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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Abbas pede formalmente reconhecimento de Estado à ONU e diz que chegou hora da Primavera Palestina

"Chegou a hora da Primavera Palestina", diz Abbas na ONU

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu nesta sexta-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o reconhecimento imediato do Estado palestino como membro pleno da entidade.


Abbas fez um discurso veemente, que foi interrompido em diversos momentos para ser aplaudido de pé pela grande maioria do plenário da Assembleia Geral da ONU. "Chegou a hora da 'Primavera Palestina'", disse Abbas, em referência aos movimentos populares conhecidos como "Primavera Árabe" - que derrubaram os governos da Tunísia, Egito e Líbia e levaram multidões às ruas em outras nações árabes. "Chegou a hora de o mundo dizer se quer que a ocupação israelense continue", disse. "Chegou a hora do povo palestino ser livre e independente. Chegou a hora de o nosso corajoso povo viver como qualquer outro no mundo", acrescentou Abbas, que entregou momentos antes de seu discurso uma aplicação formal à ONU pessoalmente ao secretário-geral da entidade, Ban Ki-Moon. "A capital será Al Quds Al Sherif", o nome em árabe de Jerusalém, disse Abbas. Ele pediu a "todos os membros do Conselho de Segurança para votar a seu favor", e que o futuro Estado palestino tenha as fronteiras anteriores a 4 de junho de 1967, o que inclui Cisjordânia, Jerusalém Oriental (onde vive quase meio milhão de colonos israelenses) e Faixa de Gaza.


Abbas afirmou que a decisão de pedir o reconhecimento do Estado palestino não é uma medida unilateral e não tem o objetivo de isolar Israel, mas é uma confirmação de fé no direito internacional, que não estaria sendo respeitado por Israel. "Um ano atrás, todos tinham grande esperança para uma nova rodada de negociações, (...) mas essas negociações falharam esmagadas pelo governo israelense", afirmou Abbas.


Ele disse que a ANP está disposta a retomar imediatamente as negociações. "Em nome de todos os palestinos, estou aqui para dizer que nós estendemos nossa mão para o povo israelense e para o governo israelense para negociação. Vamos construir a ponte para o diálogo, em vez de muros e isolamento", afirmou Abbas.


O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, discursa ante o plenário da Assembleia-Geral da ONU
Foto: AP


O presidente da ANP também afirmou que as forças ocupantes mantêm um rígido bloqueio à Gaza e condenou a falta de repressão à ação de milícias israelenses. "Nos últimos anos, aumentaram as atividades criminais de milícias de colonos israelenses em território palestino", disse. Segundo ele, os assentamentos são o maior desafio para a paz e devem ser interrompidos "imediatamente". Abbas encerrou o seu discurso dizendo que "esse é o momento do renascimento da Palestina"

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu formalmente às Nações Unidas, nesta sexta-feira, que reconheçam de forma plena o Estado palestino, que incluiria Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental.

O pedido foi entregue ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, antes de seu discruso (veja como foi) na Assembleia Geral. Ovacionado ao subir ao púlpito e aplaudido de pé várias vezes durante seu pronunciamento, Abbas ressaltou os problemas palestinos, a intensificação das "ocupações" e condenou a "política colonialista de Israel". - Chegou o momento de nossos homens, mulheres e crianças voltarem à vida normal. De estudantes irem para escolas e universidades sem pararem em postos de controle - afirmou Abbas. - Chegou o momento da Primavera Palestina.

O presidente da ANP disse ainda que os palestinos estão prontos para voltar às conversas com base "nos termos de referência", uma menção às bases de negociações estabelecidas internacionalmente que condenam os assentamentos israelenses. - Nosso povo está esperando a resposta do mundo. Vocês vão autorizar Israel a manter a ocupação? - continuou o presidente palestino. Pouco depois, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rebateu as críticas, falando diante de um plenário desfalcado. Enquanto Abbas atribuiu a responsabilidade pelo fracasso das negociações à política israelense, Netanyahu repetiu Obama, dizendo que "a paz não virá por resoluções da ONU", e disse que Israel fez sua parte. - A verdade é que Israel quer a paz, eu quero a paz - afirmou, em meio a duras críticas ao controle do grupo islâmico Hamas. - Israel está pronto para um Estado palestino na Cisjordânia, mas não para outra Gaza. [PARA Israel só interessa a PAZ no modelo israelense: confinando o POVO PALESTINO em seu próprio território, tendo o POVO PALESTINO, em seu próprio território, invadido por Israel, menos direito de ir e vir do que os invasores israelenses.]

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, não acompanhou o discurso. Ela também estava ausente durante o pronunciamento de Abbas, quando ficou nos bastidores com Netanyahu. Saudado na ONU, o discurso de Abbas também despertou críticas em Israel, como esperado, e entre os palestinos. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, afirmou estar surpreso com o presidente da ANP. Lieberman, que abandonou a Assembleia enquanto Abbas falava se justificou afirmando que "houve um discurso difícil demais". - Não me irritei. Foi um discurso de incitação como nunca vi de Abbas. Não vi nenhuma esperança.

Em Gaza, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, achou o discurso fraco. - Foi sentimental. O plano de Abu Mazen não tem qualquer legitimidade - disse Zuhri, fazendo referência ao apelido de Abbas.

Abbas cumpriu o prometido apesar da imensa pressão de Israel e do governo americano, que deve vetar a proposta no Conselho de Segurança. Se, como o esperado, a proposta for vetada, os palestinos devem ir diretamente à Assembleia Geral da ONU - o processo inteiro pode demorar meses ainda.

Apesar de só o Conselho de Segurança poder aprovar o reconhecimento pleno da Palestina, a maioria de dois terços da Assembleia Geral da ONU pode promovê-la ao status de observador. A ANP deixaria de ser uma entidade para ser um "Estado não membro", como o Vaticano. [se percebe que o próprio estatuto da ONU contraria o bom senso e entrega aquela organização e o mundo aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – já que cada um deles, pode com o poder de veto, controlar a ONU. O natural, normal, sensato é que a Assembléia-Geral seja o órgão máximo da ONU - como é em qualquer organismo colegiado – e às suas decisões o CS se submeta.

Pergunta-se: para que a ONU? Se as decisões de mais de 120 países podem ser canceladas por um único voto emitido por um dos cinco DONOS DO MUNDO.

Nos moldes atuais se reúnem mais de 150 países, todos estados-membros da ONU e nada podem decidir, já que qualquer decisão poderá ser anulada por um único voto proferido pela Chia, ou pelos EUA, ou França, ou Inglaterra ou Rússia. Extinga-se a ONU e passe os atuais cinco membros permanentes do CS a comandarem o mundo.]

Os palestinos esperam que um reconhecimento pleno ou parcial de um Estado independente possa dar a eles o poder de submeter o governo e autoridades israelenses a tribunais de crimes de guerra ou processá-los de acordo com outras leis internacionais. [os palestinos querem apenas e tão somente o DIREITO de levarem seus algozes aos tribunais internacionais, querem apenas o DIREITO de acionar a Justiça, da mesma forma que qualquer cidadão norte-americano tem de acionar a Justiça quando se sente tolhido na sua liberdade, nos seus direitos.]

Fonte: Portal Terra

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