[por algum tempo os bailes fuk precisam ser proibidos, já que além de serem locais onde ocorrem diversos tipos de crimes, são naqueles bailes que surgem as maiores possibilidades de marginais confrontarem, muitas vezes usando a população, as forças de segurança.
A suspensão total dos BAILES FUNK por um longo período de tempo será uma demonstração de força dos militares e extremamente didática para mostrar aos moradores quem manda.]
Em entrevista coletiva, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, confirmou que traficantes entraram no Alemão na noite de ontem. Beltrame não quis revelar o número de bandidos nem o lugar de onde vieram, embora, segundo ele, o setor de inteligência da secretaria tenha essas informações.
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Beltrame acredita que, com o reforço no policiamento, os bandidos já devem ter saído do complexo. Para o titular do Comando Militar do Leste, general Adriano Pereira Júnior, a confusão de ontem entre moradores e militares foi orquestrada pelo tráfico. O comandante da PM, coronel Mário Sérgio, tem a mesma opinião. - Ficou claro para a população que aquele tumulto foi planejado pelo tráfico - disse Mário Sérgio.
O general Adriano informou que quatro militares envolvidos no confronto com moradores foram afastados, e foi aberto um inquérito para apurar as responsabilidades. Ele acrescentou que mais cem homens do Exército chegaram ao complexo, e outros 200 estão à disposição para se juntar à Força de Pacificação nos próximos dias. Nesta tarde, parte da tropa do Exército está na esquina da Rua Joaquim de Queiroz com a Avenida Itararé, que dão acesso ao Alemão. No fim da rua, traficantes fizeram uma barricada com ralos de ferro arrancados do chão, para evitar a entrada de carros. No momento em que os militares se posicionavam, fogos de artifício foram lançados no alto do morro.
Segundo o Relações Públicas da Força de Pacificação, major Marcus Vinícius Bouças, 1.700 homens do Exército ocupam as comunidades dos complexos do Alemão e da Penha. O reforço recebido após o início dos confrontos na área foi de cem homens da Companhia de Cavalaria do Exército. "A medida de ocupar o Adeus e a Baiana acontece em razão de não ter tropas federais lá, e serem ambos locais com comandamento - ou seja, visão de cima para baixo - portanto, facilitadores de agressão (tiro, arremesso de objetos etc.) contra as tropas que patrulham a Avenida Itararé", diz trecho da nota assinada pelo comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte.
Nesta manhã, militares que ocupam o complexo recolheram na Rua Nova - um dos acessos à Favela da Grota - uma bomba de fabricação caseira que não havia sido detonada. De acordo com os agentes, o artefato foi jogado contra eles na noite de terça-feira, em que houve intenso tiroteio no Alemão. Militares da Força de Pacificação interromperam o tráfego de veículos na Estrada do Itararé, na altura da Avenida Itaoca. O clima foi de tensão durante toda a noite na sede da tropa na base do morro.
Depois do tiroteio de ontem, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) - integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa - foi nesta quarta-feira ao Complexo do Alemão para conversar com moradores sobre os problemas entre a comunidade e os soldados do Exército. Segundo ele, a presença dos militares não justifica a ausência do estado em ações como postos médicos e outras ações sociais. - O Exército está atuando como força de polícia. Quero saber o que vai ser feito após a saída do Exército, que ações estão previstas para este local - afirmou Freixo, que pretende convocar uma audiência pública para cobrar responsabilidades do estado.
Técnicos da SuperVia, que administra o teleférico do Alemão, também começaram a fazer uma inspeção rigorosa no sistema de transporte da comunidade, para verificar se não houve danos causados pelos tiros. Por volta das 21h20m desta terça-feira, dois veículos blindados do Exército e diversos carros da PM entraram na comunidade para reforçar a ocupação. Um "caveirão" do Batalhão de Operações Especiais (Bope) também chegou ao local. Balas traçantes foram vistas da parte baixa da favela. Segundo policiais de plantão no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, um homem identificado apenas como Luiz, de 47 anos, foi atingido na cabeça por estilhaços de granada quando estava na Avenida Itaoca, na noite desta terça-feira.
Em nota, a Secretaria de Segurança diz que a reação dos criminosos foi motivada pelo fechamento de uma revenda clandestina de gás que pertenceria ao irmão do traficante Marcinho VP, no Alemão. Outra informação que também teria irritado os traficantes foi a decisão de ampliar o tempo de permanência do Exército no Complexo do Alemão.
Após o tiroteio, o policiamento no Complexo do Alemão e no entorno foi reforçado. Em nota, o Exército informou que a tropa recebeu o apoio de uma companhia de fuzileiros navais, com cerca de cem homens.
Fonte: O Globo

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