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sábado, 24 de setembro de 2011

Desafio para a Polícia: limpar a PM do Rio dos grupos de extermínio

Quando o policial é o bandido

O fim do inquérito sobre o assassinato da juíza Patrícia Acioli lança um desafio: eliminar os grupos de extermínio da PM do Rio

A investigação do assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta aos 47 anos com 21 tiros no início de agosto, em Niterói, Rio de Janeiro, concluiu que o crime foi cometido por três policiais militares do 7o Batalhão de São Gonçalo, município da região metropolitana onde a magistrada atuava. A informação de que a Delegacia de Homicídios suspeitava do envolvimento dos três policiais foi revelada por ÉPOCA há quatro semanas. A reportagem revelou que grupos de extermínio formados por policiais eram combatidos pela juíza. Patrícia estava no encalço de seus assassinos.

O desfecho do inquérito abre um desafio maior para a Secretaria de Segurança do Rio: limpar a PM dos grupos de extermínio. No início do ano, um relatório sobre o tema foi enviado pela Polícia Federal (PF) à cúpula da Secretaria de Segurança. A PF investigava o desvio de armas para o tráfico e esbarrou em casos de execução cometidos por policiais. Como a apuração de homicídios cabe à Polícia Civil, o relatório foi entregue ao secretário José Mariano Beltrame. Questionada sobre o assunto, a assessoria de Beltrame informou que ele ainda não pode falar por haver “desdobramentos em curso”.

Grupos de extermínio são um problema endêmico na polícia fluminense. Na quinta-feira, a Promotoria denunciou outros quatro PMs pelo assassinato do garoto Juan Moraes Neves, de 11 anos, em junho, numa favela em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Os policiais teriam simulado um tiroteio para executar supostos traficantes. O menino e um rapaz de 17 anos foram mortos na ação. Na semana anterior, o Ministério Público já pedira a prisão de 28 policiais do 7o Batalhão pela suspeita de ter cometido homicídios descritos em “autos de resistência”, situação em que o PM afirma que matou porque o acusado reagiu.

Segundo a investigação sobre o assassinato da juíza, o tenente Daniel Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Junior e Jefferson de Araújo Miranda se dividiram para cometer o crime. Lopez e Junior, diz o inquérito, aguardaram Patrícia na saída do Fórum e seguiram-na de moto até a porta de sua casa, onde foi morta. Miranda deu cobertura num carro. Os três negam o crime, segundo seus advogados.

A Delegacia de Homicídios afirma que os PMs mataram a juíza para evitar que fossem mandados à prisão pelo assassinato de um jovem de 18 anos, em junho, numa favela de São Gonçalo. Eles só não sabiam que, horas antes de ser morta, a juíza já decretara a prisão deles e de outros cinco PMs pelo homicídio do rapaz. Até sexta-feira, o crime não fora totalmente desvendado. Embora os PMs já estivessem atrás das grades, a polícia ainda procurava um acusado de ser o mandante.

O 7o Batalhão da PM em São Gonçalo, pelo menos, já começou a passar por uma devassa. Logo após a prisão dos três policiais, a Delegacia de Homicídios fez buscas no quartel e apreendeu cerca de 700 pistolas. As armas serão periciadas, e isso permitirá saber se entre elas estão as que dispararam contra Patrícia. Os PMs receberam novos armamentos para continuar trabalhando. [se os PMs acusados do assassinato da juíza Patrícia tiverem utilizados armas da corporação, a eles acauteladas, para assassinar a magistrada, será mais uma parcela da imensa asneira que fizeram (os asnos que nos perdoem), sendo a outra parcela o fato de terem matado a juíza para não terem a prisão decretada - será que na cabeça deles, a prevalecer o entendimento da DH, só a juíza Patrícia poderia decretar a prisão deles???

dificil de acreditar que tenham tão estúpido entendimento - já que a tendencia natural era a de sendo a juíza assassinada, como de fato foi, se tornar praticamente líquida e certa a decretação da prisão deles por outro juiz.

Outro ponto que não bate é que há suspeitas de que os mesmos fizeram o levantamento da vida da juíza Patrícia em julho - incluindo levantamento do local do possível assassinato - e a prisão deles foi decretada por um suposto homicidio ocorrido em fins de junho - um rapaz de 18 anos morto durante resistência á ação policial.

Fica a dúvida: no inicio de julho, os PMs já sabiam que a juíza Patrícia iria decretar a prisão preventiva deles??? pela pratíca do homicidio acima citado, do qual eram eles, os PMs, acusados - lembrando que no inicio de julho o inquérito ainda estava na fase inicial???

São muitas pontas soltas que ou indicam extrema burrice, contraditoriamente aliada a grande clarividência, dos policiais militares ou então precipitação da DH em apresentar culpados, dada a grande repercussão do assassinato da juíza Patrícia Acioli.]

Fonte: O Globo

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