Autor de duplo atentado a Oslo também teme sofrer tortura na prisão
O autor confesso do massacre em Oslo, Anders Behring Breivik, pensou que seria alvo de tiros durante a sua transferência ou em sua chegada ao tribunal nesta segunda-feira, segundo seu advogado. Dois noruegueses atingiram o carro em que o suspeito estava com chutes e socos e o insultaram. "Ele disse em várias oportunidades que achava que ia ser abatido", declarou seu advogado Geir Lippestad, à televisão pública norueguesa NRK.
Nesta segunda-feira, Breivik compareceu a sua primeira audiência na Justiça, na qual admitiu a autoria dos atentados, mas disse se considerar inocente porque pretendia apenas “defender o seu país e a Europa do Islã e do Marxismo”. Também disse que o objetivo dos ataques não era deixar o maior número possível de vítimas e referiu-se à existência de "outras duas células" em sua organização, sem especificar qual seria esse grupo. O juiz decretou a sua prisão preventiva por oito semanas, o que não surpreendeu o atirador. "Não ficou surpreso, levou as coisas calmamente", declarou Lippestad.
Segundo o advogado, Breivik está totalmente desconectado com o país onde vive. "Há uma concepção da realidade completamente diferente dos outros noruegueses", disse o advogado à NRK. "Por exemplo, ele acredita que a tortura existe (na prisão) na Noruega".
Manifesto
Em seu manifesto de 1500 páginas divulgado no Facebook, o autor do atentado de Oslo também fala sobre tortura. Referindo-se à organização secreta espelhada nos antigos cavaleiros medievais da qual afirma participar, ele explica que um templário só tem a permissão para se suicidar se for para escapar da tortura ou da execução a que for submetido depois de capturado.
Segundo ele, um templário prefere a morte em batalha ou como efeito colateral dos ataques que realiza. Assim, ele rejeita o suicídio, diferentemente do sugerido por seu próprio pai, Jens Breivik, que disse nesta segunda-feira que seu filho deveria ter se suicidado ao invés de matar 76 pessoas.
Fonte: AFP


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