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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Cada vez mais isolado, Israel tem que conviver com a revelação das atrocidades que pratica contra o POVO PALESTINO há mais 60 anos

Cada vez mais isolado, Israel tenta lidar com a “primavera egípcia”

Os eventos da madrugada de sexta-feira para sábado no Egito, quando manifestantes invadiram a embaixada de Israel no Cairo, e botaram fogo na bandeira israelense, ainda ecoam dentro de Israel. Como em 1979, ano em que a Revolução Islâmica tomou o poder no Irã, Israel precisou de ajuda dos Estados Unidos para tirar seus diplomatas do Egito.

O evento reforçou a impressão dos analistas que tendem a crer que a única alternativa para as ditaduras nos países árabes são regimes teocráticos radicais, como o do Irã. O colunista Yigal Walt, do Ynet News, a versão em inglês do Yedioth Ahronoth, é um deles. Walt afirma que a região não está preparada para a democracia e que a Primavera Árabe logo se transformará em um “inverno radical islâmico”. Para ele, o que ocorreu no Cairo é fruto unicamente de problemas internos do Egito.

O especialista em temas árabe Guy Bechor nota que o cerco e quase linchamento na embaixada de Israel no Cairo é, primeiro e principalmente, um assunto doméstico, refletindo a grande deterioração das ruas do Egito. A orgia de violência e ilegalidade que testemunhamos marca a ascensão de islamistas e homens violentos e o declínio da habilidade do Estado de impor a lei e a ordem.

A opinião de Walt parece ser semelhante à do governo do premiê Benjamin Netanyahu, e contrastante com a de seus adversários. No sábado, Aluf Benn, colunista do Haaretz e severo crítico de Netanyahu, afirmou que o premiê “nada fez para mitigar” a indignação contra Israel. O país é tradicionalmente o bode expiatório dos governos árabes, mas no mês passado o Exército israelense matou cinco soldados egípcios, e se recusou a pedir desculpas.

Reportagem do jornal The New York Times nota que os protestos de sexta não tiveram a presença de grupos religiosos, mas sim de torcidas organizadas de futebol, e mostra que o Partido do Trabalho de Israel, opositor de Netanyahu, está questionando seu governo de forma cada vez mais clara. Daniel Ben-Simon, membro do parlamento do esquerdista Partido do Trabalho, disse que o governo de Netanyahu estava no caminho “não só do isolamento diplomático, mas de, na verdade, colocar os israelenses em perigo. (…) “

O mundo está cansado deste conflito e bravo conosco porque somos vistos como conquistadores, dominando um outro povo [referência aos palestinos], disse Binyamin Ben-Eliezer, membro do Partido do Trabalho e ex-ministro da Defesa. “Se eu fosse Netanyahu, reconheceria o Estado palestino. Nós então negociaríamos as fronteiras e a segurança. Em vez disso, nada está sendo feito. Estamos com apenas um aliados, os Estados Unidos, e essa relação está desgastada também.”

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