Procurador-geral pede a condenação de 36 réus do mensalão
[Senhor Procurador, consiga dez anos de prisão para o Zé Dirceu e que ele cumpra, em regime fechado, pelo menos dez meses;
conseguindo isso o senhor pode se candidatar a senador da República por qualquer estado brasileiro e será eleito.]
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu nesta quinta-feira a condenação de 36 réus do mensalão. O jornal Folha de S. Paulo teve acesso ao parecer do procurador, de 390 páginas, que conclui que ficou comprovada a existência de um esquema montado pelo PT para compra de votos dentro do Congresso Nacional. “O Ministério Público Federal está plenamente convencido de que as provas produzidas no curso da instrução, aliadas aos elementos obtidos no inquérito, comprovaram a existência do esquema de cooptação de apoio político descrito na denúncia”, escreveu Gurgel.
O parecer pede que o publicitário Marcos Valério seja condenado a até 527 anos de prisão. O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pegariam até 111 anos de prisão. Segundo Gurgel, as provas comprovam que Dirceu era o “chefe da quadrilha”, e cooptou outros parlamentares. O parecer também pede a condenação de José Genuíno, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto, Duda Mendonça e Roberto Jefferson, ente outros. [o perigo da impunidade está justamente em Valdemar Costa Neto e João Paulo Cunha serem condenados; os dois são os únicos que possuem foro privilegiado – são deputados federais – e se renunciarem ao mandato, imediatamente o processo sai do SRF e recomeça tudo de novo e os crimes prescreverão.
O Valdemar é um ‘frouxo’ e renuncia a qualquer momento – já tem experiência no assunto e inclusive o TSE não explicou porque tentou melar a posse do Jáder Barbalho devido uma renúncia ocorrida há mais de dez anos e não impediu o Valdemar de ser eleito deputado – se o Barbalho, devido à renúncia, é ‘ficha suja’ o Costa Neto também renunciou.
O João Paulo Cunha é pau mandado do ex-guerrilheiro Dirceu, basta que o chefe mande e ele renuncia.
IMPUNIDADE À VISTA!]
Gurgel também pede a absolvição de dois réus: o ex-ministro da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken, e o ex-assessor Antônio Lamas.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ontem ao STF (Supremo Tribunal Federal) a condenação de 36 réus por envolvimento no esquema do mensalão. Somadas, as penas máximas chegariam a 4,7 mil anos de prisão.
O parecer de 390 páginas, ao qual a Folha teve acesso, é a última peça a ser enviada por Gurgel antes do julgamento do caso, denunciado em 2006 por seu antecessor, Antonio Fernando Souza.
Mesmo que o STF opte pelas condenações máximas, a legislação limita o cumprimento de pena a 30 anos, além de estabelecer regras para que os condenados diminuam suas penas. Os réus sempre negaram a existência do esquema. Depois de mais de cinco anos de processo, em que foram realizadas diversas perícias e tomadas centenas de depoimentos, o procurador-geral concluiu que ficou comprovada a existência do esquema criminoso, revelado pela Folha em 2005.
O STF não estabeleceu prazo para o julgamento. O processo do mensalão é um dos mais complexos que a Corte já recebeu. "Foi engendrado um plano criminoso voltado para a compra de votos dentro do Congresso Nacional. Trata-se da mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber", escreveu Gurgel sobre a suposta distribuição de dinheiro em troca de apoio político ao governo do ex-presidente Lula.
Segundo o parecer, o grupo "agiu ininterruptamente" "entre janeiro de 2003 e junho de 2005 e era dividido em núcleos específicos, cada um colaborando com o todo criminoso em busca de uma forma individualizada de contraprestação".
Marcos Valério é apontado como "líder do núcleo operacional e financeiro" e José Dirceu, como "chefe da quadrilha", reeditando a expressão usada por Antonio Fernando Souza na denúncia. "Marcos Valério, na condição de líder do núcleo operacional e financeiro, foi juntamente com José Dirceu, pessoa de fundamental importância para o sucesso do esquema ilícito de desvio de recursos públicos protagonizado pelos denunciados", afirma o documento. Segundo Gurgel, o esquema tinha por objetivo, "mais do que uma demanda momentânea (...), fortalecer um projeto de poder do PT de longo prazo".
Sobre Dirceu, ele escreveu: "Partindo de uma visão pragmática, que sempre marcou a sua biografia, José Dirceu resolveu subornar parlamentares federais, tendo como alvos preferenciais dirigentes partidários de agremiações políticas". "A força do réu é tão grande que, mesmo depois de recebida acusação por formação de quadrilha e corrupção ativa pelo pleno do STF, delitos graves, ele continua extremamente influente dentro do PT, inclusive ocupando cargos formais de relevo", concluiu o procurador.
Fonte: Folha de São Paulo

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