A prioridade é a ditadura militar de 1964
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) será o relator do projeto que cria a Comissão da Verdade na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado. Para integrantes do governo Dilma, não importa o texto falar em investigações a partir de 1946, pois os trabalhos vão se concentrar no período após o AI-5. “O ex-ministro de Direitos Humanos Nilmário Miranda defende que o prazo seja a partir de 1961."
"Panorama Político - O Globo - Ilimar Franco - 27/09/2011
Observação do site: A Verdade Sufocada
É lamentável que, para integrantes do governo Dilma, os trabalhos tenham que se concentrar no período após o AI-5, pois a promulgação do AI-5 , no dia 13 de dezembro de 1968, foi um imperativo em consequência da onda de atos de extrema violência que aterrorizavam o país.
A situação era preocupante, pois os subversivos-terroristas, até o final de 1968, assaltaram, aproximadamente, 200 bancos e alguns carros fortes de empresas pagadoras;
- encaminharam 300 militantes para cursos em Cuba e na China;
- sabotaram linhas férreas;
- assaltaram quartéis para roubar armas;
- explodiram sete bombas em Recife, inclusive uma no Aeroporto de Guararapes, com dois mortos e 13 vítimas gravemente feridas;
- seqüestraram o embaixador americano;
- “justiçaram” dois militares estrangeiros que faziam curso no Brasil (o capitão do Exército americano Charles Chandler, e o major alemão Edward Ernest Tito Otto M Von Westernhagen;
- roubaram grande quantidade de explosivos em pedreiras;
- explodiram dezenas de bombas no Rio e em São Paulo (entre elas uma no Quartel General do II Exército, matando o soldado Mário Kosel Filho e ferindo mais cinco militares);
- incendiaram várias radiopatrulhas;
- paralisaram praticamente as universidades;
- organizaram passeatas com mortos e quebra-quebras eram quase diários promovidos por movimentos de militantes de organizações subversivo-
- o número de mortos da insensatez dessa guerrilha urbana já era grande: 19 pessoas, sendo 9 mortos em passeatas, 2 estudantes, alguns policiais civis, e cidadãos trabalhadores de profissões diversas.
Mas, essa atitude de focar a Comissão da Verdade no período pós 1964 era previsto. Primeiro porque as razões que levaram a sociedade a se unirem aos militares para a deposição de João Goulart não serão abordadas. Segundo porque, como eles ouvirão apenas os agentes do Estado, os crimes cometidos pelas organizações terroristas e que geraram reações mais severas para reprimí-los, serão, se lembrados, justificados como uma "reação á truculência dos gorilas fardados” e o tema abordado será apenas o que interessa a eles: a TORTURA a pobres "estudantes e intelectuais desarmados".
Novamente, os "heróis que lutaram contra a ditadura em defesa da liberdade", serão eles! E, as Forças Armadas, representadas nas pessoas de alguns "bodes expiatórios”, sairão divididas entre "militares de ontem e militares de hoje", slogan que vem sendo usado pelos 'rasputins" que hoje estão no poder.
A finalidade da Comissão da Verdade não é esclarecer ao povo a História desse período negro de nossa História, mas dividir e enfraquecer, perante a opinião pública, uma das Instituições mais respeitadas do país.
Fonte: A Verdade Sufocada

0 comentários:
Postar um comentário