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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

01, o Caveira 37, Pediu pra sair. Situação do comandante da PMERJ, coronel Mário Sérgio Duarte, ficou insustentável

Substituição

Coronel Erir Ribeiro da Costa Filho é o novo comandante da PM

O coronel Erir Ribeiro da Costa Filho é o novo comandante da Polícia Militar. A decisão foi tomada na tarde desta quinta-feira, durante uma reunião entre o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, subsecretários e assessores diretos para escolher o sucessor do coronel Mário Sérgio Duarte, que deixou o cargo na noite desta quarta-feira. A coronel Kátia Boaventura foi escolhida subcomandante administrativa e o coronel Alberto Pinheiro Neto será o subcomandante operacional, no lugar do coronel Álvaro Garcia, que exercia interinamente o comando da corporação.

O coronel Erir da Costa Filho chegou a ser exonerado em 2003, após acusar o deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB) de pedir uma trégua no combate ao tráfico de drogas na comunidade. Após quatro anos em funções administrativas, ele assumiu, em 2007, o comando do Batalhão de Choque. Em julho de 2009, passou para o 2º Comando de Policiamento de Área, na Zona Oeste. Kátia Boaventura tem 28 anos de PM e comandava a Academia da Polícia Militar. Alberto Pinheiro Neto, de 47 anos, comandou o Batalhão de Operações Especiais (Bope) em 2007 e foi promovido a coronel em 2009.

Coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, novo comandante da PM. Foto: Jorge William - O Globo (arquivo)

O governador Sérgio Cabral evitou falar sobre a crise na Polícia Militar nesta quinta-feira, durante o lançamento do Programa Renda Melhor Jovem. Cabral chegou ao Teatro Carlos Gomes, no Centro, por volta de 10h30m, e entrou no prédio pela porta lateral, evitando encontrar os jornalistas que o aguardavam na porta principal. Na saída, por volta de meio-dia, o governador deixou novamente o teatro pela porta lateral e não atendeu aos pedidos dos jornalistas para conceder uma entrevista.

O ex-comandante-geral da PM, coronel Mario Sergio Duarte, afirmou, na manhã desta quinta-feira, em entrevista à Bandnews FM, que seu pedido de exoneração, feito ontem à Secretaria de Segurança, nada mais foi do que o cumprimento de seu dever moral. - Não há nenhuma outra alternativa do que assumir a minha responsabilidade pela escolha do comandante. Esse é um ato moral que me cabe, o papel do funcionário público. Essa é minha forma de dizer que minha proposta de ter uma PM com respeito ao cidadão deve envolver todos os escalões: o soldado que está na ponta e também os altos escalões, como a minha pessoa. Por isso, solicitei minha exoneração. Não gostaria de fazer isso, neste momento em que estou acamado e não posso vir a público, mas é meu dever moral - afirmou o coronel.

Mario Sergio Duarte, que se recupera de uma cirurgia na próstata, entregou seu pedido de exoneração ontem, dois dias depois da prisão do tenente-coronel Claudio Luis Oliveira, ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), suspeito de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli.

Sobre a escolha de nomear o tenente-coronel Cláudio - que responde a 12 processos administrativos - para o comando do 22º BPM (Maré), Mario Sergio Duarte disse que sempre há risco de erros neste tipo de escolha: - Por mais que tenhamos precaução na hora da escolha, nós pesamos todas as informações. Mas sempre vai haver uma possibilidade de erro na nossa escolha mesmo de policiais com a ficha completamente limpa. O coronel Claudio foi o terceiro comandante do Batalhão de São Gonçalo na minha gestão, e ele vinha obtendo redução dos índices de criminalidade. Mas o processo de escolha de comandantes é extremamente penoso. O que não pode depois é dizer: "eu não sei, eu não vi, eu fui traído". A responsabilidade é minha. Sobre seu substituto, Mario Sergio não deu detalhes, mas desejou sorte: - Não sei quem será o novo comandante, mas desejo o melhor.

Em nota, a Secretaria de Segurança informou que Mário Sérgio enviou uma carta ao secretário José Mariano Beltrame reconhecendo "o equívoco" de ter nomeado o tenente-coronel Cláudio para o 7º BPM (São Gonçalo), o primeiro cargo de comando dado ao oficial, que está preso desde quarta-feira em Bangu 1 com outros sete PMs. Na carta com o pedido de exoneração, enviada a Beltrame pelo Black Berry do hospital onde está internado, se recuperando de uma cirurgia na próstata, ele disse estar "ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha". "Sobre o caso particular que me impõe esta decisão, o indiciamento do tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da juíza Patrícia Acioli, e sua consequente prisão temporária, devo esclarecer à população do Estado do Rio de Janeiro que a escolha do seu nome, como o de cada um que comanda unidades da PM, não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim", escreveu Mário Sérgio.

A exoneração, pedida, segundo a nota da secretaria, "em caráter irrevogável", aconteceu um dia depois de Beltrame ter afirmado, em entrevista coletiva, que Mário Sérgio gozava de sua "plena confiança". Ainda segundo o texto, o secretário lamentou a saída do oficial.

Fonte: O Globo

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