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domingo, 31 de julho de 2011

Racismo exclui atleta italiano de competição de ciclismo

Agressão racista tira ciclista italiano do Tour do Rio

O ciclista italiano Marco Coledan, da equipe Trevidiani, foi excluído do Tour do Rio, por uma decisão unânime dos responsáveis pela competição, após fazer agressões racistas contra o brasileiro Renato Santos, conhecido como Centenário, do clube DataRo de Ciclismo. O desentendimento aconteceu no sábado, durante a etapa de Teresópolis a Três Rios. Os dois vinham no mesmo pelotão, quando começaram a discutir.

O italiano, então, xingou o brasileiro. O atleta Murilo Ferraz, que é da equipe de Centenário e já morou na Itália, entendeu a expressão e traduziu para o colega. Coledan teria chamado Centenário de algo como "negro sujo". O brasileiro imediatamente comunicou ao comissário Felipe Augusto Cunha Almeida. [o que torna algumas leis brasileiras um verdadeiro absurdo é exatamente o excesso de rigor na sua aplicação, o que impede que circunstâncias específicas sejam levadas em conta - seja para atenuar ou agravar eventual punição:

- ocorreu uma discussão entre os dois atletas, sendo que a primeira ofensa partiu do brasileiro - o teor dessa ofensa ninguém se preocupou em conhecer, nem mesmo o 'informante' Murilo;

- em uma atitude típica da quase totalidade dos seres humanos, especialmente no calor de uma competição, o italiano revidou com uma expressão que no seu país não tem conotação racista e que foi proferida em italiano - o que reduziu, em muito, o seu eventual potencial ofensivo e as possibilidades de ser entendida.

O ocorrido suscita uma pergunta: se na próxima Copa, a China participar e um atleta chinês xingar em mandarim um atleta brasileiro, afrodescendente, com uma expressão que possa ser considerada racista e houver por perto um 'murilo' que entenda chinês e traduza a expressão o autor do xingamento deve ser punido? mesmo que só ele e o 'murilo' tenham entendido a expressão, que na China é usada sem sentido racista.]

O diretor geral da prova e representante da União Ciclística Internacional (UCI), o canadense Adrian Levesque, foi informado do ocorrido pelo colégio de comissários. Ele entendeu que existe uma regra que permitia excluir o italiano da prova. Como não houve agressão física, não caberia outra punição. Os comissários acharam também que seria prudente tirar Coledan do Tour já que poderia haver uma tentativa de represália na etapa deste domingo contra o italiano.

O técnico da equipe italiana, Mirko Rossato, tentou minimizar o episódio: - Ele (Coledan) brigou com o atleta brasileiro como ocorre em qualquer corrida. Mas, essa decisão de exclusão foi da organização e nós aceitamos. Quem ofendeu primeiro foi o brasileiro, e ele respondeu. Só que com uma palavra que não se usa no Brasil, mas que não tem qualquer importância em italiano.

Já Centenário disse que considerou justa a decisão da exclusão do italiano da prova e afirmou que não pretende processá-lo judicialmente: - Ele me ofendeu com palavras racistas, uma coisa que não pode acontecer. Eu contei para os comissários e queria que acontecesse isso (a punição). O que aconteceu é inadmissível. Briga pode ser, mas não racismo. Ainda mais no Brasil, um país onde lutamos muito contra isso.

Neste domingo, os atletas largaram da etapa de Rio das Ostras às 7h. Eles seguem para o Rio, onde devem chegar às 11h na Quinta da Boa Vista. O colombiano Juan Soares, da EPM, é o líder geral da competição, que começou na quarta-feira.

Fonte: O Globo

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