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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Exército resolve levar com força total erradicação do tráfico no 'complexo do alemão'

UPP do Alemão será instalada em março de 2012, diz Beltrame

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse em entrevista à Rádio CBN nesta quinta-feira, dia 8, que a Unidade de Polícia Pacificadora do Complexo do Alemão começará a ser instalada em março de 2012. O secretário afirmou que a UPP terá 9 bases administrativas e um efetivo de 2,2 mil homens. A instalação da UPP se dará de forma gradativa, e a presença do Exército nas favelas da região não está descartada.


“[Serão] 500 homens em março, 500 em abril, 500 em maio e 700 em junho, mas a manutenção do Exército naquela área, no nosso entendimento, é muito maior que isso. (…) O Exército veio, nos ajudou e está ajudando. Por que desfazer essa parceria? A permanência [do Exército] lá nos permite devolver policiais para o interior, nos permite fazer alguns remanejamentos , botar alguns policiais em estágio em outras UPPs e atender o Alemão a partir de março dentro desse cronograma.”


Segurança é reforçado no entorno do Complexo do Alemão depois de noite de confrontos (Foto: Vladimir Platonow/ABr)


Ontem, o Exército anunciou o envio de mais 200 militares para reforçar a ocupação do Complexo do Alemão. Outros 100 fuzileiros já haviam sido enviados. Na noite entre os dias 6 e 7 de setembro um intenso tiroteio assustou moradores da região. Balas traçantes foram vistas no céu durante toda a madrugada e, segundo o comandante da operação, o tiroteio se deu porque traficantes de comunidades vizinhas tentaram controlar o comércio de drogas na região e foram expulsos.



Exército enviará reforço para o Complexo do Alemão

Beltrame e general afirmam que tiroteio no complexo foi causado por traficantes de fora que chegaram a entrar nas favelas da comunidade

O Exército vai enviar um reforço de 200 militares para o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, em resposta aos conflitos da noite de terça-feira (6) no conjunto de favelas. O efetivo, que está à disposição do comando da operação e só aguarda o pedido para se dirigir ao local, vai complementar o adicional de 100 fuzileiros já enviados pelo Exército.


Além disso, as comunidades da Baiana e do Adeus e mais 11 pontos próximos estão ocupados por 120 homens da Polícia Militar por tempo indeterminado, informou o comandante da instituição, coronel Mário Sérgio Duarte. As duas localidades, de onde partiram os disparos na noite de terça, não estão incluídas na área ocupada pelo Exército desde novembro do ano passado. "O objetivo é vasculhar o local e procurar criminosos que estejam portando armas",
disse Mário Sérgio Duarte. Segundo o secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, um "número muito pequeno" de traficantes teria entrado de carro nas comunidades pela Vila Cruzeiro. Ele ressaltou que os últimos episódios não vão alterar o cronograma de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), em comunidades do Rio.


Também presente na entrevista, o comandante militar do Leste, general Adriano Pereira Júnior afirmou que os disparos foram feitos por traficantes de fora que tentavam entrar no complexo por meio dessas comunidades. Segundo ele, o Exército foi pego de surpresa pela ação dos criminosos, enquanto investigava incidentes acontecidos no conjunto de favelas no último fim de semana. "Foi (uma surpresa), porque a inteligência não tinha levantado essa ação", disse. "Estávamos envolvidos na investigação do que aconteceu no domingo (4)".

De acordo com o comandante, os distúrbios teriam começado no domingo, depois que militares perseguiram dois jovens flagrados vendendo drogas. Os soldados teriam entrado em um bar para onde os traficantes fugiram. O general disse que os soldados "perderam o controle", utilizando spray de pimenta e fazendo disparos com balas de borracha. [general Adriano: com todo o respeito que o senhor merece, o que os soldados deveriam ter feito? Olhado para o outro lado? fugido? oferecidos rosas aos bandidos? nos tempos atuais a atitude do general Wilberto Luiz Lima, à época comandante militar do Leste, deixa saudades.

OS FATOS: Os trabalhadores da CSN, devidamente insuflados pela corja esquerdista, estavam em greve e ameaçando causar danos aos altos fornos daquela siderúrgica – seria um prejuízo imenso.

O general Wilberto autorizou o envio de tropas de infantaria para desocuparem a CSN – que ainda não havia sido privatizada – e diante da reação dos grevistas os soldados tiveram que efetuar alguns disparos – usando munição de verdade – e com isso três ou quatro operários morreram.

Conclusão: a siderúrgica foi desocupada, os altos fornos não foram danificados e a greve acabou.

