Cardozo concede a familiares de desaparecidos acesso irrestrito a documentos da ditadura militar
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, concedeu a um grupo de familiares de desaparecidos políticos acesso irrestrito aos documentos produzidos pela ditadura militar e que hoje estão guardados no Arquivo Nacional. Esta é a primeira vez que o governo libera consulta livre de terceiros aos registros da repressão. Até então as buscas estavam restritas a familiares de cada um dos mortos ou desaparecidos. A liberação dos papéis deve subsidiar a atuação do grupo na Comissão da Verdade, que deve ser criada ainda este ano pelo Congresso Nacional. [antes da criação da 'comissão da meia verdade', que dificilmente ocorrerá, já estão escalando os palhaços que a integrarão - mas, se o circo não for montado como os saltimbancos irão atuar? ou mesmo se esconder? esperamos para breve a nomeação de alguns caça ossos]
- Nós solicitamos ao ministro porque não tínhamos acesso para pesquisa do acervo que esta lá, seja da Abin ou dos outros órgãos. Cada um só podia acessar os seus dados e do seu familiar. Sem poder pesquisar. Foi uma conquista muito especial para nós - disse Suzana Lisbôa, uma das integrantes do grupo que fez o pedido ao ministro.
Em pouco tempo, Cardozo autorizou o acesso com o argumento de que "os requerentes representam grupos de perseguidos políticos do regime militar, bem como familiares de mortos e desaparecidos por agentes do Estado".
Cardozo sustenta ainda que integrantes da comissão "buscam identificar registros documentais que serviam como elementos de prova e informação para subsidiar defesa de direitos e que viabilizem a identificação de agentes públicos que tenham sido mandantes ou autores de atos lesivos aos direitos humanos". Pela portaria do ministro, terão acesso irrestrito aos arquivos, além de Suzana Lisbôa, Iara Xavier, Edson Luiz de Almeida, Criméia Alice Schimidt, entre outros familiares.
- O acesso a esses documentos é muito importante. Pelo acúmulo de informações que temos, um detalhe qualquer, que parece desinteressante para outra pessoa, pode nos ajudar a montar um quebra-cabeça - disse Iara Xavier.
O grupo deve se reunir nos próximos dias para traçar uma estratégia de busca e análise dos documentos. A ideia inicial é estabelecer objetivos comuns e, depois, dividir tarefas. Só este ano, o Arquivo Nacional abriu a consulta de mais de 50 mil documentos fornecidos recentemente pela Aeronáutica. Os papéis, com registros da força desde o final dos anos 50, foram abertos à consulta. Mas só familiares das pessoas citadas tiveram liberdade para manusear os documentos. A pilha de documentos do extinto SNI (Serviço Nacional de Informações ) é ainda mais abrangente.
- Queremos acesso a todos os documentos - disse Iara.
Fonte: UOL Notícias

0 comentários:
Postar um comentário