Cabral, já enrolado por receber favores de empreiteiros amigos que detêm contratos com o Estado, em alguns casos com dispensa de licitação, haver aceitado morar temporariamente, como era de conhecimento público, no apartamento do diretor do banco BTG Pactual, que é irmão do prefeito da capital, Eduardo Paes (PMDB).

Em seguida recebi notícias do Rio de que Cabral, diante da reação da mídia e de políticos de diferentes partidos, havia decidido instalar-se no Laranjeiras. Fui lá e mudei o post.

Quem pediu emprestado o apartamento foi o prefeito… Ah, bom!

Hoje, ouvi uma entrevista na CBN em que o prefeito Eduardo Paes, explicando o caso todo, reitera que Cabral está vivendo no apartamento do Leblon se sai com uma tirada de malandro de samba antigo: segundo Paes, seu irmão emprestou o apartamento para ele, prefeito. Aí, sim, tendo o apartamento do irmão em mãos, o prefeito, um perfeito cavalheiro, cedeu-o ao governador. Ah, bom! “E vou fazer outras vezes, se preciso”, vangloriou-se o prefeito.

Alguém está brincando com a nossa cara, amigos. Está mais do que claro que nem o governador nem o prefeito, alegadamente preocupados com a ética – é o que dizem… –, não têm a menor noção de que, no terreno de conflito de interesses, não basta não HAVER o conflito. É preciso também, diante da opinião pública, PARECER que ele não existe.

E volto a perguntar: custaria ao governador alugar um flat até dar um jeito na vida?

Fonte: Blog do Ricardo Setti

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