General, aquele dito popular é sempre válido: ‘não se faz omelete sem quebrar os ovos’.

Se o senhor e demais autoridades perderem tempo com reclamações da comunidade – muitos estão ligados ao tráfico, outros são simpatizantes e outros são coagidos a reclamar – e forem investigar qualquer acusação menor feita contra a tropa, há o risco do Glorioso Exército Brasileiro, ser forçado a adotar medidas mais severas sob pena de ser desmoralizado.]


O general disse que quatro homens do Exército estão afastados e que foi aberto um inquérito para apurar o que houve. "Ali começou o erro, (que foi) não perceber que se tratava de uma armadilha", afirmou ao atribuir o episódio a uma armação de pessoas ligadas ao tráfico. Ele refutou a versão de que o que motivou a reação dos militares foi a recusa dos freqüentadores de baixar o som da TV.


A informação dada por uma moradora de que a sobrinha dela teria sido morta por uma bala perdida foi contestada pelo general. "Passamos a noite com nossa inteligência procurando em todos os hospitais. Isso foi uma coisa plantada para piorar o clima", disse. Ele declarou ainda que é improvável que uma ação como essa se repita. "Dificilmente vai voltar a acontecer o que ocorreu ontem. Foi um tiro no pé do tráfico. Ficou claro para a população que houve uma orquestração. O tráfico não quer a nossa presença lá", disse.


Pereira Júnior admitiu que o Exército respondeu aos disparos feitos pelos traficantes com armamento pesado. Ele também confirmou que ainda há tráfico na região e que traficantes de fora eventualmente circulam na área. "Existe tráfico lá dentro. Não há paz completa", disse. O comandante afirmou ainda que o Exército vai voltar a ser mais rigoroso nas revistas, mas prometeu respeito aos moradores da localidade. "Vamos voltar a fazer mais revistas nas pessoas que pelas atitudes indicarem que estão fazendo algo errado", declarou.


Reclamações da abordagem de soldados

No dia seguinte ao intenso tiroteio entre militares da 9ª Brigada de Infantaria do Exército e traficantes no Complexo do Alemão, moradores pediam mais respeito por parte dos soldados durante as abordagens nas ruas. Sem criticar diretamente a presença das forças de segurança no conjunto de favelas, a reclamação é contra a forma ríspida que os militares se dirigiriam à população.


“A maneira de abordagem está horrível. Nós somos moradores da comunidade e eles precisam nos abordar com respeito, com bom dia, boa tarde e boa noite. Não é chegar e 'esculachar' [destratar]”, disse Ivo Rosa, que trabalha com transportes e mora na região. [trabalha com transportes, ocupação muito vaga e eufemismo para transporte clandestino e com certeza pronta a ser ‘porta-voz’ do tráfico.]


O comerciante Nivaldo Bento, conhecido como Baiano, há 25 anos dono de um bar na Favela da Grota, também reclamou da atitude dos militares. “Será que eles [os soldados] não gravam a nossa fisionomia. Ficam abordando a toda hora. Aí os moradores ficam revoltados com isso, pois todo mundo vira suspeito”.


Para o pedreiro Walace Sidney, os soldados precisam aprender a lidar melhor com a população. “Eles querem mostrar poder. Mas a comunidade não quer que eles mostrem poder. Quer que eles nos mostrem segurança. Falta um pouco de experiência. Eles estão treinados para um tipo de serviço, aqui é outro”, disse Sidney, que sugeriu a utilização de efetivo mais velho, em vez dos jovens soldados, como forma de aprimorar o trabalho no relacionamento com os moradores. [a missão do Exército é acabar com o tráfico nas favelas do Complexo do Alemão e não é conveniente que desperdicem tempo com ações do tipo ‘fazer média’ com moradores, sem contar que um excesso de relacionamento, intimidade, da tropa com os moradores pode prejudicar a segurança dos militares.

Não pode ser olvidado que mesmo a maior parte da população seja formada por pessoas de bem, o tráfico é muito convincente nos métodos de angariar apoio da população das favelas.]


O comandante da Força de Pacificação no Complexo do Alemão, general César Leme, afirmou que existe a preocupação em respeitar a população durante as ações de abordagens e revistas, mas admitiu que esse procedimento pode ser melhorado. “Aprimoramento é sempre bem-vindo. Mas nós temos a preocupação na orientação à nossa tropa de uma abordagem correta e de forma educada”, declarou o general, que já esteve no comando da tropa no Alemão por três meses e retornou recentemente para mais um trimestre.


Fonte: Agência Estado e Agência Brasil


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